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    Nutrição e saúde da mulher

    01/06/2001

    A saúde da mulher tem despertado a atenção de muitos pesquisadores da área médica nos últimos tempos. Diversos estudos têm mostrado a necessidade de se estabelecer condutas médicas específicas para se trabalhar com os problemas de saúde da mulher nas diferentes faixas etárias.
    O mesmo vem ocorrendo no campo da Nutrição, com estudos voltados para o tratamento e prevenção, através da alimentação, de doenças e condições típicas da mulher, com o estabelecimento de orientações nutricionais específicas para a população feminina.

    Alguns problemas de saúde têm sido reconhecidos como os de ocorrência mais freqüente entre mulheres e, por isso mesmo, são os que exigem maior atenção. Confira, na tabela ao lado, os links para um resumo destes principais problemas, com indicação de alguns cuidados nutricionais que podem ajudar na prevenção dos mesmos.

    Cuidados nutricionais podem ajudar na prevenção de problemas relacionados à saúde da mulher:

    Doenças Cardiovasculares

    Em muitos países, tem se notificado um número de mortes por doenças cardiovasculares entre mulheres superior ao número de mortes provocadas por câncer. As mulheres são tão vulneráveis aos fatores de risco para doenças cardiovasculares (excesso de peso, alto consumo de gorduras, principalmente gordura de origem animal, vida sedentária, hipertensão arterial etc) quanto os homens, mas o significado desse risco pode variar entre os sexos.

    Por exemplo, baixos níveis de HDL (conhecido como o “bom colesterol”) no sangue é considerado um fator de risco para doenças cardiovasculares de efeito maior entre mulheres do que entre homens, principalmente quando associados com altos níveis de triglicérides . Traduzindo, baixos níveis de HDL é uma situação mais perigosa para mulheres do que para homens quanto ao desenvolvimento desse tipo de doença.

    A hipertensão também é mais problemática para mulheres do que para homens, principalmente para as mulheres negras.

    O excesso de peso também parece prejudicar mais às mulheres no desenvolvimento desse tipo de doenças. Por exemplo, se o IMC (Índice de Massa Corporal, cuja fórmula é: peso, em Kg, dividido pela altura, em metros, ao quadrado) de uma mulher (não grávida) for maior do que 29, ela tem três vezes mais chances de desenvolver doença coronariana do que homens com o mesmo valor para IMC.

    A chegada da menopausa traz diversas alterações ao organismo da mulher, podendo aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Diminuição nos níveis de estrogênio pode alterar a composição do sangue, aumentando o colesterol total, os níveis de LDL (conhecido como o “mau colesterol”) e de triglicérides, reduzindo também o HDL.

    A partir do que foi dito, é essencial o cuidado com a alimentação para prevenir doenças cardiovasculares, tão freqüentes entre mulheres. Reduzir o consumo total de gorduras, evitando-se principalmente a gordura animal (manteiga, maionese, peles de animais, carnes gordas, creme de leite, queijos amarelos etc), limitar a ingestão de doces e alimentos com alta concentração de açúcar, diminuir a quantidade de sal adicionada aos alimentos em geral e evitar produtos salgados (embutidos de carne, conservas, aperitivos etc), aumentar a atividade física e manter o peso dentro da faixa de normalidade são cuidados fundamentais na prevenção das doenças cardiovasculares.

    Câncer

    Tem sido relacionado como a segunda causa de morte em alguns países, como os EUA e o Canadá. A alimentação tem um papel importante, podendo prevenir de 30% a 70% o risco de desenvolvimento de câncer, dependendo do tipo deste.

    O papel do alto consumo de gordura no desenvolvimento do câncer de seio ainda é controvertido, embora hajam estudos mostrando alta freqüência desse tipo de câncer entre mulheres em países onde se consome muita gordura na alimentação diária. Também um alto consumo de gordura, associada a uma baixa ingestão de fibras, tem sido muito relacionado ao câncer de cólon . É importante lembrar, porém, que muitos outros fatores estão envolvidos na formação do câncer.

