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    Gravidez e Drogas

    ::: 19/07/2004

    Algumas teorias e os estudos modernos do desenvolvimento humano postulam que o desenvolvimento ocorre durante toda a vida. Além disso, estes mesmos estudos enfatizam que acontecimentos de uma etapa da vida influenciam aqueles que virão depois e que, conseqüentemente, irão afetar os próximos.
    Nesse sentido, percebe-se que desde a gravidez da mãe o desenvolvimento da vida de um ser humano está sendo construído. Assim, a tomada ou não de certos cuidados, ainda na gestação, pode influenciar o ciclo de vida de uma pessoa.

    Como se sabe, mais especificamente, um desses cuidados que precisam ser tomados refere-se à ingestão de determinados tipos de drogas pela mãe, ou mesmo pelo pai, antes e durante o período da gravidez. Desta maneira, sem desprezar as precauções habituais relacionadas à ingestão de medicamentos durante a gestação, que precisa ser rigorosamente acompanhada pelo médico, é preciso dispensar uma atenção especial à ingestão de álcool, nicotina e drogas como maconha, opiáceos e cocaína no referido período.

    No que se refere à influência da ingestão de bebidas alcoólicas durante o período gestacional, segundo Papalia e Olds, autoras que dissertam sobre desenvolvimento humano, só nos Estados Unidos, mais de 40 mil bebês nascem com defeitos congênitos ligados ao álcool.
    Nesse contexto, essas autoras revelam que cerca de um bebê a cada 750 sofre de Síndrome Alcoólica Fetal, que se configura como uma combinação de crescimento pré e pós-natal retardado, má formações faciais e corporais e distúrbios do sistema nervoso central.

    As pesquisadoras supramencionadas ensinam que até mesmo o consumo de álcool moderado pode prejudicar o feto. Para reforçar essa observação demonstram que um estudo, com quase 32 mil gestações, descobriu que o risco de retardamento do crescimento fetal pode aumentar se a mulher ingerir apenas uma ou duas doses de álcool por dia, sendo que o risco aumentava com o consumo pesado de álcool.

    Quanto ao consumo de nicotina pela mulher grávida, pode-se afirmar ser muito prejudicial para o desenvolvimento ou mesmo sobrevivência do bebê. Dessa forma, o bebê de mãe que fuma pode nascer com baixo peso corporal, precisar de assistência médica intensiva ou mesmo morrer antes do parto ou logo em seguida.
    Além disso, o fumo, assim como a bebida alcóolica durante a gravidez, pode desencadear complicações para a criança durante sua vida escolar, tais como falta de atenção, dificuldades de aprendizagem, hiperatividade, ou até desadaptação social, entre outras.

    Em se tratando da influência do uso de drogas como a maconha, pela mãe, na vida do feto e do bebê, Papalia e Olds alertam que estudos evidenciam que o uso intensivo dessa droga pode levar a defeitos congênitos. Outros estudos constataram que o uso de maconha um pouco antes e durante a gravidez está associado à leucemia. Acrescentando a esses dados, outras pesquisas associaram o uso de maconha pela mãe a comprometimentos no sistema nervoso do bebê.

    Apesar disso, outros estudos não evidenciaram maiores relações entre o uso dessa droga e a saúde do bebê. Dessa forma, as pesquisas continuam e, independente de quaisquer resultados, o uso de maconha deve ser evitado não somente por mulheres grávidas, mas por todas as pessoas de modo geral.

    No que diz respeito às implicações do consumo de opiáceos (como morfina e heroína) por mulheres grávidas, pode-se dizer que são bastante preocupantes. Além dos bebês poderem nascer prematuros, podem nascer viciados nas mesmas drogas e permanecerem sob efeito do vício até por volta dos seis anos de idade.

    Somando a esses fatores, Papalia e Olds argumentam que os neonatos são inquietos e irritadiços, às vezes têm tremores, convulsões, febre, vômito e dificuldade para respirar.
    Com o decorrer do desenvolvimento a criança tende a ser mais desajustada, ter problemas de aprendizagem, ser ansiosa em situação social e ter dificuldade para fazer amigos.

    Por último, a cocaína usada pela mulher grávida pode causar aborto espontâneo, nascimento prematuro, bebê com baixo peso corporal e problemas neurológicos.
    Além dessas interferências de ordem fisiológica, as influências no âmbito emocional também são múltiplas. Pessoas que usam cocaína tendem a ser mais desajustadas emocionalmente, mais irritadiças, agitadas ou deprimidas impedindo um ambiente afetivo suficientemente bom para que a criança se desenvolva.
    Além disso, complicações econômicas advindas da drogadicção também podem desestruturar o ambiente familiar, sendo prejudicial para o desenvolvimento do bebê.

    É importante destacar que os cuidados quanto à ingestão de drogas antes e durante a gestação devem ser tomados também pelo pai. Nesse sentido, vale relevar que a exposição de um homem a chumbo, a certos tipos de pesticida, uso de maconha, cigarro, grandes quantidades de álcool e radiação pode resultar na produção de espermatozóides anormais.

    O uso de cocaína por parte do pai também pode causar defeitos congênitos nos filhos. E, somado a tudo isso, a fumaça do cigarro do pai pode ser prejudicial tanto para a mãe quanto para o bebê (Papalia e Olds), fazendo com que os bebês tenham baixo peso ao nascer ou até mesmo desenvolvam um processo cancerígeno no decorrer da vida.


    Denise Mendonça de Melo
    é psicóloga, formada pelo
    Centro de Ensino Superior
    de Juiz de Fora.
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