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    Tornar a leitura um hábito prazeroso é o maior incentivo O laço que a criança desenvolve com a leitura, depende da relação estabelecida com o adulto que faz a mediação com os textos

    Marinella Souza
    *Colaboração
    Madalena Fernandes
    Revisão
    23/10/2008

    Que a leitura é um hábito saudável todo mundo sabe, mas uma questão de fundamental importância é: como criar esse hábito em crianças tão facilmente seduzidas por brinquedos eletrônicos, televisões e computadores?

    Para a pedagoga Andreza Giacomini (foto abaixo), o grande mistério está no primeiro contato. Ela acredita que, ao contrário do que era feito antigamente, é preciso que a leitura seja apresentada às crianças como um hábito prazeroso e divertido.

    Segundo Andreza, exigir a leitura de textos muitos longos ou cobrar delas a compreensão do texto lido pode ser prejudicial. O ideal é começar aos poucos e esse trabalho, como lembra a também pedagoga Daniele Gobira, deve ser feito em conjunto com a escola.

    Andreza ressalta que, mesmo antes de a criança ser alfabetizada, já é possível despertar nela o interesse pelos livros. "Desde o ventre, a criança cria um vínculo com a voz dos pais. Se eles aproveitam isso para contar histórias de uma forma agradável e continuam fazendo isso à medida que ela vai crescendo vão criar um encantamento pela história contada", diz.

    E nessa tarefa de chamar a atenção das crianças, os pais, as mães e os educadores contam com um aliado: as editoras. De olho no mercado infantil, elas oferecem livros que mais parecem brinquedos e despertam a curiosidade e o interesse dos pequenos.

    Dicas

    Para começar, Andreza ensina que os melhores livros são aqueles com muita imagem e pouco texto, porque no início da vida é assim que meninos e meninas se comunicam e entendem o mundo: através das imagens.

    "Contar essas histórias mostrando as gravuras e, de preferência, seguindo a leitura com o dedo, é fundamental para que elas consigam acompanhar o raciocínio e entender que aquele conjunto de símbolos têm uma função", orienta.

    Foto de 
  Andreza Giacomini Outra dica que as pedagogas dão para incentivar as crianças já em fase de alfabetização, é identificar os objetos que elas conhecem e associar as letras iniciais desses objetos com outras palavras que ela conheça, como a inicial do nome dela e das pessoas que a cercam.

    Daniele sugere que os clássicos sejam explorados. "Se a criança não sabe ler, os pais podem reservam meia hora por dia para contar um clássico para ela, porque uma história bem contada é sempre muito gostosa de se ouvir. Até um adulto se encanta", diz.

    Andreza acredita que as primeiras experiências devem ser positivas, transmitir emoção para as crianças em cada página lida. Isso é importante para que o hábito se transforme em uma boa leitura no futuro.

    Para as crianças que já sabem ler, o conselho é deixá-las contarem parte da história, o que não significa que o adulto deva parar de contá-las, ao contrário. Trata-se de acompanhar a leitura, revezar as páginas lidas sem cobranças ou exigências para reforçar a auto-estima da criança, que vai perceber que já é capaz de entender e pronunciar as palavras.

    O papel do adulto

    Mais do que criticar uma criança já alfabetizada que não gosta de ler, segundo Andreza, é preciso avaliar a relação dela com os pais e os educadores, segundo Andreza. "Para a criança, a leitura é um instrumento para viver um momento de prazer com a pessoa que ela gosta. Mais do que o livro, o importante é a relação com a pessoa que conta", revela.

    Foto de Daniele Gobira Para Daniele (foto ao lado), é fundamental que essas pessoas que possuem relação direta com a criança e seus livros, conheçam bem o universo dos pequenos. "Muitas crianças maiores não aprenderam a gostar de ler, mas nunca é tarde para incentivá-las. Basta prestar atenção nos seus gostos e suas preferências. Se ela gosta de carros, leia com ela uma história sobre carros", ensina.

    A pedagoga destaca ainda que não é preciso se restringir à literatura, qualquer leitura é válida. Jornais, revistas, gibis e até receitas e rótulos também são importantes nesse processo, em que o fundamental é a criança ter liberdade para escolher a leitura que mais a agrada."A criança tem que criar um vínculo de afetividade com a leitura", enfatiza.

    Andreza reforça a idéia de que a participação dos pais é essencial para que os pequenos aprendam a gostar de ler. "Não adianta cobrar da criança uma leitura, se em casa não tem um jornal, uma revista ou uma biblioteca mínima que seja. Os pais têm que incentivar dando o exemplo."

    Leitura e internet

    Para Daniele e Andreza, a internet jamais vai substituir os livros, porque as crianças pequenas ainda se encantam com as histórias. "Abrir o livro e lê-lo até o fim requer tempo e paciência, mas é uma experiência maravilhosa e as crianças adoram isso", diz Andreza.

    Andreza não vê com bons olhos a inserção das crianças no mundo virtual. Para ela, se não houver um controle das crianças nos sites de relacionamento, as conseqüências gramaticais podem ser graves.

    Foto de livro de pano Foto de livro de conto de fadas Foto de livro de plástico

    "Se não regular, acaba desconstruindo todo o trabalho feito, porque as crianças ficam muito mais tempo no computador exercitando o que é usual e não exercitam a forma correta de escrever. Isso acaba confundindo. Tem que cobrar a escrita correta, senão perde o propósito da língua portuguesa e é preciso criar toda uma nova estrutura lingüística", acredita.

    E Daniele reforça: "É a repetição que faz com que a gente chegue a uma escrita mais correta. Se a criança ficar horas ali no computador escrevendo de forma errada, vai entender que aquilo é o certo e na hora de fazer uma prova ou de prestar um concurso vai ter problemas sérios".

    *Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF

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