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    Cataguases, Leopoldina e Muriaé querem implementar uma indústria cultural criativa na regiãoIntenção é agrupar as diversas iniciativas de produção cinematográfica e transformar a região em um polo audiovisual, capaz de promover desenvolvimento local

    Clecius Campos
    Repórter
    26/11/2010
    Foto de gravação no Festival Ver e Fazer Filmes

    Cataguases, Leopoldina e Muriaé somam esforços para implementar um polo audiovisual que, futuramente, deverá abrigar uma indústria cultural criativa na região. A intenção é agrupar as diversas iniciativas de produção cinematográfica e formatar uma indústria capaz de promover o desenvolvimento local. O gestor cultural da Fábrica do Futuro — uma incubadora cultural do audiovisual e das novas tecnologias, sediada em Cataguases —, César Piva, explica em que passo está o projeto.

    "Estamos discutindo a implantação dessa indústria, considerando as diversas iniciativas na região. Para isso, estamos fazendo uma pesquisa, em parceria com o Sebrae, que é um estudo do mercado audiovisual. Esse levantamento vai apontar as possibilidades de desenvolvimento de negócios e de geração de emprego nessas cidades. Ainda não temos a dimensão de desenvolvimento que o polo pode fomentar, mas acreditamos que não é pouco." Como parte do estudo, está sendo realizado nesta sexta-feira, 26 de novembro, a última etapa do Seminário Polo Audiovisual, em Cataguases. Nos últimos dias 25 e 24, os encontros foram realizados em Leopoldina e em Muriaé.

    As cidades da região, especialmente Cataguases — possível centro do polo —, já realizam ações, que promovem a cultura como meio de desenvolvimento econômico, articuladas pelas associações, institutos, empresas e prefeituras. Um exemplo é a Fábrica do Futuro que funciona desde 2005 e auxilia a organização do Festival Ver e Fazer Filmes, com exibições e produções nas cidades de Cataguases, Leopoldina, Muriaé e Miraí. A região conta também com o projeto de cinema itinerante Tela Viva, com exibições em oito cidades da região nos últimos três anos, e as atividades do Memorial Humberto Mauro (existente desde 2002) e do Festival Internacional Cineport. "Todas as iniciativas dão projeção à região, que realiza produções para cinema, televisão, internet, rua e celular. Nessas cidades, pelo menos mil pessoas já trabalham exclusivamente com a cultura e têm uma média salarial mais elevada que a indústria nacional, por conta da qualificação."

    O objetivo é aproveitar a experiência já existente e explorar uma indústria que, na visão de Piva, é a que mais cresce no mundo. "Estamos à beira da implantação de uma TV digital, que fará uma revolução no audiovisual brasileiro. A internet já faz essa revolução e é um mercado que só expande. O Brasil é o quarto consumidor mundial de audiovisual. Nossa cultura televisiva direciona cada vez mais para a produção de conteúdo nessa área." Segundo Piva, além do mercado aberto, há poucos centros de criação de mídia audiovisual. "Temos um gargalo na produção. Os centros criadores são pouquíssimos, pois o que há são muitas iniciativas repetidoras. Nossa região não só repete, ela produz e devemos aproveitar."

    Estudos mais avançados vão definir a vocação de cada um dos municípios. A intenção é que cada cidade funcione como um núcleo para atuar nos diversos processos da produção. "Essa divisão vai permitir que as cidades atuem em rede e de maneira cooperativa. A princípio pretendemos trabalhar com Cataguases, Leopoldina e Muriaé, mas o polo pode expandir, de acordo com o desenvolvimento dos trabalhos." O polo será inspirado em iniciativas também executadas em cidades pequenas. "Estamos buscando exemplos em cidades como Paulínia (SP), Barra do Piraí (RJ) e Piraí (RJ), que mostram ser possível executar ações como as que estamos planejando."

    Foto de gravação no Festival Ver e Fazer Filmes Foto de gravação no Festival Ver e Fazer Filmes
    O exemplo de Paulínia

    Paulínia tem pouco mais de 84 mil habitantes, é vizinha do município de Campinas e sede do Polo Cinematográfico de Paulínia. O centro beneficia 19 cidades do entorno, incluindo Campinas, com a realização de eventos diversos ligados à exibição e produção de mídia audiovisual. O diretor do departamento de cinema do polo, Albert Moreira, informa que a produção cinematográfica como meio de desenvolvimento foi pensada como alternativa à produção do petróleo, atividade que movimenta a economia local. "Percebemos que a indústria cinematográfica poderia substituir o petróleo e partimos para essa revolução, de criar uma economia sustentável e que não causasse estragos ambientais. A indústria criativa não acaba e também não polui."

    A atividade foi ficando cada vez mais relevante para a cidade e a região. Desde que implantado, o polo já investiu R$ 150 milhões em infraestrutura e incentiva a produção de pelo menos 20 longa-metragens por ano. "O polo divulga anualmente um edital de incentivo, disponibilizando R$ 25 milhões para 25 produções. Conseguimos manter esses recursos na cidade, pois a seleção envolve o grau de comprometimento que a produção tem na cidade. Os projetos que forem filmados na cidade, usarem mão-de-obra local e contratarem serviços da região, por exemplo, têm mais chances de vencer o edital." Para garantir que o município seja capaz de ofertar os serviços relativos à produção cinematográfica, o polo realiza programas de capacitação profissional.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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