SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o patamar atual da taxa básica de juros, a Selic, durante evento na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) nesta quinta (25). O petista ainda atacou as reações do mercado financeiro às suas falas sobre juros e o Banco Central.

"Neste país em que o mercado financeiro tomou conta no lugar da indústria, um presidente da República não pode nem criticar o presidente do Banco Central que ele está influenciando na economia", disse Lula.

"Eu quero dizer aqui dentro da Fiesp: é uma excrescência, nos dias de hoje, a taxa de juros ser 13,75%", completou.

Lula falou dos danos da taxa de juros para o mercado de crédito no Brasil, e afirmou que, para os pequenos empresários tomarem empréstimo atualmente, é como que "assinar um atestado de óbito".

O presidente ainda reafirmou o papel dos bancos públicos em períodos de crise para injetar dinheiro e "salvar a economia".

Segundo Lula, durante a crise financeira de 2008, enquanto países desenvolvidos afundaram em uma recessão, o Brasil estava gerando emprego graças ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

No mesmo evento, o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), também aproveitou para reclamar da taxa de juros. "O câmbio está bom, o juros têm que cair. Estava lembrando agora à tarde que em 2020 a inflação era maior do que hoje e a taxa Selic era 2%."

Ele ressaltou que o atual patamar dos juros prejudica a atividade econômica e disse que a aprovação do novo arcabouço fiscal abre espaço para uma melhora no cenário.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o sistema tributário brasileiro, da forma como está desenhado hoje, é o grande vilão e culpado pelo baixo crescimento.

"Durante oito anos [nos mandatos anteriores de Lula], crescemos a uma média de 4,2% ante 2,5% da média mundial. Se perseverarmos e não deixarmos que as disputas menores corroam a nossa capacidade de diálogo e entrega, com os Poderes harmonizados e a Fazenda harmonizada com o Banco Central, vamos experimentar um ciclo de crescimento muito virtuoso no Brasil."

ACENO AO AGRONEGÓCIO

O presidente aproveitou sua fala no evento para acenar ao agronegócio, setor que tem feito críticas à reforma tributária defendida pelo governo. Lula afirmou que o Brasil precisa continuar exportando cada vez mais grãos e carne.

"É importante saber que a gente quer que a indústria brasileira cresça, mas a gente quer também que a nossa exportação de commodities continue crescendo. A gente quer que o nosso agronegócio continue crescendo. E isso não atrapalha a indústria", reforçou

O presidente ponderou que os dois setores podem crescer juntos. "Até porque, para o agronegócio ser mais produtivo, terá que comprar mais máquinas", afirmou.

Lula criticou o desprezo de alguns em relação ao agronegócio, argumentando que por trás da produção agrícola e pecuária há muito investimento.

Ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Lula pediu que o Congresso acelere as votações de reformas e outras matérias econômicas para que todos os setores consigam se desenvolver no país. "Nós precisamos de tudo. Pacheco, apresse as votações porque o trem está apitando".

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