Leites artificiais contêm nutrientes abaixo do indicado Entre os prejuízos que podem ser causados à criança estão a deficiência no desenvolvimento, reações alérgicas e risco de infecção

Aline Furtado
Repórter
5/3/2010

Quando se pensa no desenvolvimento de bebês, é comum se lembrar do leite materno, conhecido como fonte rica em nutrientes e proteínas que auxiliam no crescimento e na proteção à saúde das crianças. Entretanto, o número de opções de fórmulas infantis, como são conhecidas as marcas de leite em pó, é grande no mercado.

Segundo pesquisa realizada recentemente na Universidade de São Paulo, a quantidade de ácidos graxos polinsaturados, nutrientes importantes para o desenvolvimento infantil, está abaixo do recomendado nas fórmulas industrializadas.

O estudo verificou a baixa presença de nutrientes como o  ácido linoleico (LA), o ácido α-linolênico (ALA), o ácido araquidônico (ARA) e o ácido docosahexaenóico (DHA) no leite em pó infantil, que é usado em substituição ao leite materno. Ao todo, foram analisadas 14 fórmulas, sendo que uma estava em desacordo para ALA, duas para ARA e seis para DHA, conforme informações expostas nos rótulos das embalagens. Além disso, foi verificado que fórmulas que ficam armazenadas por longo período sofrem perda de ácidos graxos.

A pediatra e coordenadora executiva do Banco de Leite Humano de Juiz de Fora, Márcia Mizrahy, reforça que há maior quantidade de ácidos graxos no leite humano e lembra os problemas que podem ser provocados, não só pelo uso de fórmulas, como também pelo uso do leite de vaca pasteurizado. "Sobrecarga renal, alergias respiratória e gástrica, aumento da possibilidade de infecções, além de deficiências com relação ao desenvolvimento infantil."

Com relação às calorias, a cada 100 mililitros de leite humano, há 67 calorias. "A quantidade no leite de vaca, por exemplo, é menor, cerca de 60 calorias." No caso das proteínas, a quantidade é maior nas fórmulas e no leite de vaca, o que pode acarretar danos alérgicos às crianças. Os aminoácidos, que contribuem diretamente para o desenvolvimento cerebral, não fazem parte da composição do leite de vaca e das fórmulas. "O teor de gordura presente nos chamados leites artificiais é extremamente prejudicial à saúde. Além disso, a enzima lipase, que auxilia na digestão do bebê, a imunoglobina, responsável pela imunidade, e as vitaminas são encontradas apenas no leite humano."

A pediatra lembra, ainda, que as mães têm o hábito de misturar farinha ao leite em pó, o que pode ser prejudicial à criança. "As pessoas imaginam que a farinha vai fazer com que o bebê fique sustentado por mais tempo, mas isso provoca uma quantidade de gordura errada no organismo, o que pode causar sobrecarga renal."

Leite humano

Segundo a médica, o leite humano passa por um período de adaptação desde a primeira mamada. "Na primeira semana, o que sai é o colostro, rico em imunoglobina e proteínas. Entre o sétimo e décimo quinto dia, o leite está em fase de transição. A partir disso, tem-se o leite maduro." Ela diz que o leite em pó e o leite de vaca não passam por estas fases de variação de composição.

Tal variação ocorre também durante a mamada, o que não é verificado nos casos de leite artificial. "No início da mamada saem basicamente água e proteínas, já no final da sucção, a criança ingere aquilo que vai engordá-la."

O que também não está presente quando se trata de fórmulas e do leite de vaca é o contato da criança com gostos variados, o que é acarretado pela alimentação diversificada da mãe. "Quanto mais variada for a ingestão de alimentos da mãe, mais fácil será a adaptação do bebê aos gostos quando for iniciada a ingestão de outros alimentos."

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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