    Existem, por outro lado, alguns fatores protetores ao câncer em diversos tipos de alimentos. Estudos têm demonstrado o papel de anti-oxidantes (vitaminas A, C, E e beta-caroteno) na prevenção de diversos tipos de câncer; esses anti-oxidantes são encontrados em frutas, legumes, folhas verdes e grãos integrais. As fibras, presentes nos farelos, cereais integrais, cascas de feijão e de frutas, bagaços de algumas frutas etc, na prevenção de algumas formas de câncer, como o de intestino. Alimentação rica em fito-estrogênios, como os encontrados na soja, tem sido indicada para prevenir também algumas formas de câncer.

    Excesso de peso em mulheres pode levar a um alto nível do hormônio estrogênio e, assim, predispor ao câncer de endométrio. Alto consumo de gorduras e baixo consumo de anti-oxidantes têm sido associados com o câncer de ovário.

    Portanto, aumentar o consumo de alimentos ricos em anti-oxidantes naturais (vegetais de folhas verde-escuras, legumes amarelos e alaranjados entre outros, frutas em geral, cereais e grãos integrais etc), reduzir o consumo de gordura, aumentar a quantidade de fibras na alimentação diária (pão integral, cereais em flocos, farelos, arroz integral, cascas de alguns vegetais e frutas etc) e manter o peso normal são importantes cuidados que podem auxiliar na prevenção de vários tipos de câncer em mulheres. O consumo diário de soja em grão (média de 30g/dia) também tem sido indicado para esse fim.

    Osteoporose

    Osteoporose se caracteriza por uma perda de mineral do esqueleto, resultando em ossos finos e susceptíveis a fraturas. Não pode ser curada, mas pode ser prevenida ou ter seu progresso retardado. A melhor forma de prevenção é aquela que começa logo nos primeiros anos de vida, com a formação de ossos fortes a partir de uma alimentação balanceada, com quantidades adequadas de Cálcio. A prática de exercícios físicos regulares é também uma excelente forma de prevenção, associada a uma alimentação adequada.

    Mulheres que entram muito cedo na menopausa têm um risco maior de desenvolverem osteoporose, porque a perda de Cálcio dos ossos, nesses casos, é maior. A terapia de reposição hormonal tem mostrado efeitos positivos na redução do risco, tanto de doenças coronarianas quanto de osteoporose.

    Muitos nutrientes influenciam a formação dos ossos, mas o fator mais importante é a dieta balanceada . Os ossos continuam a se constituir até a idade de 30 anos, aproximadamente, o que é diferente do que se pensava antes. Consumir quantidades adequadas de Cálcio é uma condição essencial para crianças, pré-adolescentes, adolescentes e adultos jovens para que haja uma boa formação dos ossos.

    A massa óssea permanece praticamente sem alterações entre a idade de 30 anos e o início da menopausa; depois disto, há uma perda de 2% a 5% para cada ano até aproximadamente 5 anos após a menopausa, quando a perda de massa óssea se torna mais gradual. Isso mostra o quanto é importante que a prevenção da osteoporose entre mulheres comece quando essas ainda são jovens, o que deve ser feito através da ingestão adequada de alimentos ricos em Cálcio e da prática de exercícios físicos regulares.

    Outros fatores dietéticos podem afetar a saúde dos ossos. Alto consumo de cafeína, álcool, sódio e proteína aumentam a quantidade de Cálcio excretado na urina. Portanto, mulheres que ingerem grande quantidade de alimentos ricos em proteína, usam muito sal ou comem alimentos salgados em excesso, bebem muito café e/ou usam bebida alcoólica com freqüência aumentam o risco de desenvolverem osteoporose.

    Embora alguns investigadores concordem que a rápida perda de massa óssea que ocorre na menopausa precoce não pode ser prevenida através da suplementação de Cálcio, uma ingestão total de Cálcio de, aproximadamente, 1500mg diariamente pode reduzir a perda óssea nos anos seguintes. Alimentos ricos em Cálcio ou fortificados com esse mineral são a melhor escolha para essa prevenção.

