Quarta-feira, 6 de maio de 2009, atualizada às 19

Sinserpu acata contraproposta da PJF e não deflagra greve

Patrícia Rossini
* Colaboração

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu) aceitou a contraproposta apresentada pela Prefeitura em mais uma etapa de negociações da campanha salarial. A proposta, aprovada em assembleia realizada nas escadarias da Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira, dia 6 de maio, não contempla o reajuste linear ao funcionalismo.

Entre outros pontos, a nova proposta da PJF prevê a incorporação do adicional de penosidade ao salário dos servidores lotados no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e nas regionais, além da inclusão dos motoristas da Empav nos benefícios dados aos motoristas da administração direta.

Durante a avaliação do documento, feita por representantes de diversas categorias que integram o Sinserpu, a divergência de opiniões entre os trabalhadores ficou clara.

Enquanto uns defendiam a greve para garantir o reajuste salarial linear, outros consideraram a proposta apresentada pelo executivo municipal uma conquista para o movimento. A negociação com associações de classe - como a dos motoristas - sem a presença do sindicato, também foi criticada no palanque como forma de descentralizar o movimento e enfraquecer os trabalhadores.

O próximo passo, segundo o presidente do Sinserpu, Cosme Nogueira, é elaborar uma comissão permanente de negociação, que será oficializada pela Prefeitura através de um decreto. "A negociação não acabou. Vai continuar através da luta da comissão, que será oficializada por decreto até o final do mês, conforme previsto na contraproposta."

Cosme considera que o movimento teve sucesso na campanha salarial. "Para nós, é um grande feito. Chegamos a mobilizar quase 90% dos servidores públicos municipais nas paralisações e, com certeza, isso foi determinante para a apresentação da contraproposta." Apesar da decisão do sindicato, alguns trabalhadores que não quiseram ser identificados não esconderam o descontentamento diante do documento apresentado.

Adesão

Segundo dados do Sinserpu, a assembleia realizada nas escadas da Câmara Municipal contou com a participação de cerca de 1.500 trabalhadores. A paralisação desta quarta-feira foi mantida, com a garantia de que não haverá corte de ponto.

No final do dia a PJF divulgou que a paralisação contou com 90% de adesão dos funcionários da Secretaria de Obras, 80% da Empav e 81,5% dos professores da rede municipal. Na parte da manhã, cinco caminhões do Demlurb fizeram a coleta: um dos supermercados, um dos hospitais e três da coleta normal. À tarde, o trabalho foi normal, com dez caminhões. Para a parte da noite está previsto a saída dos quatro caminhões rotineiros e mais oito para regularizar definitivamente a coleta de lixo.

Na saúde, a paralisação parcial atingiu funcionários da atenção primária. Pela manhã, 13 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de um total de 57, não ofereceram atendimento. Nas outras subsecretarias de Saúde o dia foi considerado normal.

Desapontamento

Para o diretor regional administrativo do Sindicato dos Engenheiros de Minas, João Vieira de Queiroz Neto, que acompanhou a assembleia do Sinserpu, a manutenção do reajuste zero é motivo de frustração. "A proposta do executivo municipal contempla os menores salários através do abono, mas quem ganha acima de R$ 770 não tem benefício algum. É um desrespeito aos trabalhadores de carreira, que constroem essa cidade há 30 anos."

Segundo ele, a categoria considera legítimo o movimento de greve e não descarta a possibilidade de parar. "A ideia inicial era seguir junto ao Sinserpu, que é o sindicato majoritário. No entanto, existe a possibilidade de deflagrarmos greve na próxima assembleia." O Sindicato dos Engenheiros marcou a próxima assembleia para sexta-feira, dia 8 de maio, às 17h.

Foto da assembléia do Sinserpu Foto da assembléia do Sinserpu

O Sindicato dos Médicos também não descartou a possibilidade da categoria cruzar os braços. O secretário-geral, Geraldo Sette, afirma que a Prefeitura apresentou duas propostas. Uma é a criação de uma comissão para tentar solucionar o problema do Programa da Saúde da Família (PSF), que, atualmente, é vinculado à AMAC, enquanto deveria estar ligado à Secretaria de Saúde. Outra é a criação de um adicional para os profissionais da área de urgência e emergência.

"Apesar dessas propostas, não houve avanço quanto ao reajuste salarial. A Saúde está em colapso. Os profissionais estão pedindo demissão. Há setores no Hospital Pronto Socorro (HPS) que estão parcialmente desativados, como urologia e infectologia. Há aqueles que não podem tirar férias regulamentares. Esperamos que a Prefeitura seja sensível às nossas reivindicações."

Na próxima quarta-feira, dia 13 de maio, haverá uma nova paralisação com assembleia marcada para 10h, na Sociedade de Medicina.

* Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF
Colaborou Daniele Gruppi

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