Esporte radical para meninas Com apenas dez anos, Maria Júlia acumula quatro troféus de motocross e sonha com carreira no esporte

Patrícia Rossini
*Colaboração
30/01/2009

De tanto ver o pai praticando motocross, Maria Júlia Arêas Lourenço (foto ao lado) decidiu começar no esporte. Aos sete anos, iniciou o treinamento e, um ano depois, fez sua estreia nas pistas, conquistando quatro troféus.

Entre os competidores, é uma das poucas mulheres. "Acho que as meninas ficam com medo, porque é um esporte muito perigoso e os tombos são frequentes. No motocross, a gente precisa ter coragem para se machucar", afirma. Segundo Maria Júlia, as competições da sua categoria têm entre oito e dez inscritos, sendo apenas três meninas.

Sem medo

Acostumada com os tombos nos treinamentos, a atleta mirim dá a dica: tem que usar os equipamentos de segurança e saber cair. "Nos treinos, é normal cair bastante. Mas, até hoje, não cai em nenhuma competição", comemora.

Maria Júlia mora e estuda em Juiz de Fora, e conta que espera a semana inteira pela sexta-feira, quando viaja com o pai para treinar nas pistas de Três Rios e Além Paraíba, no estado do Rio de Janeiro. "Nas sextas, meu pai me busca no colégio e vamos direto para Três Rios. Eu nem passo em casa, vou de uniforme mesmo, e a gente passa o final de semana andando de moto", explica.

Apesar da coragem, a menina diz que já desistiu de uma corrida ao ver o tamanho de um morro. "Quando cheguei na pista, vi um morro muito grande e íngrime, fiquei com medo de não conseguir subir. Parecia que a moto ia parar no meio do caminho."

Carreira profissional

Aos dez anos de idade, Maria Júlia garante que quer seguir carreira profissional no motocross. Matriculada no quinto ano do ensino fundamental (antiga quarta série), ela confessa que o esporte interfere um pouco nos estudos. "Nos finais de semana, eu costumo passar o dia todo treinando. Acho que o esporte pode atrapalhar um pouquinho, mas quero seguir carreira no motocross."

Foto de Maria Júlia em competição Foto de Maria Júlia em competição Foto de Maria Júlia em competição

Para conquistar o sonho, ela conta com o incentivo dos pais. "No início, minha mãe ficava com medo e sempre assustava ao me ver cair. Agora ela já acostumou e me dá todo o apoio para continuar praticando."

O próximo passo, de acordo com Maria Júlia, é passar da categoria 50 para a 80 ou a 125. As disputas são divididas pela potência da motocicleta e não pela idade dos competidores. "Nas competições de 80 e 125, vou correr com gente de todas as idades, porque é dividido pela potência da moto. Se não fosse desse jeito, ia ter moto mais rápida do que a outra na mesma corrida."

Melhores momentos

Questionada sobre o melhor momento da carreira, Maria Júlia lembrou da conquista do segundo lugar em uma competição em Chiador, Minas Gerais. Já a pior parte do esporte, segundo ela, é ter que passar a marcha. "Eu prefiro cair do que ter que passar marcha."

*Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

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