Cuidado ao se olhar no espelho Os espelhos falsos têm tido uma grande procura, tanto para garantir a segurança quanto para espionar as pessoas

Priscila Magalhães
Repórter
23/01/2008

Que mulher não vê um espelho e pára na frente dele para dar uma olhadinha no cabelo, retocar a maquiagem e dar uma ajeitada na roupa? A maioria delas faz isso. Mas quem garante que aquele espelho é um espelho simples? Você já parou para pensar que pode estar sendo vigiada por uma pessoa ou por uma câmera escondida atrás dele?

Estes são os espelhos de segurança ou de dupla face, mas mais conhecidos como espelhos falsos. "Hoje, vendemos estes espelhos para diferentes locais, como academias de ginástica, empresas de segurança e até para residências", diz o gerente de uma vidraçaria, José Carlos Demartini.

A finalidade de usar um espelho como este é basicamente a mesma: vigiar quem freqüenta o local ou, pior, bisbilhotar. Segundo José Carlos, o falso espelho é diferente do comum desde a sua fabricação. "A espessura dele é maior. Enquanto o comum tem cerca de três milímetros de espessura, o de segurança tem seis milímetros", explica ele.

O espelho é feito colocando-se uma camada de prata no vidro, o que faz refletir a imagem. No espelho falso, essa lâmina de prata é diferente, como se fosse mais fina, permitindo a visibilidade do outro lado. "Ele vem com um fundo falso e não tem aquela armação que costumamos ver nos espelhos comuns. Ele é colocado embutido na parede", explica.

Foto de José Carlos Para o caso de instalação de câmeras atrás dos espelhos, José Carlos (foto ao lado) explica que o mais comum é a utilização de um espelho de costas para outro. "Entre os dois, deixamos um espaço de cerca de três centímetros de distância, onde vai ficar a câmera. Cada espelho reflete normalmente a imagem e a câmera tem um visor com alta dimensão que ultrapassa a lâmina de prata. Assim, as imagens são jogadas para a televisão", explica ele.

Outra diferença entre eles é o preço. O metro quadrado do espelho comum custa cerca de R$ 55, enquanto o outro custa R$ 360. Além disso, as vidraçarias costumam fazer o pedido na fábrica quando há encomenda. Segundo José Carlos, em Juiz de Fora não existe nenhum fabricante deste tipo de espelho.

Como identificar

José Carlos diz que não há como identificar um espelho falso. "A pessoa só sabe que ele é falso quando alguém conta isso pra ela", diz. Mas, apesar disso, ouvimos dizer que para fazer essa identificação basta aproximar um objeto pequeno da superfície do espelho. Se ele for refletido na superfície, o espelho seria falso, de duas direções. Mas se existir um espaço entre ele e a imagem refletida, o espelho seria verdadeiro.

O que elas dizem

Foto de Katiany A maioria das mulheres nunca pensou nessa questão ao se vestir em um local que não seja a sua casa, como diz Verônica Moreira. "Isso nunca passou pela minha cabeça. A partir de agora, vou tomar mais cuidado com isso". Sandra Júnia também nunca teve a preocupação de saber se o espelho é falso. "Agora, vou prestar a atenção, mas não acho legal fazer isso com as pessoas, sem avisar". Maria José de Moraes não sabia da existência de um espelho de duas direções. "Eu não sabia disso. O pior é que não podemos fazer nada. Acho que em uma loja, tudo bem, mas em banheiro é um absurdo. Acho que eles deveriam avisar que isso acontece", diz.

Foto de Amaralina Vânia Lúcia da Silva é a favor do falso espelho apenas como medida de segurança e Katiany Alcântara (foto acima) também diz que é necessário colocar aviso. "principalmente para as mulheres, que não podem ver um espelho".

Ao contrário das mulheres acima, Amaralina Rosa (foto ao lado) é mais cuidadosa. "Já pensei na possibilidade de os espelhos de alguns locais públicos serem de duas direções. E continuo olhando, não há o que fazer. Mas só olho, arrumo o cabelo, retoco a maquiagem e não tiro a roupa, por exemplo".

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