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    Escravos influenciaram modo de falar do juizforano Primeira parte da pesquisa traçou um levantamento histórico, que permitiu levantar as características da pronúncia dos juizforanos

    Aline Furtado
    Repórter
    25/1/2010

    O modo de falar do juizforano é decorrente da presença de escravos de origem Banta na cidade, durante o século XIX. Esta constatação é da professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Patrícia Fabiane Lacerda, responsável pela pesquisa A Língua Portuguesa em Juiz de Fora no século XIX: constituição de um banco de dados anotado, que trata do modo de falar do povo de Juiz de Fora.

    Segundo Patrícia, no período estudado, mais de 59% da população de Juiz de Fora era constituída por escravos, o que justifica a influência. "Os documentos analisados permitiram o acesso à grafia e à fala de épocas passadas."

    A professora fez um levantamento histórico do falar na Zona da Mata de Minas Gerais, em especial em Juiz de Fora. "Temos como referência a inserção da cidade no Caminho Novo e o fato de o município ter atuado como centro aglutinador de todo o crescimento da região a partir desta integração. Isto nos auxilia a verificar como a população era constituída na época e, consequentemente, os contatos linguísticos", explica.

    Para a professora, o modo de falar faz parte da identidade de um povo. "Nossa formação cultural nos conduz para a forma como falamos." Uma das características é o alteamento da vogal pretônica, como a utilização das vogais i no lugar de e, e u no lugar de o. "As pessoas dizem minino e piqueno e não menino e pequeno."

    Outra peculiaridade está na monotongação do ditongo, quando os encontros vocálicos são reduzidos a apenas uma vogal, como em poco e não pouco. Por fim, outra característica seria a ditongação diante de sibilante, em casos como treis, e não três. "Temos várias diferenças nos campos da fonética e da morfossintaxe. Mas, no trabalho, estudei a pronúncia fonética, focando especificamente em Juiz de Fora."

    Segunda parte

    Segundo a professora, a próxima fase de sua pesquisa será dedicada ao estudo dos dados referentes ao português atual, tendo como base novos fluxos migratórios na cidade. "Com certeza o fato de Juiz de Fora ser uma cidade composta por muitos estudantes influencia diretamente em seu modo de falar." Ela destaca que, de posse destes dados, poderá ser traçado um estudo comparativo entre a história e os dias atuais, no que diz respeito à pronúncia fonética.

    Pesquisa inicial

    Patrícia teve a ideia de fazer a pesquisa quando cursava a graduação e teve oportunidade de trabalhar com o professor da UFJF, Mário Roberto Zágari. Eles desenvolveram um atlas linguístico de Minas Gerais. O trabalho traçava as características dos falares de Minas Gerais e suas origens.

    O trabalho do professor Zágari, que deu origem à recente pesquisa, aponta a existência de três tipos de falas enquadradas no sotaque mineiro: o falar baiano, partindo do Norte de Minas até a linha no sentido Leste-Oeste; o falar paulista, partindo do Sul de Minas Gerais em rumo ao Norte e dobrando para o Oeste, indo em direção ao Triângulo Mineiro; por fim, o falar mineiro, próprio da Zona da Mata Mineira e da região do Campo das Vertentes. Conforme as pesquisas realizadas, a fala do povo da capital, Belo Horizonte, não se enquadra nas classificações.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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