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    Vida de Bezerra de Menezes é sucesso no Brasil Filme que narra a história do humanista e divulga o cinema transcendental atrai multidões e provoca surpresa em alguns críticos

    Priscila Magalhães
    Repórter
    17/09/2008

    Um filme sem cenas de violência, sexo, traição, corrupção e pobreza. Uma produção que mostra o amor ao próximo, incentivando a consciência ética e moral. Assim é Bezerra de Menezes - o Diário de Um Espírito, que conta a história do humanista desde o seu nascimento, em 1831, até sua morte, em 1900.

    O filme foi idealizado e realizado pela Associação Estação da Luz, uma ONG que difunde a cultura de paz e realiza projetos sociais em Eusébio, no Ceará. Ele foi dirigido por Glauber Rocha Filho e Joel Pimentel, estreantes na produção de longa-metragem, assim como os diretores e voluntários da ONG. Os atores Carlos Vereza, Lúcio Mauro, Caio Blat e Ana Rosa dão vida aos personagens, nas gravações que se passaram no Ceará, Pernanbuco e Rio de Janeiro.

    Pelo estilo transcendental, o filme foge dos padrões do cinema e, talvez por isso, tenha surpreendido alguns críticos quanto à bilheteria alcançada em quase três semanas de exibição. O longa entrou em cartaz no dia 29 de agosto, quando Bezerra de Menezes completaria 177 anos. De lá para cá cerca de 250 mil pessoas já devem ter assistido ao filme, segundo um dos diretores da ONG, Marcos Morais.

    Apesar da surpresa de alguns, ele garante que não se sente surpreso. "Trabalhamos para isso. Primeiro, muitos fizeram de conta que não estávamos ali, pois não havia ninguém conhecido na produção. Agora, estão nos dando atenção".

    Foto do filme Bezerra de Menezes O objetivo do filme é mostrar ao público que vale a pena dar mais atenção ao próximo, reacendendo a consciência ética e moral na sociedade, que, segundo Morais, estavam se apagando. "Hoje há mais importância para o ter do que para o ser. Queremos inverter isso", ressalta. Para ele, Bezerra de Menezes é o melhor exemplo, já que foi um dos maiores humanistas da história do Brasil. "Ele foi político, médico, abolicionista, espírita e ecologista. No século XIX já deixou a mensagem e o alerta sobre a preservação do meio ambiente e a importância da sustentabilidade", completa ele.

    Além disso, Bezerra era conhecido como o "Médico dos Pobres", título que obteve da população com poder aquisitivo mais baixo, graças à sua devoção pelas causas sociais. "Ele nunca deixou de atender quem batesse à sua porta", diz Morais. E a voluntária da ONG Célia Diniz exemplifica com um treho do filme.

    "Enquanto seu próprio filho estava doente, com febre, ele saui de casa para atender ao chamado de uma senhora desesperada cuja filha estava muito doente", conta. E completa. "Ele saiu de casa dizendo que Deus cuidaria de sua família, mas que ele não poderia deixar de atender quem precisava".

    Apesar de fugir dos padrões, o objetivo traçado para o longa é o que tem levado tantas pessoas aos cinemas, segundo Célia. Os brasileiros não querem conviver com a violência urbana em seus momentos de lazer. "As pessoas estão cansadas. O que elas procuram é a espiritualidade, elas querem encontrar Deus dentro delas mesmas". Para ela,

    Apesar de retratar a vida de um espírita, Morais garante que ele não tem intenção doutrinária. E Célia completa, dizendo que esta é uma tendência no cinema. "A grande mídia está trazendo a questão da espiritualidade sem compromisso com a crença religiosa. O filme traz a mensagem de paz, sem ferir os princípios religiosos de ninguém".

    Até que tudo ficasse pronto

    Foto do filme Bezerra de Menezes Foram dois anos de trabalho até que a estréia acontecesse no final de agosto. A roteirização, figurino, escolha do elenco e cenário tomaram cerca de 80% deste tempo. Sobre a escolhe de Vereza para o papel principal, Célia diz que foi uma decisão muito acertada pelo fato de o ator ter o tipo fisico, a voz meiga, o temperamento e a postura muito parecidos com o que dizem de Bezerra de Menezes. "A experiência dele também nos ajudou com o restante do elenco, pois ele convidou os outros a participar".

    Entre as dificuldades, a financeira está em primeiro lugar. Todo o filme foi produzido com aa verba da própria ONG. "Foi tudo na raça para que a gente transformasse sonho em realidade".

    Antes que a versão final ficasse pronta, uma primeira foi exibida no Congresso Internacional Espírita, na Colômbia. Ele aliava o drama com documentário e não foi muito bem recebido pelo público. Então, as alterações foram feitas. Os depoimentos foram retirados e somente o drama se manteve. "Isso gerou mais custos e gastamos mais tempo".

    Entretanto, as dificuldades não desmotivaram a equipe. "A repercussão está tão favorável e, msmo se não tivermos retorno financeiro, queremos investir em mais produções como esta", afirma Morais.

    Bezerra de Menezes - o Diário de Um Espírito chega a Juiz de Fora nesta sexta-feira, 19 de setembro.

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