SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O deputado federal João Roma (PL), que foi ministro da Cidadania durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), defende que o Bolsa Família no valor de R$ 600 deve ficar fora do teto de gastos por tempo indeterminado.

"Essa é a tese que eu defendo. Assim como nós fizemos na medida provisória que eu relatei no plenário da Câmara dos Deputados, que tornou o mínimo de R$ 400 permanente para o Auxílio Brasil, da mesma maneira deve se aplicar ao valor de R$ 600", afirmou João Roma ao UOL Entrevista.

Roma não soube dizer se toda base do atual governo concorda com essa tese. Mas indicou que é um tema consensual.

"Nós precisamos conversar com toda base. Estou falando a minha opinião. Sobre esse ponto dos R$ 600 do Auxílio Brasil, isso é bem consensual. O Bolsonaro falou sobre isso durante o período eleitoral. Isso é um dos pontos que gera consenso em relação à hipotética PEC da Transição. Mas quem fala pela bancada na Câmara dos Deputados é nosso líder", explicou o ex-ministro.

João Roma criticou o PT por tentar apresentar propostas que vão além desses R$ 600. "O que pega mais no momento é querer trazer novos elementos e começar a conversa com assunto de R$ 200 bilhões por tempo indeterminado e não deixar isso de forma explícita para o mercado. Quanto mais transparência, mais o mercado fica calmo", sugeriu ele.

Roma: 'Bolsonaro está buscando reagrupar os grupos políticos'João Roma foi questionado sobre o silêncio de Bolsonaro nas últimas semanas. Ele afirmou que o presidente foi afetado por problemas de saúde, mas sai "grandioso" das eleições, segundo ele.

"O presidente está buscando reagrupar os grupos políticos e está agindo de forma cautelosa. Ele teve questões de saúde que afetam o dia a dia, mas ele sai grandioso do processo. É um líder político e mantém brasileiros engajados", opinou o ex-ministro de Bolsonaro.

'O QUE REVOLTA OS BRASILEIROS É O ATIVISMO JUDICIAL?

Perguntado sobre protestos bolsonaristas, que bloqueiam rodovias e pedem intervenção militar, João Roma disse que não é favorável a essa pauta. "Eu defendo o direito de cada um se manifestar. Mas minha solicitação não é intervenção militar".

No entanto, Roma fez críticas ao Poder Judiciário. "A questão que deixa brasileiros com sentimento de revolta é o ativismo judicial se refletindo no processo eleitoral. O Judiciário tem dificuldade de trazer transparência. Estão invertendo valores".