Vovó é mãe duas vezes
Como equilibrar a relação entre avós e netos

Colaboração:
*Renata Silva
07/04/04

A psicóloga, Marlene Martins, fala sobre o relacionamento entre avós e netos. Clique no ícone ao lado!

Assista! Leia!

Vovó Prudência Não tem como não lembrar delas: nossas queridas vovós. Quem nunca teve ou ainda tem um chamego pela sua, hein? Prudênciana Garcia Rodrigues (foto ao lado), a vovó Prudência, é um exemplo de vó querida pelos netos. Na verdade, não só eles já que ela possui quatro netas, um neto, cinco bisnetos e um tataraneto! Ufa!!! Só de pensar na quantidade de fraldas, choros pela noite, alimentação e educação desses meninos dá pra ficar desesperada.

Porém, a tataravó de 87 anos acredita que cada experiência ocorreu em seu tempo e com as devidas responsabilidades. "Para os filhos, tive menos experiência e mais preocupação. Com os netos, já estava mais madura, mas tive a mesma obrigação de educar, pois minhas filhas trabalhavam e eu olhava os meninos durante o dia. E com os bisnetos e tataranetos não tive esse compromisso", comenta.

Modernidade: a "vovó sitter"
Assim como dona Prudência, muitas famílias adotam a vovó sitter, ou seja, a versão familiar da babá. O fenômeno é tipicamente brasileiro, já que em países da Europa e da América do Norte, os pais recorrem às creches e às babás recrutadas por agências. Em países de sangue latino, a tendência é aproveitar os fortes laços familiares para a educação dos filhos, porém a família deve estar atenta em relação aos papéis que cada um deve desempenhar.

Leni Afonso ao lado da vovó Prudência Não foi diferente com a bisavó Leni Afonso (foto ao lado), a filha de dona Prudência, que também ajudou na criação dos netos. "Tenho cinco netos e participei da educação de todos, alguns acompanhei mais de perto, outros não." O seu exemplo mais concreto é o neto Pedro, de 17 anos, que desde pequeno vive com ela. "Dei banho, levantei de madrugada e troquei muita fralda", lembra.

Para Leni, a sensação de ser avó foi mais relaxante, pois ela sabia que não era a mãe, mas sim a avó. E na hora de puxar a orelha? "Sou mais durona que a mãe dele, mas sei o meu lugar", conta sorrindo.

Os problemas da relação
Marlene Martins A psicóloga, Marlene Martins (foto ao lado), acredita que um bom relacionamento entre avós e netos está no equilíbrio. "A avó não pode assumir o papel de mãe. Quando isso acontece ela anula a autoridade dos pais", diz. Ela explica que há uma mudança no ciclo de vida da mulher, quando ela se transforma em avó e por esse motivo, os papéis devem ser bem definidos. Segundo ela, a relação avós e netos, geralmente é considerada prazerosa, pois é desprovida de obrigações. "É uma relação de cumplicidade", define.

Por ser uma relação tão íntima, pode haver uma tentativa da avó de "capturar as crianças para si". No entanto, isso ocasionará uma série de inseguranças na criança, que não sabe o verdadeiro papel dos pais, e uma frustração por parte da avó, que não terá o neto a disposição", considera Marlene. Portanto, a psicóloga define que "para uma relação saudável, a avó deve estar atenta e disposta a ajudar, quando solicitada", diz.

Cumplicidade
Neuza e João Cúmplices de verdade são Neuza e João (foto ao lado). A avó Neuza cuida do menino desde os dois anos. Ela afirma ter começado de novo quando passou a criar o garoto. "Estava destreinada, não sabia mais o que era acordar de madrugada, dar mamadeira, trocar fralda", diz a mãe-avó. Neuza acredita ter vivido a mesma insegurança da época em que foi mãe, pois as obrigações foram semelhantes. "No início, até mesmo ele se confundia e chamava todas as mulheres da casa de mãe. Hoje, com 8 anos, ele já entende. Trato como se fosse um filho", conta orgulhosa.

Dinorah Oliveira e os netos A outra vovó, Dinorah Oliveira (foto ao lado), de 78 anos, diz que, na época em que os netos eram pequenos (e até hoje!), fazia o que podia para agradá-los. "Se tinha dinheiro para uma roupinha, um brinquedo, eu comprava", comenta.

Dinorah esteve presente na vida de seus sete netos, mas atuou ativamente na educação de dois. Ela considera o fardo de ser avó, menor do que de ser mãe, justamente pela maturidade. "A mãe tem menos paciência, pois está sempre trabalhando, preocupada com a casa, com o marido. Já a avó tem mais tempo e está numa fase mais paciente da vida", diz. Por estar nessa fase mais tranquila, a vovó afirma ter feito tudinho pelos netos, desde levar à escola, dar banho, até os caprichos em datas especiais.

E quando perguntamos: Vó é mãe duas vezes? Ela afirma com segurança: até 10 vezes se for preciso!

*Renata Silva é estudante do 6º período de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora

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