Coreia, berço da arte marcial, é destaque pela hospitalidade e disciplina Treinar e conhecer a cultura coreana foram os objetivos da viagem do Mestre de Taekwondo e Hapkido Fernando Ribeiro

Jorge Júnior
Repórter
28/6/2011
coreia

A vontade de conhecer a Coreia parecia distante para o mestre de Taekwondo Fernando Ribeiro. "Era um sonho que tinha desde criança. Em 2000, quando eu estava na China para disputar o mundial universitário, íamos passar no local, mas os outros atletas já não tinham mais recursos para estender o trajeto, por isso, resolvemos adiar", conta. Em 2010, novamente, o sonho teve que ser transferido, desta vez, por falta de apoio. Mas em 2011, o lutador conseguiu transformar o sonho em realidade. Junto com ele, foram mais seis atletas de São Paulo. Ribeiro foi o único mineiro que representou a cidade de Juiz de Fora nos dez dias de viagem.

Para que o desejo fosse realizado, Ribeiro diz que o apoio dos amigos foi fundamental. "Foi muito difícil poder viajar, mas meus amigos, minha noiva, filhos e o mestre Rodrigo Silva foram peças chaves para essa conquista." Segundo o juiz-forano, Silva foi o intermediador para que tudo acontecesse. "No país, participamos de eventos relacionados ao Taekwondo, atualizamos os treinamentos e conhecemos lugares importantes."

Para o treinador, o destaque do roteiro foi conhecer a cultura e participar de eventos relacionados à arte marcial. A sede mundial do Taekwondo (Kukkiwon), a sede mundial do Hapkido e os templos da cultura budista foram os locais que mais encheram os olhos do mestre. "Foi um marco muito importante. Participamos de jogos, fizemos treinamentos em montanhas, fomos homenageados no solo coreano. O Brasil esteve dentro da sede mundial do Taekwondo", orgulha-se.

Ribeiro conta que, no berço da arte marcial, a equipe foi recebida e tratada com muito carinho pelo grão-mestre e atual diretor técnico da Federação Internacional de Hapkido da Coreia do Sul, Ko Ju Sik e pela sua esposa Samonim. "Fomos muito valorizados pelos coreanos."

Hospitalidade

Segundo Ribeiro, os coreanos são educados e atenciosos. "Aprendi a gostar ainda mais dos coreanos pela forma com que fomos tratados e recebidos nos lugares que frequentamos." De acordo com o mineiro, nos mais diferentes ambientes, a bandeira verde e amarela foi aclamada pela população. "Como os brasileiros são alegres, os coreanos ficavam felizes em nos ver. A nossa felicidade acabava conquistando a população, até mesmo das mulheres, que por causa de costume, disfarçavam o sorriso com as mãos." Para manter as tradições, Ribeiro menciona que o futebol também foi lembrado durante a viagem. "Em uma partida, ganhamos de 4X1 dos coreanos. Depois, eles arrumaram mais um time e acabamos empatando nesse outro jogo."

Adaptações

Mesmo sem falar coreano, a comunicação não foi um empecilho. O mestre conta que Samonim traduzia o que estava sendo falado para o espanhol. "Eles nos deram uma atenção especial, a própria técnica da luta facilitava o entendimento." Quanto à adaptação ao clima, os visitantes não tiveram problemas. "O clima estava bom, de manhã tinha sol e a noite fazia mais frio," esclarece.

O maior obstáculo vivenciado pelo brasileiro foi acostumar com os horários, porque a diferença de fuso é de 12 horas. "Foi algo que dificultou muito, é desgastante. A pessoa tem que se preparar muito." A alimentação também foi algo que Ribeiro teve que se adaptar. "A comida é muito apimentada, mais de 70% da culinária é feita com muita pimenta." O juiz-forano explica que o arroz  também é bem diferente. O prato mais consumido pelos coreanos é o Kimchi (prato feito de couves e de outros ingredientes, como pepinos, rabanetes e alho-francês).

Características do país

Telefones de alta tecnologia, carros de última geração, roupas, calçados e casas coloridas são as características do país. "É um país avançando tecnologicamente. O preço do vestuário também é bem acessível, para quem quiser fazer compras é uma boa opção. As casas e os prédios são todos bem coloridos, sendo o rosa e o verde fluorescente os mais usados. A população coreana dá muito valor às cores, acredito que seja uma questão cultural."

Sobre os habitantes, Ribeiro destacou a disciplina. "São pessoas centradas, disciplinadas. Eles dedicam a vida a uma causa. Eles querem fazer o melhor, sempre", afirma. Outro costume observado pelo juiz-forano foi que a população não entra em casa descalça. "Eles sempre tiram os sapatos quando vão entrar na residência." Para quem quiser conhecer o país, Ribeiro diz que se trata de uma viagem inesquecível.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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