Saber viver e amadurecer O culto à beleza, na sociedade contemporânea, deixa
muitas mulheres com medo de envelhecer

Sílvia Zoche
Repórter
25/10/06

Assista aos vídeos com a historiadora Marta Barros e ao médico geriatra Ronaldo Tornel em que falam sobre o medo de envelhecer

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Foto ilustrativa de uma mulher se olhando no espelho É impressionante como qualquer coisa que reflete a imagem atrai o olhar de muitas mulheres. Mesmo que tenha demorado horas se arrumando antes de sair de casa, é só entrar em um elevador espelhado, por exemplo, para dar aquela "espiadinha" e ver se está tudo sob controle.

É claro que cuidar da beleza não é um crime, mas tudo em exagero é prejudicial, como já se sabe. A mulher que se preocupa demais em estar sempre bela, é uma candidata a sofrer quando a idade madura começa a chegar.

Algumas mulheres sofrem só com a idéia de que um dia vão envelhecer. É algo natural, faz parte da vida. A chegada aos 30 anos parece um tormento para elas.

A historiadora e especialista no estudo dos gêneros, Marta Barros, diz que ela não escapou de tais aflições. Marta já participou de concursos de beleza e conta que chamava a atenção. Mas o período entre os 30 e 40 anos foi sofrido. "Percebi que os olhares masculinos estavam mudando. Já tinha perdido o toque de Midas", lembrando a história do Rei Midas que tudo que ele tocava virava ouro.

Foto de Marta Barros em entrevista à ACESSA.com Mas antes que se deprimisse com a passagem do tempo, ela encontrou uma solução. Claro que não foi de forma imediata. Ela começou a se intelectualizar mais e ser independente financeiramente. "Eu casei, tive meus filhos e mesmo me separando, eu já tinha uma bagagem forte, os meus filhos foram importantes. Não é fácil, mas tem que se preparar para envelhecer".

Como estudiosa do assunto, Marta diz que para as mulheres consideradas bonitas é mais difícil envelhecer, por ter uma aura de deusa e ter medo de não ser mais desejada. "A outra que não é tão bonita não se preocupa com o espelho, porque dá mais valor para a intelectualidade".

Marta vê sim uma evolução no modo como a mulher é tratada na sociedade, pela sua libertação sexual, financeira e até emocional. "Elas chegam aos 50 anos saudáveis, bonitas, independentes, mas quando sabem aproveitar a maturidade a seu favor. A máquina, o físico tem suas limitações, mas é preciso evoluir culturalmente, pscologicamente e com sabedoria".

Foto de Marta Barros trabalhando em seu computador Em um artigo seu, intitulado O Mito da Idade, Marta esclarece que também não está indicando que as mulheres cruzem os braços. "Pelo contrário. É deixar-se bonita de acordo com cada fase", explica. O culto à beleza divulgado pela mídia ajuda a disseminar o padrão estético de jovialidade. "Temos que nos libertar da ditadura dos padrões que dizem que não podemos envelhecer", cita em seu artigo.

Para quem está vivenciado este período de insatisfação, Marta aconselha fazer uma terapia, estudar, estar sempre informada sobre os fatos da vida real. "Eu faço. Procure sua luz interior e não o que está fora de você. Os orientais valorizam a sabedoria, os ocidentais valorizam o culto ao corpo. Procure se conhecer e conhecer a sociedade em que vive para saber conviver com ela", indica.

Vida saudável
Foto de Ronaldo Tornel em entrevista à ACESSA.com Sair para passear com a família, contemplar a natureza, ter hábitos saudáveis de alimentação, sono e convivência. Parecem indicações "batidas", mas segundo o geriatra e neurologista Ronaldo Tornel (foto ao lado) comenta que é extremamente necessário para que as pessoas envelheçam com saúde. "As pessoas se afastaram da natureza. O estresse é algo que não se encontra no campo", diz o médico, lembrando de amigos que trabalhavam em cidades grandes e depois que se aposentarem foram morar em sítios.

O medo de envelhecer é algo presente tanto em homens quanto em mulheres, mas Tornel diz que as mulheres externam mais seus sentimentos. "Todo mundo tem medo do desconhecido. À medida que envelhecemos, ficamos próximo da morte, que é o grande pânico embutido".

Mas não é para entrar em desespero. Tornel enfatiza que o ser humano tem envelhecido mais cedo por não dar importância a hábitos saudáveis e que deveriam ser corriqueiros.

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