    O hábito de fumar também prejudica a densidade óssea, interferindo na produção e no metabolismo do estrogênio, podendo levar à menopausa precoce, além de interferir negativamente na absorção do Cálcio. Estudos têm demonstrado que mulheres que fumam têm perda de massa óssea mais acelerada e, para esses casos, a reposição hormonal tem menor efeito na prevenção de fraturas.

    Os alimentos mais ricos em Cálcio são o leite e seus derivados (queijos, iogurte, coalhada etc), exceto a manteiga. Outras fontes menores de Cálcio, mas que também podem ser utilizadas são os cereais e grãos integrais e verduras de folhas verde-escuras. As cascas dos ovos podem ser uma alternativa para aumentar a quantidade de Cálcio na alimentação, mas é importante lembrar que a sua preparação é complexa (há risco de contaminação, o pó nunca pode ser aspirado etc), além de ter sérios problemas de aceitação, sendo insolúvel nos líquidos em geral e tem uma consistência semelhante à areia. Sendo a casca do ovo constituída basicamente de carbonato de Cálcio, essa mesma substância é encontrada em farmácias já purificada, sendo de fácil uso e incorporação aos alimentos; porém, é necessária uma orientação profissional para o uso desses produtos.

    Pessoas intolerantes ao leite e/ou aos seus derivados, devem utilizar alimentos fortificados com Cálcio, como o leite de soja enriquecido e outros produtos que já se encontram à venda nos mercados. É importante alertar também que nunca se deve tomar suplementos de Cálcio ou qualquer outro nutriente sem uma orientação médica ou de nutricionista.

    Peso Corporal

    As mulheres em geral são muito sensíveis a oscilações de peso durante suas vidas. Normalmente se considera como um peso ideal aquele em que o Índice de Massa Corporal está dentro de uma faixa de 20 a 25 . Valores abaixo e acima dessa faixa estão relacionados a riscos para a saúde. Um excelente indicador é o RCQ (relação entre a circunferência da cintura e a circunferência do quadril, ambos medidos em centímetros). Para mulheres, se a medida da cintura dividida pela medida do quadril for maior que 0,85, indica que há risco de desenvolvimento de doença cardiovascular.

    O excesso de peso pode trazer uma série de transtornos à saúde da mulher, principalmente se a gordura estiver localizada nas partes centrais do corpo (tórax e abdômem). Isto indica riscos de doença coronariana, hipertensão, alterações nos níveis de colesterol, diabetes e câncer nos órgãos reprodutivos. Excesso de peso também pode aumentar o risco de osteoartrite, infertilidade e aumento do risco de infecção após cirurgia.

    As mulheres geralmente demonstram ser mais vulneráveis às variáveis sociais, econômicas e culturais, quando se trata do aspecto físico. Padrões estéticos da sociedade atual têm levado muitas mulheres a uma busca desenfreada pela redução do peso corporal, muitas vezes através de métodos altamente prejudiciais a sua saúde. Qualquer perda de peso acima de 4Kg por mês já pode trazer conseqüências negativas a médio e longo prazo.

    Dietas restritivas, com valores calóricos muito baixos e/ou sem o devido balanceamento nutricional, podem ocasionar diversos problemas de saúde, tais como: alterações da freqüência cardíaca, redução da pressão arterial, inchação, prisão de ventre, amenorréia (interrupção da menstruação), hipoglicemia, deficiência de potássio, atraso do crescimento em crianças e adolescentes, fraturas secundárias a osteoporose, além de distúrbios psicológicos como depressão, irritabilidade, diminuição da libido e alterações do sono.

    Os melhores resultados encontrados em programas de perda de peso estão relacionados à re-educação alimentar, principalmente quando toda a família é envolvida. O mais importante no controle de peso corporal é se estabelecer um plano de metas a serem atingidas, de forma que a perda de peso ocorra gradualmente, dentro de um prazo devidamente estabelecido, em conjunto com a aquisição de bons hábitos de alimentação.

