SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS0 - O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Josué Gomes, comandou nesta segunda-feira (23) sua primeira reunião desde que a oposição à sua gestão votou por sua destituição. No encontro, garantiu que os sindicatos terão mais espaço nos conselhos superiores e departamentos da entidade e acenou para a possibilidade de buscar uma conciliação.

No encontro, o dirigente não falou sobre a assembleia extraordinária, tampouco sobre a divulgação pela oposição, na sexta (20), de que Elias Miguel Haddad, o mais velho entre os 21 vice-presidentes da Fiesp, com 95 anos, teria tomado posse interinamente.

Josué Gomes, que até então vinha se mantendo discreto sobre a rebelião interna da federação, reagiu com uma nota pública na qual chamou a assembleia que votou por sua destituição de clandestina.

O tom da conversa nesta segunda foi de tentativa de acalmar os ânimos, dizem dirigentes. A reunião foi convocada para tratar de um comitê de governança. A ideia de criar um grupo de trabalho para discutir melhorias na relação entre a Fiesp e os sindicatos foi apresentada durante assembleia geral extraordinária realizada pela entidade no dia 16.

O convite para o encontro foi enviado a todos mais de cem sindicatos filiados à Fiesp. Quem participou estimou a participação de cerca de 50 dirigentes de aproximadamente 30 entidades.

"Foi uma reunião muito tranquila, no sentido de dizer o que temos que fazer para voltar a ter um grande entendimento na casa. Erros foram cometidos, todos nós sabemos que teve e todos temos queixas a fazer, mas isso não significa que seja para tomar uma atitude tão irreversível quanto destituir um presidente", disse Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

A composição dos departamentos e conselhos superiores é um dos pontos de descontentamento da oposição com a gestão de Josué. Na avaliação de Barbato, aumentar a presença de profissionais indicados pelos sindicatos nessas instâncias pode dar maior equilíbrio ao trabalho executado.

O problema, afirmou, não eram as pessoas que estavam nos departamentos ou conselhos, mas o fato de serem, a maioria, alheias à indústria. Durante a reunião, segundo Barbato, foi feita a sugestão de que Josué converse com Paulo Skaf, ex-presidente que ficou no comando da entidade por 17 anos.

Skaf é apontado como um incentivador da rebelião dos sindicatos contra Josué Gomes. Aliados dele dizem que ele foi procurado por sindicalistas insatisfeitos quando o relacionamento com o novo presidente já tinha desandado. O ex-presidente da Fiesp foi procurado, mas não respondeu.

Para Paulo Camillo Pena, do Snic (Sindicato Nacional da Industria do Cimento), a busca por convergência guiou as discussões desta segunda. "A conversa ali era a de se buscar maneiras de trazer os temas importantes de discussão e poder contar com a participação também desse grupo que tem se colocado na oposição", disse.

"O Josué se colocou como a pessoa que vai procurar efetivamente esse pessoal para buscar convergência nesse debate." A melhoria na governança, tema original da reunião, ainda deve voltar a ser discutida em novo encontro em 15 ou 20 dias.

Antes disso, na próxima segunda, a diretoria da Fiesp receberá o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Desde a assembleia realizada no dia 16, a Fiesp vive uma espécie de guerra de versões sobre a presidência. A votação da destituição ocorreu quando pelo menos 30 delegados já tinham deixado o prédio da Fiesp.

Para os sindicatos que votaram pela destituição do atual presidente, Josué Gomes não comanda mais a entidade desde a sexta-feira, quando Elias Miguel Haddad comunicou sindicatos e funcionários que havia tomado posse interinamente.

Durante o fim de semana, a Fiesp divulgou cartas de apoio a Josué enviadas por integrantes de conselhos superiores, como os de estudos jurídicos, economia criativa e infraestrutura. Nesta segunda, foi a vez da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que em carta assinada por Robson Andrade, presidente da entidade, afirmou "apoio irrestrito e incondicional à permanência do empresário Josué Gomes da Silva" na Fiesp.

Dirigentes ligados à oposição a Josué relatavam nesta segunda estar em "compasso de espera" e já falavam da possibilidade de uma conciliação. O aceno da bandeira branca, porém, precisaria partir de Josué, dizem.