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    Madeira inutilizada vira móveis e esculturas para decoraçãoTábuas queimadas, disco de arara e pedaços de madeira achados na rua são os materiais utilizados pelo artesão Anísio Henriques

    Jorge Júnior
    Repórter
    23/2/2011
    madeira

    Tábuas queimadas, disco de arara e pedaços de madeira inutilizáveis podem ser transformados em móveis e esculturas para decoração. Quem garante esta obra é o artesão Anísio Henriques, que desenvolve o trabalho há oito anos. "O material chega todo danificado e eu tento transformá-lo em algum objeto."

    O artista começou a desenvolver este trabalho na cidade de Uberlândia. "Montei um bar chamado Tocos e comecei a decorá-lo. Criei mesas, cadeiras e luminárias", lembra. Foi a partir desse momento que as obras ganharam destaque. As pessoas queriam comprar as peças, mas o escultor nunca quis vendê-las. "Eu nunca soube avaliar o meu material e nunca tive a intenção de vendê-lo, meus amigos sempre me cobraram isso", recorda e complementa: "eu sempre presenteie os meus amigos com as peças."

    Segundo o artista plástico, a maioria do material é encontrada nas ruas e em terrenos vazios, além de doações de amigos. Henriques diz que interfere o mínimo possível na matéria prima. "A minha tentativa é demonstrar o que a natureza deixou para nós." Os principais materiais utilizados para finalizar as peças são a resina, verniz e serrote — quando é necessário. Segundo o artesão, o mais importante para fazer as esculturas é o olhar do criador. O peso de cada obra depende de seu tamanho.

    Reconhecimento

    Segundo Henriques, na época em que as peças estavam expostas, o Tocos virou um centro cultural, frequentado por vários nichos sociais. "Artistas, professores, poetas e músicos frequentavam o bar." A partir desse momento, o artesão teve indicação de vários amigos e montou diversas exposições. "Eu tinha muitos contatos, que me possibilitaram divulgar o meu trabalho na imprensa."

    Com o reconhecimento, o artista foi chamado para apresentar um programa semanal de TV, em um canal fechado da região. O programa chamado Tocos (mesmo nome do bar) ficou seis meses no ar e divulgava os produtores de cultura — que não tinham espaço na mídia.

    Além do programa, o artesão lançou um CD com 14 músicas inéditas. "Os músicos que frequentavam o bar participaram da gravação. Nós vendemos mais de mil CDs", comemora. Por motivos familiares, Henriques vendeu o bar e veio morar em Juiz de Fora.

    Projetos

    Morando em Juiz de Fora, Henriques cursa Gestão Ambiental. O artesão tem 60 obras em sua residência e pretende expor os trabalhos ainda este ano. O escultor não descarta a possibilidade de criar peças para venda.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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