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    Beatriz Coelho lança livro sobre negros e judeus na Praça Onze

    Obra resgata o convívio e adaptação de dois grupos que fizeram parte da cultura do Carnaval brasileiro

    Angeliza Lopes
    Repórter
    26/12/2015
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    No início do século XX, negros e judeus buscavam um novo lar na matriz do samba carioca, chamada Praça Onze. Em busca de resgatar a história e compreender como estes dois grupos marcados pela escravidão e por perseguições religiosas conviveram em um mesmo espaço e momento, que a autora, Beatriz Coelho Silva (Totó), jornalista e roteirista mineira, recria o ambiente no livro 'Negros e Judeus na Praça Onze. A História que Não Ficou na Memória'. O lançamento da obra em Juiz de Fora será neste sábado, 26 de dezembro, às 20h, no Doc Bistrô, rua Moraes e Castro, no Altos Passos. O grupo de samba escalado para o evento será o Conjunto Arcontes, da Universidade federal de Juiz de Fora (UFJF).

    Com a demolição em 1942 dos quarteirões entre as ruas Senador Eusébio e Visconde de Itaúna, para dar passagem à Avenida Presidente Vargas, o bairro ficou apenas na memória, como parte histórica do Rio de Janeiro. Interessada em entender como se deu a convivência entre os judeus e negros no berço da cultura carnavalesca que Beatriz indagou em pesquisas e entrevistas sobre como duas culturas tão diversas poderiam ter dado certo em um único espaço. Nas respostas adquiridas com judeus, que moraram na Praça até sua demolição, e negros que tinham memórias daquele tempo, uma outra pergunta se formou. Porque estas pessoas que passavam todos os dias pelas mesmas ruas e frequentavam iguais escolas não falavam um do outro? São questões que ficaram, mas os registros não deixam dúvidas sobre a troca cultural.

    Pesquisas

    A jornalista conta que durante a graduação na UFJF já alimentava o gosto pela cultura do samba, através de participações no Turunas do Riachuelo. Em 2000, quando trabalhava no jornal Estado de São Paulo teve contato com a história do líder da comunidade judaica, Samuel Malamud, no ano de sua morte. Autor do livro Recordando a Praça Onze, ele conta sobre o lugar que reuniu a maior concentração judaica da história da cidade do Rio. A partir da leitura e já sabendo da migração de negros, pós escravidão, das fazendas da Bahia e Zona da Mata mineira para a Praça Onze, entre 1900 e 1930, que Beatriz quis unir este diálogo cultural em uma só narrativa.

    O trabalho de conclusão da pós-graduação em História do Brasil (UFF) e Divulgação Científica (Fiocruz), em 2009, tornou palpável as primeiras páginas da obra que foi complementada com a entrevista de três negros e dois judeus. "Queria entender como eles conseguiram se adaptar a esta nova realidade. Como se viraram. Dois grupos com culturas tão diferentes em um mesmo lugar. Na época somente católicos eram considerados gente de direito, além de já terem um passado trágico. Com todo o levantamento feito, consegui identificar três principais características comuns entre eles, que são: o humor irônico sem ser agressivo, ótimos músicos e gosto por festas. Vejo que as festas que os uniram. Existiam blocos de negros e judeus. Mesmo sem falarem um do outro, quis mostrar como eles conseguiram enfrentar todas as diversidades com que chegaram no Brasil para sobreviver e viver bem", destaca Beatriz.

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    A autora afirma que todos os personagens são com nomes fictícios e o texto segue uma linha de ficção, sem ser, para criar um ambiente mais leve de leitura, como um romance. Além dos históricos comuns, ela levanta curiosidades deste passado próximo da Praça Onze, que teve representação exportada para animações da Walt Disney. "Nas pesquisas identifiquei narrativas que contam sobre o rábula (advogado falador) Doutor Jacarandá que defendia os direitos de pessoas que moravam na Praça e não podiam pagar. Citado em outras obras, ele teriam inspirado os animadores da Disney na criação do Zé Carioca, que representa aquele cara bem-vestido, falastrão e que conversa com todos".

    Outra curiosidade que a jornalista teve impressões através das pesquisas, mas não conseguiu levantar dados, são as relações de negros e judeus na criação do Carnaval como é atualmente. "Entendo que, possivelmente, foram os judeus que transformaram o Carnaval em um produto comercial, visto que, o primeiro samba gravado, que completa 100 anos, teve gravação em um estúdio judeu".

    Lançamento

    O lançamento que será neste sábado, 26, será embalado pelo samba do Conjunto Arcontes. Como maior parte dos livros foram vendidos online, Beatriz optou por fazer uma noite de encontros entre apoiadores e interessados pela história da Praça Onze. A obra poderá ser adquirida no evento ou pelo site.

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