SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar terminou o pregão desta sexta-feira (9), pré-Carnaval, em queda de 0,68%, a R$ 4,9606. Na semana, a divisa registrou queda de 0,13%. Em fevereiro, acumula ganho de 0,43%.

Na véspera, a moeda americana se aproximou dos R$ 5 com uma inflação maior do que a esperada em janeiro e um mercado de trabalho americano mais forte do que o previsto.

O Ibovespa, por sua vez, fechou em leve queda de 0,14%, a 128.026 pontos, segundo dados da CMA. Na semana, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira acumulou alta de 0,66%.

"Os investidores estão cautelosos devido ao feriado de Carnaval, optando por evitar riscos, o que resulta em um fluxo vendedor predominante", afirma Lucas Almeida, sócio da AVG Capital.

Na agenda econômica doméstica, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que o volume de serviços no Brasil cresceu menos do que o esperado em dezembro (0,3% ante o mês anterior) mas ainda fechou 2023 com ganhos pelo terceiro ano seguido.

[O crescimento de serviços] parece um bom sinal com relação a recuperação econômica aqui no Brasil", diz Almeida.

Investidores também operaram sob as expectativas de corte de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A manutenção de juros altos lá fora, enquanto a Selic cai por aqui, tende a fortalecer o dólar ante o real.

Na manhã desta sexta, o Departamento do Trabalho dos EUA anunciou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) aumentou 0,2% em dezembro, em vez de 0,3%, conforme informado no mês passado, de acordo com as revisões anuais dos dados de inflação. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice de preços ao consumidor avançou 0,3% em dezembro, sem revisão.

Em Wall Street, a reação foi mista. Impulsionado pelas altas das ações de Amazon, Microsoft e Nvidia, que apresentaram bons balanços referentes a 2023, o S&P 500 subiu 0,57% e atingiu um novo recorde nominal de pontuação, a 5.027 pontos.

Já o Dow Jones cedeu 0,14%, enquanto o Nasdaq subiu 1,25%.

Na quinta (8), o dólar fechou em em alta de 0,53%, a R$ 4,9945, repercutindo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro. A inflação oficial do Brasil desacelerou para 0,42% após marcar 0,56% em dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã.

A expectativa de analistas consultados pela agência Bloomberg era de uma variação menor, de 0,34%, no primeiro mês deste ano.

"Apesar do índice cheio e núcleos no acumulado de 12 meses continuarem arrefecendo, a média dos núcleos anualizada e dessazonalizado voltou a subir, e isso causou estresse nos ativos de risco, provocando uma queda no Ibovespa", afirma Andre Fernandes, diretor de renda variável e sócio da A7 Capital.

Segundo o analista, o temor de investidores é que a alta nos preços de parte dos serviços subjacentes pode levar a um IPCA maior que o esperado nos próximos meses.

"De forma geral, a inflação segue controlada, mas há alguns sinais de alerta; a composição do IPCA teve uma leve piora qualitativa", disse Gustavo Sung , economista-chefe da Suno Research. "Para a política monetária, esse dado não deve alterar o plano de voo já anunciado pelo Banco Central, de cortes de 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões."

O IPCA de janeiro reforça a perspectiva de manutenção do ritmo de afrouxamento monetário pelo BC, sem espaço para aceleração dos cortes, o que pode jogar a favor do real, uma vez que, desta forma, a Selic permanecerá em nível restritivo por um bom tempo.

Juros altos no Brasil restringem o desempenho do mercado de renda variável, pesando sob o custo de dívida e de crédito das empresas e atraindo o investidor para a renda fixa.

Outro ponto de atenção dos investidores é a posição do Fed (banco central dos EUA) quanto ao início do ciclo de cortes nos juros americanos.

Na quinta, o governo americano divulgou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego estaduais caíram em 9 mil na semana encerrada em 3 de fevereiro, para 218 mil em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 220 mil pedidos para a última semana.

Um mercado de trabalho mais forte reforça a atual estratégia do Fed, de adiar o início dos cortes de juros nos EUA. Mais pessoas empregadas pode significar um aumento na renda, o que leva os preços a subirem. Além disso, demonstra a força da economia americana mesmo com juros altos.

Recentemente, após sinais mais cautelosos dos membros do Fed, incluindo do presidente Jerome Powell, e dados de emprego americanos mais fortes do que o esperado, o mercado reduziu a aposta de que o início do afrouxamento monetário seria em março. Isso por sua vez, tem fortalecido o dólar globalmente, já que quanto maiores os juros, mais rentável é a moeda do país.


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