Estão sem serviço, vereadores?

Matheus Brum Matheus Brum 25/10/2017

É inacreditável como Juiz de Fora segue os passos do Brasil e só caminha para trás. Nesta terça-feira, 24 de outubro, tivemos mais uma prova concreta deste fato.

Dez vereadores votaram a favor da moção de repúdio ao Colégio de Aplicação João XXIII, Universidade Federal de Juiz de Fora e ao artista drag Femmenino. A ação da ala conservadora da Câmara Municipal foi em retaliação ao protesto organizado pela população civil e movimentos sociais na semana passada, que derrubou, através da luta, duas outras moções.

O mais interessante é ver que o Legislativo juiz-forano está agarrado em uma mesma pauta há 13 dias. O vídeo educativo foi lançado pela TV UFJF no dia 11 de outubro (véspera do Dia das Crianças). Ao longo de todos este tempo, diversas manobras de vereadores como Charlles Evangelista (PP), José Fiorillo (PTC), André Mariano (PSC), Sargento Mello (PTB) e Júlio Obama (PHS) foram feitas, na tentativa de aprovar algo que foi posto abaixo com o poder do povo.

Para isso, usaram de artimanhas eticamente duvidosas, para não enfrentar de novo a população. Para esta terça-feira, fizeram um forte esquema de divulgação, entre membros da cúpula evangélica da cidade, para que tomassem a frente da Câmara, dando apoio a mais um pedido de moção de repúdio. Por sorte, entre 12h e 13h, grupos contrários tiveram acesso ao chamado, conseguindo organizar uma resistência heroica em menos de quatro horas. A tentativa de votação na “calada da noite” foi influenciada pelas manifestações da última semana. Na ocasião, com um dia inteiro para organizar a oposição, os movimentos sociais, junto com a população civil, conseguiram levar um grande número de militantes até o Palácio Barbosa Lima.

O mais estarrecedor é perceber não só que o poder Legislativo da cidade institucionaliza o preconceito, a homofobia e a dificuldade de conseguir dialogar com uma importante parcela da sociedade que apenas quer os seus direitos, mas sim, que várias outras pautas da cidade ficaram paradas durante estes 13 dias.
Por isso, me julgo no direito de cidadão de perguntar: está faltando serviço, vereadores? Porque, para nós, está parecendo. Cadê as discussões que de fato vão contribuir com a nossa cidade?

Quem está à frente de ver as contas do governo? Quem está preocupado com o pedido dos estudantes da região nordeste para a colocação de uma linha exclusiva de ônibus para a universidade? Quem quer saber como anda a violência urbana em JF? Quem está brigando com o executivo pela diminuição da absurda passagem do transporte público urbano municipal? Quem está preocupado com os professores, que não recebem um aumento digno por parte da Prefeitura? Quem está preocupado em criar projetos sociais, para melhorar a situação de vida de vários concidadãos?

Ao que tudo indica, nossa cidade está indo de vento em popa, já que perdemos tempo em debater algo que, na teoria, deveria ser imprescindível em todos nós: o respeito e a tolerância ao próximo. Pior de tudo é saber que estes favoráveis ao repúdio e à intolerância usam o nome de Deus para tal. Onde quer que estejam, Jesus e Deus se lamentam: “Não ensinei meus filhos a serem preconceituosos ”.

Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e, desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Atualmente é redator/editor do site Coluna do Flamengo, repórter esportivo da Rádio Catedral 102,3 FM e colunista da Rádio Muriaé. Já passou pela TV Alterosa, Programa Mosaico e Rádios CBN-JF e Cultura, Santos Dumont.

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