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    Ambientes devem ser adequados conforme a idade do usuário Aceleração do envelhecimento da população faz com que seja necessária mudança nos padrões de construção, a fim de assegurar bem-estar

    Aline Furtado
    Repórter
    5/11/2010

    O ambiente, seja ele interno ou externo, é capaz de interferir diretamente nas sensações, na segurança e no bem-estar. Itens que o compõem, como móveis, estruturas, cores e acessórios, são capazes de agradar ou provocar incômodo, no caso de não haver consonância entre o local e o organismo humano.

    Diante disso, é fundamental desenvolver projetos arquitetônicos de ambientes que permitam acessibilidade. "O termo acessibilidade é comumente usado como referência a pessoas com deficiência, mas deve ser pensado no sentido amplo, ou seja, deve se relacionar ao fato de pessoas se sentirem bem em ambientes que se apresentam de forma funcional", explica a professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), Maria Luisa Trindade Betestti Defino.

    Arquiteta e professora do curso de Gerontologia, ela defende a necessidade de adaptação de espaços, sejam residências ou vias públicas, para garantir a integridade física e emocional, principalmente para os que se encontram na terceira idade. "As residências não são seguras. O que percebemos é que a casa onde as pessoas moram quando jovens não oferece aspectos que garantam segurança necessária com o passar do tempo", afirma.

    Para Maria Luisa, o fato merece observação e mudança de comportamento, visto que a população idosa tem crescido em todo país, com grande incidência, inclusive, de pessoas na faixa dos cem anos. "Somado a este dado, lembramos da teoria que sugere que a degradação orgânica tem início aos 25 anos, ainda que até os 40 anos as pessoas não sintam tanto as perdas provocadas pelo avanço da idade, o que passa a ser mais perceptível depois dos 50 anos."

    A intenção é que os profissionais atentem para a necessidade de o ambiente ser amigável com relação ao envelhecimento. Este seria um dos passos para o bem-estar, já que o tipo de vida também  se configura como fator determinante, o que inclui exercícios físicos e alimentação correta. A ideia é evitar problemas que podem ser ocasionados por dispositivos e estruturas, como quedas, escorregões, entre outros. "Uma das consequências mais sérias de tombos entre idosos, além das físicas, é a depressão. Eles passam a ter medo de cair novamente e, com isso, se fecham."

    A especialista ressalta ser ideal que o ambiente crie formas de estímulos. "Não podemos deixar tudo muito fácil porque o idoso precisa se sentir provocado, estimulado. Isso é importante para seu desenvolvimento."

    Mudanças que garantem segurança e conforto

    O principal aspecto que deve ser considerado diz respeito à redução de obstáculos, a fim de que quedas sejam evitadas. "Barras de apoio nos banheiros não são indicadas apenas para pessoas com deficiência, já que o instrumento auxilia e oferece mais conforto a qualquer pessoa. No caso de idosos, as quedas são comuns porque o reflexo se dá de forma tardia em comparação com os mais jovens."

    O piso não deve ser escorregadio. "O uso de tapetes também pode se tornar um problema, podendo provocar escorregões, tropeços e quedas. Se a peça estiver solta no chão, o risco é ainda maior." A iluminação e a ventilação devem ser pensadas de forma a proporcionar conforto. "A ventilação adequada é imprescindível para pessoas de qualquer idade, entretanto, os idosos merecem atenção especial porque estão mais sujeitos às doenças crônicas."

    Com relação aos móveis, Maria Luisa lembra que a ergonomia deve ser considerada. "As alturas devem ser adequadas e, no caso de cadeiras ou poltronas, é importante que os móveis tenham braços, que servem de apoio principalmente ao levantar." Mesas não devem ser colocadas pelo caminho, já que podem virar obstáculos.

    As torneiras devem conter comando diferente daquele em que é necessário o movimento giratório. "Assim como as torneiras, o ideal é que as maçanetas sejam de alavanca e não de bolinha a ser girada. Isso porque os movimentos ficam prejudicados com o passar do tempo." Outra dica diz respeito às escadas, que devem ser bem direcionadas, contendo corrimão e faixas antiderrapantes nos degraus.

    Cores

    As cores utilizadas na pintura de paredes, tetos e em objetos que compõem os ambientes são capazes de estimular ou tranquilizar as pessoas. "As cores frias têm caráter tranquilizante, já as quentes são estimulantes. Por isso, é importante que cada caso seja analisado de forma isolada. Há doenças que podem resultar em sintomas como irritabilidade ou prostração. Assim, é melhor avaliar a pessoa e não a doença em si", explica a professora.

    Confira algumas dicas

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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