BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (23) que o plano para criação de uma moeda comum entre Brasil e Argentina está avançando e não tem relação com a ideia de uma divisa única defendida pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes.

"Meu antecessor defendia uma moeda única, não é disso que estamos falando, não se trata da ideia de Paulo Guedes, se trata de avançarmos nos instrumentos previstos e que não funcionaram a contento", disse, em evento durante viagem a Buenos Aires, na Argentina.

Em agosto de 2021, Guedes afirmou que uma moeda única para o Mercosul possibilitaria uma integração maior e uma área de livre comércio, e criaria uma divisa que poderia ser uma das "cinco ou seis moedas relevantes no mundo".

Em entrevista a jornalistas, Haddad e Sergio Massa, ministro da Economia da Argentina, afirmaram que os dois países avançaram na ideia da moeda comum, que seria usada em negociações comerciais entre os países -diferente de uma moeda única que substituísse o real e o peso.

O ministro reforçou que o valor de cada moeda não está em risco com o plano.

"Tínhamos uma série de mecanismos que deixaram de funcionar. Agora, estamos criando uma forma de atender às demandas, um meio de pagamento comum entre os dois países, que não dependa da situação cambiária de cada país", disse Haddad.

Ele citou como exemplos que não funcionaram bem a possibilidade de pagamento em moeda local pelos dois países e o CCR (Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos), mecanismo de compensação entre bancos centrais.

O argentino Massa afirmou que o projeto de moeda comum pode levar outros países da região a estudarem a possibilidade de um avanço no mercado que não afete as moedas locais, mas que facilite o intercâmbio e o comércio, e defendeu que as assimetrias econômicas dos países sejam respeitadas.

"O Uruguai é um irmão menor, Brasil e Argentina têm a responsabilidade de atuar como irmãos maiores no Mercosul", disse Massa.

Nesta segunda, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, também explicou que a ideia de criar uma moeda comum para transações entre Brasil e Argentina nada tem a ver com uma substituição das moedas nacionais.

"É justamente pela baixa conversibilidade do peso, e porque a gente entende que é difícil aceitar o peso no comércio internacional hoje, que está se pensando em outra forma de unidade de conta e de meio de pagamento", afirmou em entrevista à GloboNews.

Galípolo enfatizou que o objetivo da iniciativa não é superar o dólar como moeda internacional, ponderando que "parece fazer pouco sentido" ter o comércio da região constrangido em função da política monetária norte-americana.

Haddad também disse que a integração de países da América Latina deveria ser "um pouco mais radical", mencionando que o "Mercosul foi uma grande iniciativa, mas penso que chegou o momento de ser mais ambicioso".

O ministro afirmou, porém, que não é a favor de uma integração monetária entre os países e que a criação de uma moeda única não é viável.