Paulo César Paulo César 26/3/2012

Tensão e romance dão o tom na saga futurista de Jogos Vorazes

Muita gente está órfã de aventuras juvenis depois do encerramento da saga do bruxinho Harry Potter e do derradeiro final do romance vampiresco alternativo da saga Crepúsculo. Depois de Percy Jackson tentar, sem sucesso, preencher a lacuna, chegou a hora de Jogos Vorazes, adaptação do best-seller de Suzanne Collins, entrar em cena com uma variação de futuro que nos remete a uma visão caótica de repressão do livro 1984, de George Orwell, auxiliado por boas atuações e atrativos cinematográficos bem dosados.

A história se passa em um futuro repressivo onde os Estados Unidos é agora Panem. Um grande país divididos em 12 distritos que todos os anos tem de oferecer dois jovens, os tributos, para participar de um reality show, que só vencerá aquele que matar todos seus adversários. Quando a menina Prim é sorteada, sua irmã Katniss (Jennifer Lawrence) se oferece para substituí-la no sangrento programa. Lá contará com a ajuda de Peeta (Josh Hutcherson), o outro jovem do Distrito 12, para sobreviver às provações impostas pelos organizadores do show idealizado a mando do Estado.

O grande acerto do filme começa pelo diretor, Gary Ross, responsável pelo adorado Seabiscuit – Alma de Herói e do interessante A Vida em Preto e Branco. A experiência de Ross foi decisiva para que ele desse ao roteiro, que adaptou junto com a autora do livro, não desbancasse para algo melódico demais ou abusasse da violência que afastaria o público juvenil para qual a história foi escrita. Mesmo assim, valorizou a tensão da situação de Katniss ao utilizar a câmera tremida, incorporando e angustiando o público que passou a sentir um pouco do sofrimento da moça.

É certo que toda a história sofreu grande influência da obra de George Orwell, principalmente na questão de o Estado possuir um departamento que era responsável por levar à população uma espécie de "pão e circo" unido ao medo, para que mantenha o controle e impeça uma rebelião entre os distritos. Apesar desta forte inspiração, o texto de Jogos Vorazes tem vida própria e um desenrolar mais otimista que a obra de Orwell.

Jennifer Lawrence é uma atriz da nova geração acima da média e prova que não foi por acaso sua indicação ao Oscar ano passado. Ela consegue ser a arrogante e a amorosa sem que haja uma queda em seu desempenho. Josh Hutcherson também se sai bem, mas quem se destaca são os coadjuvantes Woody Harrelson como o mentor dos jovens, Wes Bentley como o diretor do "Big Brother" violento, Stanley Tucci como o sarcástico e eloquente mestre de cerimônias especializado em entreter a massa e um obscuro Donald Sutherland como o presidente.

Um filme inteligente que não exagera tanto no aspecto da ação, deixando Katniss como apenas um ser humano que precisa da ajuda de outros para se manter vivo, quanto no aspecto emotivo, que não deixa a história supervalorizar o romance dos tributos. O longa sofreu comparações com a saga Crepúsculo antes de sua estreia, entretanto quando os créditos sobem, a única certeza é que as semelhanças de contexto e de qualidade são díspares. Que a sorte esteja com Jogos Vorazes e que suas sequências sejam tão boas quanto este é.

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Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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