SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar era negociado com pouca alteração frente ao real na manhã desta quarta-feira (21), com investidores evitando fazer grandes apostas antes da divulgação da decisão de política monetária do banco central dos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve).

Na cena doméstica, o foco também recaía sobre a decisão do Banco Central, que será anunciada após o fechamento dos mercados.

Às 9h05 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,06%, a R$ 5,1567 na venda.

Na B3, às 9h05 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,22%, a R$ 5,1695.

Brasil e Estados Unidos anunciam nesta tarde ajustes nas suas respectivas taxas de juros.

Na principal economia do planeta, o Fed deverá realizar uma forte elevação de ao menos 0,75 ponto percentual no custo do crédito, avaliam analistas.

No Brasil predomina a expectativa de que o Banco Central local encerrará o ciclo de elevação da taxa Selic, sem reajuste, mantendo o patamar de 13,75% ao ano. Um grupo minoritário de economistas considera que haverá um último ajuste de 0,25%.

Nesta terça-feira (20), contrastando com o pessimismo global registrado pelos principais mercados de ações do planeta, a Bolsa de Valores brasileira entregou ganhos pelo segundo dia seguido. O índice de referência Ibovespa subiu 0,62%, aos 112.516 pontos. No fechamento do mercado de câmbio doméstico, o dólar comercial à vista recuou 0,21%, cotado a R$ 5,1530.

Analistas dizem que o Brasil é visto neste momento como destino interessante para investidores porque o país dá sinais de êxito quanto à sua política monetária. Enquanto isso, as principais potências econômicas também tentam domar a inflação acelerando juros, mas ainda aparentam não saber claramente o quanto precisarão apertar o crédito até que os preços ao consumidor comecem a cair.

Há consenso no mercado sobre a necessidade de tornar o crédito mais caro para retirar dinheiro de circulação. É a principal medida adotada na tentativa de frear a inflação mundial, um processo que teve início devido a falhas provocadas pela pandemia no abastecimento global de matérias-primas e bens de consumo, problema que se tornou ainda mais grave com a Guerra da Ucrânia elevando o preço da energia e dos alimentos.

Existem receios, porém, de que o custo desse aperto monetário será uma grave desaceleração da atividade econômica em escala mundial.

Entre os efeitos de uma recessão estão a ausência de crescimento das empresas, aumento consistente do desemprego e queda exagerada do consumo.

Sem perspectiva de crescimento das empresas, investidores tendem a abandonar os mercados de ações para buscar ganhos na renda fixa. A mais segura delas é a americana, onde os títulos soberanos dos Estados Unidos ficam cada vez mais vantajosos.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos, referência para esse mercado, alcançou nesta terça o maior patamar em uma década, reportou o The Wall Street Journal. É o efeito da expectativa de alta dos juros do Fed.

O movimento de dólares em direção à renda fixa americana também torna a moeda escassa em outros países. O dólar ficou mais caro neste ano na comparação média com as principais moedas.

Diferente do que ocorre com boa parte das moedas, o real ganhou valor frente ao dólar neste ano. A explicação mais comum para isso é o chamado juro real, que é a diferença entre a expectativa de inflação futura e a taxa Selic. Essa relação torna a renda fixa brasileira interessante conforme a inflação recua e a taxa básica de juros permanece elevada.

Outros motivos também tornam o Brasil atraente para investidores neste momento. Um deles é a existência de empresas sólidas com ações baratas na Bolsa de Valores. Especialistas ainda citam que há no mercado do Brasil empresas com grande potencial de serem beneficiadas pela inflação do petróleo e dos alimentos, pois exportam essas mercadorias.