SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Banco do Brasil teve um lucro líquido ajustado (sem contar itens extraordinários) de R$ 35,56 bilhões em 2023, divulgou o banco nesta quinta-feira (8). Segundo a instituição, esse é o melhor resultado, em termos nominais (sem considerar a inflação), de sua história.

O número é 11,4% maior que o registrado um ano antes (R$ 32 bilhões) e se aproxima das expectativas do mercado. Analistas consultados pela Bloomberg previam um lucro de R$ 35,22 bilhões.

Em termos contábeis, considerando despesas fora do habitual, o lucro foi de R$ 33,8 bilhões, alta anual de 8,7% maior que o registrado um ano antes (R$ 31,1 bilhões).

Apenas no quarto trimestre, o lucro ajustado foi de R$ 9,44 bilhões, um crescimento de 7,5% em relação aos três meses anteriores.

O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, que mede a rentabilidade da operação) do BB melhorou de 21,1% para 21,6%, de um ano para outro, mesmo com aumento na inadimplência e nas despesas.

O crescimento no lucro foi impulsionado pela alta de 27,4% na margem financeira bruta, com maiores volumes e taxas nos empréstimos e receitas de juros dos títulos em tesouraria.

Já a alta nas despesas é fruto da contratação de profissionais de tecnologia e de investimentos em TI.

Na contramão do setor, o banco terminou 2023 com mais funcionários (saldo positivo de 267) e agências (saldo positivo de 9) que no ano anterior, o que levou as despesas a subirem 7,5%, acima da inflação.

Em relação à inadimplência, o índice em contas com mais de 90 dias de atraso, que era de 2,51% ao fim de 2022, subiu para 2,92% em dezembro passado, em um aumento constante a cada trimestre, enquanto a média do sistema financeiro nacional foi de 3,30% ao fim de 2023.

Sem a Americanas, aponta o BB, o índice de inadimplência ao fim do ano passado seria de 2,75%.

A carteira de crédito do banco foi de R$ 1 trilhão em 2022 para R$ 1,11 trilhão em 2023, um crescimento de 10,3%. A alta nos empréstimos foi puxada pelo pilar do banco, o crédito ao agronegócio, que cresceu 14,7% na comparação anual, para R$ 355 bilhões.

Já os empréstimos para pessoa física cresceram 8,1% em 12 meses, para R$ 313 bilhões, influenciada, principalmente, pela alta de 9,8% no desempenho do crédito consignado.

A maior carteira do banco segue sendo a voltada a pessoas jurídicas, que cresceu 9% em 12 meses, com destaque para os desempenhos das operações de capital de giro (7,6%) e de de investimento (20,7%), totalizando R$ 391 bilhões.

A provisão contra créditos duvidosos saltou 82,3%, para R$ 30,5 bilhões no ano passado, incluindo todo o valor devido pela Americanas. Segundo o BB, nos últimos meses de 2023 houve outros agravamentos de risco de crédito no segmento empresas, que demandaram aumento na proteção contra possíveis calotes.

Após a divulgação do balanço, o Banco do Brasil anunciou a distribuição de R$ 630 milhões em dividendos e R$ 1,751 bilhão de JCP (Juros sobre Capital Próprio), relativos ao lucro do quarto trimestre de 2023.

Ao todo, serão R$ 0,83 em proventos pagos até 29 de fevereiro, com base nos acionistas da companhia no dia 21 deste mês. O valor será atualizado pela taxa Selic.

O maior acionista do banco é a União, com 50% dos papéis, e deve receber R$ 1,19 bilhão.

RAIO-X | BANCO DO BRASIL

Fundação: 1808

Lucro em 2023: R$ 35,56 bilhões

Agências: 3.992

Funcionários: 86.220

Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal


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