RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Maior cooperativa de cafeicultores do país, a Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores) anunciou nesta quarta-feira (27) a distribuição de R$ 101,4 milhões aos seus cooperados em Minas Gerais e São Paulo, referentes às sobras do ano passado.

O valor foi anunciado na assembleia-geral ordinária da cooperativa, em Guaxupé (MG), e representa um crescimento de 81,07% em valores nominais em relação aos R$ 56 milhões anunciados no ano passado (ou 73,27%, se comparado ao valor corrigido pela inflação, de R$ 58,52 milhões).

O faturamento da Cooxupé no ano passado, porém, foi de R$ 6,4 bilhões, abaixo dos R$ 10,1 bilhões obtidos no ano anterior.

Com 19 mil cooperados, dos quais 96,7% são considerados mini e pequenos produtores, a Cooxupé recebeu no ano passado 6,5 milhões de sacas de café arábica, das quais 5,3 milhões dos cooperados de três regiões mineiras (sul, matas de Minas e cerrado mineiro) e uma paulista (média mogiana).

Do total de sacas (de 60 kg cada), 3,6 milhões foram destinadas às exportações para 50 países, principalmente Estados Unidos, Alemanha, Bélgica e China.

"Apesar da queda do faturamento, a distribuição de sobras foi maior. É uma questão de mercado. Tem ainda a questão da bianualidade [produz mais num ano e menos no outro], apesar de nos últimos anos não estar com grande disparidade, mas existe a questão de compra e venda lá fora", disse o presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo.

Vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho disse que o faturamento se explica também com o preço da saca. "Tivemos café de R$ 1.500 [no ano anterior], hoje é R$ 1.000, e tem a relação também de venda de cooperados e embarques."

Na semana passada, durante a Femagri (Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas), Melo afirmou que a expectativa para a próxima safra é receber 7 milhões de sacas de café, das quais 5,6 milhões provenientes de cooperados e 1,4 milhão de terceiros.

O aumento é previsto por causa da entrada de novos cooperados e ampliação da produção dos já existentes.

A feira, organizada pela cooperativa, reuniu em três dias, em sua 23ª edição, 34.700 visitantes. Foram feitos mais de 10 mil orçamentos para a aquisição de maquinários e insumos.

As negociações via barter, em que o cafeicultor utiliza seu café como moeda para o pagamento, predominaram.

Conforme o presidente, apesar da distribuição maior de sobras aos cooperados, o ano foi de dificuldades no setor de embarques de café, sobretudo os destinados a outros países, devido a problemas com os fretes marítimos, que fizeram com que clientes postergassem vendas.

PREÇO BOM

O atual patamar de preços é visto como "convidativo" para o produtor rural, que em cerca de 30 dias deve iniciar a colheita do tipo arábica. "O café de US$ 200 o cooperado sabe que é um preço que paga a conta", disse Bachião Filho.

Os pequenos produtores representaram 59,7% do recebimento de café da cooperativa no ano passado. Os cooperados recebem de acordo com a sua participação e fidelidade com a Cooxupé.

Também nesta quarta-feira, a Cocapec, com sede em Franca (a 400 km de São Paulo), anunciou a liberação de R$ 13 milhões aos seus cooperados, em assembleia-geral na matriz da cooperativa.

O faturamento do ano passado da cooperativa foi de cerca de R$ 1 bilhão, impulsionado pelo crescimento de 17% nas exportações de café.


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