    Estudos mostram que, em pessoas obesas, uma simples perda de 10% do peso corporal já traz resultados positivos na prevenção das doenças cardíacas e do diabetes.

    É importante lembrar também que cápsulas, suplementos e outros produtos que supostamente ajudariam na perda de peso, só podem ser utilizados sob supervisão médica. Muitos produtos divulgados comercialmente para esse fim já se mostraram completamente sem efeito na redução do peso ou, até mesmo, podendo trazer efeito negativo para a saúde.

    Diabetes mellitus

    O diabetes é o maior problema de saúde que atinge a população feminina, principalmente mulheres mais velhas e mulheres negras.

    Na presença do diabetes, o risco de outras doenças que afetam a população feminina é aumentado, principalmente as doenças cardiovasculares. Mulheres diabéticas têm duas vezes mais chances de desenvolverem doenças cardiovasculares do que homens diabéticos. Parece, também, que a terapia de reposição hormonal tem menos efeito em mulheres diabéticas.

    O excesso de peso dificulta o controle dos níveis de glicose no sangue, alterando a sensibilidade à insulina. A hipertensão arterial traz graves complicações do diabetes levando a problemas renais, o que ocorre mais em mulheres diabéticas do que em homens diabéticos.

    O diabetes também predispõe mulheres ao aumento do risco de câncer do endométrio e a complicações durante a gravidez.

    Assim como as doenças cardiovasculares, o impacto do diabetes na saúde da mulher é amplamente reconhecido. Assim sendo, é importante que as mulheres, à medida que se tornam mais velhas, façam exames periódicos para diagnosticar o diabetes (observar os níveis de glicose no sangue), mesmo quando não há suspeita de desenvolvimento da doença. É mais fácil controlar o diabetes quando este é diagnosticado precocemente. E mulheres diabéticas devem manter rigoroso controle da doença, através de dieta específica e avaliações médicas periódicas.

    Conclusão

    Devido a influências biológicas, sociais, políticas e culturais, as mulheres são mais sensíveis ao risco de desenvolvimento de doenças e transtornos como obesidade, diabetes, osteoporose, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como o de seio.

    Outros problemas costumam surgir a partir de uma alimentação desequilibrada, o que contribui para deficiências de vitaminas e minerais. A anemia tem sido um distúrbio encontrado freqüentemente entre mulheres. As perdas menstruais podem levar à deficiência de ferro, se a alimentação diária não suprir as necessidades desse mineral. Mulheres vegetarianas costumam desenvolver anemia com maior freqüência do que mulheres que comem carne regularmente. Portanto, é importante que as refeições diárias contenham alimentos ricos em ferro (carnes em geral, vísceras animais, leguminosas etc) ou fortificados com esse mineral (exemplo: leite enriquecido com ferro) em quantidade adequada para prevenir o surgimento da anemia.

    Acima de tudo, a formação de hábitos saudáveis de vida e de alimentação é a forma mais eficiente de prevenir todos os fatores que afetam a saúde da mulher. Uma dieta balanceada, onde todos os nutrientes essenciais estejam presentes nas quantidades necessárias, a manutenção do peso corporal dentro da faixa de normalidade e a prática regular de exercícios físicos constituem-se na melhor forma de evitar as principais doenças que afetam a população feminina em todas as idades.

    Fontes

    • Position of The American Dietetic Association and The Canadian Dietetic Association: Women’s health and nutrition (Posição da Associação Americana de Dietistas e da Associação Canadense de Dietistas: saúde e nutrição de mulheres).
    • Journal of American Dietetic Association 1995; 95:362 (posição reafirmada em 1997 e publicada em 1999). Texto disponível em internet na página: www.eatright.org/awomenshealth.php Controle do Peso Corporal - Composição Corporal, Atividade Física e Nutrição. Dartagnan Pinto Guedes e Joana E. R. Pinto Guedes.


    Cristina Garcia Lopes
    é nutricionista formada
    pela Universidade Federal de Viçosa.
    Saiba mais clicando aqui.

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