Segunda-feira, 4 de maio de 2009, atualizada às 19h

Professores voltam a se manifestar no Centro de JF. Greve continua e deixa mais de 50 mil alunos sem aulas

Daniele Gruppi
Repórter

Os professores votaram em assembleia realizada nesta segunda-feira, dia 4 de maio, pela continuidade da greve. Pela manhã, representantes do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro) se encontraram com a secretária de Educação, Eleuza Barboza. Como não houve avanços na negociação, após a assembleia, a categoria se mobilizou novamente no Centro de Juiz de Fora.

Segundo a coordenadora do Sinpro, Fátima Barcellos, a secretária deixou claro que, por determinação política, as negociações salariais deveriam ser resolvidas com a Secretaria de Administração e Recursos Humanos. "Isso significa perda de autonomia da pasta", diz Fátima.

A diretora da Secretaria Geral do Sinpro, Aparecida de Oliveira Pinto, alegou que a Secretaria de Educação é independente. "A educação tem recursos próprios, como o Fundeb, e tem competência para definir a questão."

Aparecida afirma que a principal reivindicação é o índice. "Com o reajuste zero, nosso salário não vai ficar estagnado, vai ficar menor, vamos sair perdendo. Queremos garantir pelo menos a reposição da inflação com base no IPCA." Os educadores lutam também por aumento de R$ 450 para R$ 600 da verba anual para compra de materiais pedagógicos e especialização, além da inclusão de diretores e vice-diretores no pagamento da reunião pedagógica mensal e o reajuste de 10% sobre o salário. A categoria quer a implantação do piso salarial nacional de R$ 1.132 para 40 horas semanais.

A Secretaria de Administração e Recursos Humanos confirmou nesta segunda que vai encaminhar uma resposta pontual sobre cada item da pauta de reivindicações. "Das questões que não tratam de impasse financeiro, muitas são possíveis. Tudo o que for possível será avaliado", afirma o secretário Vítor Valverde. A próxima assembleia dos professores ocorre na quarta-feira, dia 6 de maio.

A mobilização

Segundo o Sinpro, cerca de 700 professores participaram da assembleia e da manifestação. A Polícia Militar (PM) divulgou um número menor de educadores, 600. Eles saíram do Teatro Pró-Música (avenida Rio Branco), desceram o Calçadão e foram até a sede da secretaria de Educação, que fica na Praça Antônio Carlos.


De acordo com o Sinpro, o objetivo do movimento é mostrar para os juizforanos o problema pelo qual a educação está passando e convocá-los para lutar com a categoria. "Queremos uma escola de qualidade", afirma uma das integrantes do Sinpro, Victória de Fátima de Mello. Ao chegar à secretaria, os manifestantes gritaram o nome de Eleuza e cobraram dela uma participação mais efetiva na negociação.

A Polícia Militar agiu para que não houvesse congestionamentos no trânsito. Conforme o tenente Jean, os policiais tiveram que atuar a fim de que os educadores permanecessem em apenas meia pista. "O acesso à rua Halfeld ficou mais difícil. Algumas linhas de ônibus ficaram paradas. Tivemos que desviar também o trânsito de veículos da Getúlio Vargas para a Floriano. Mas isso não durou mais do que dez minutos."

Mais de 50 mil alunos estão sem aula

O Sinpro divulgou que a paralisação iniciada na última quarta-feira, 20 de abril, conta com a adesão de 86% dos professores. "Na última quinta-feira, 30 de abril, muitos professores, principalmente das primeiras séries, voltaram às salas para avisar aos pais. Alguns que não aderiram inicialmente já estão participando do movimento", explica Aparecida. Segundo ela, mais de 50 mil alunos da rede municipal estão sem aulas.

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