Metade das vagas disponíveis para exames gratuitos de mamografia fica ociosa em JFCidade oferece, por mês, um total de 3.200 vagas. Para especialista, questões sociais e econômicas podem explicar a baixa demanda

Aline Furtado
Repórter
18/2/2011
Mamografia

A rede pública de saúde de Juiz de Fora oferece, atualmente, 3.200 vagas, por mês, para realização do exame de mamografia. Contudo, apenas 1.600 deste total são utilizadas pelas mulheres. A unidade que registra maior sobra de vagas é o Centro de Atenção à Saúde do Hospital Universitário (HU/CAS) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A instituição disponibiliza, a cada mês, duas mil vagas, realizando apenas 35% de exames, ou seja, 700 mamografias.

A Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes) oferece, por mês, 600 vagas, com preenchimento de 50%. Já a Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer de Juiz de Fora (Ascomcer) é a única instituição que registra demanda equivalente à oferta, realizando o número de exames oferecidos, 600 no total.

Para o chefe do Departamento de Saúde da Mulher, o ginecologista Elídio Fábio Goulart de Lana, uma das explicações para a sobra de vagas pode estar em questões sociais e econômicas. "Podemos pegar como exemplo uma mulher que mora em um bairro afastado da região central. Para chegar ao CAS/HU serão necessários quatro ônibus, o que equivale a um gasto de R$ 7,20. Isto acaba pesando, afinal, o valor pode ser utilizado na compra de um pacote de arroz, por exemplo."

Para ele, o fato de os hospitais serem localizados em pontos distantes da região central acaba influenciando na decisão a respeito da realização dos exames. Lana lembra que o número de mamografias realizado na rede privada é maior devido às facilidades, como a rapidez e o conforto, já que os procedimentos podem ser realizados em consultórios médicos e clínicas. Segundo ele, cerca de 30% da população de Juiz de Fora tem planos de saúde.

Conforme o médico, a baixa procura não tem relação com falta de informação. "As mulheres sabem que é preciso fazer a mamografia. Mas, ainda que a procura pelos exames preventivos seja feita de forma espontânea, algumas reclamam da dor causada pela compressão da mama. O ato de evitar pode representar um perigo, já que muitas mulheres esperam perceber sintomas, como caroços evidentes e secreção, para procurar auxílio médico. Aí, pode ser tarde demais."

A orientação vem em tom de alerta, tendo como base os dados da Secretaria de Saúde (SS). O número de óbitos em decorrência do câncer de mama em Juiz de Fora, em 2010, foi de 45 pessoas. Em 2009, foram 41 mortes e em 2008 foram registrados 56 óbitos. A doença está entre as mais tratadas no município. "Há mulheres que chegam ao consultório com nódulos grandes, com indicação maligna. Aquele tumor teve início com uma célula, ou seja, poderia ter sido detectado precocemente e o resultado ser completamente distinto, com possibilidade de cura."

Importância

Lana destaca que a mamografia tem grande importância por ser capaz de detectar, de forma precoce, caroços nas mamas. Além disso, o exame é capaz de identificar nódulos menores do que um centímetro, que não seriam percebidos pela apalpação. A mamografia facilita, ainda, a localização de nódulos que podem estar alojados em camadas mais profundas da mama. "Dependendo da localização e do volume da mama, o toque não identifica o caroço."

O exame permite, também, que seja feita uma comparação entre as duas mamas, que devem ter aspectos parecidos, o que indica estarem saudáveis. Outro problema que pode ser percebido com a realização da mamografia é a formação de calcificações mamárias. "Estas formações podem se apresentar de diferentes formas, com pequenos caroços de cerca de um milímetro ou por meio de agrupamentos, de formato irregular, de micro nódulos." As calcificações mamárias são provocadas por alterações na irrigação sanguínea da mama.

Com relação à ultrassonografia da região mamária, Lana afirma que esta deve servir como complemento à mamografia, não devendo ser adotada como substituta.

A partir dos 40 anos

Embora o Ministério da Saúde (MS) preconize que mulheres acima de 50 anos, sem risco aumentado, devam fazer o exame de mamografia em um intervalo máximo de dois anos, até os 69 anos, o médico afirma que é favorável, conforme determinação adotada por sociedades internacionais, que mulheres acima dos 40 anos façam, anualmente, o exame até o fim da vida. "O período de maior incidência é entre os 50 e os 69 anos — 80% dos casos ocorrem a partir dos 50 anos —, enquanto os restantes 20% acometem mulheres com menos de 50 anos."

No caso de mulheres que apresentam risco elevado, a indicação é que os exames sejam realizados a partir dos 35 anos, uma vez por ano. Entre os fatores considerados como risco estão parente de primeiro grau (mãe, irmão ou filho) que tenha tido câncer de mama, tanto do sexo feminino quanto do masculino; mulheres que já tenham tido diagnóstico de lesão pré-maligna; além daquelas que já tiveram câncer em uma das mamas. O médico lembra que o uso de próteses de silicone não impede a realização de mamografias.

Autoexame

Lana ressalta a importância de a mulher conhecer o próprio corpo, a fim de notar qualquer alteração. "O autoexame é importante sim, embora confunda algumas mulheres que não sabem interpretar." Ele lembra que ao sinal de nódulos e secreção com sangue ou aspecto aquoso, um profissional deve ser consultado.

Câncer de mama também acomete homens

Embora a incidência seja de um homem para cada 100 mulheres, é importante ficar atento, porque o câncer de mama pode ser detectado entre o sexo masculino. "Neste caso, a conotação genética é muito forte. Geralmente o homem percebe caroço ou secreção. O médico realiza um exame clínico, podendo ser solicitada, ainda, a mamografia."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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