SANTOS, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os gestos nazistas e cânticos racistas da torcida do Atlético de Madrid dirigidos ao brasileiro Vinicius Júnior, do Real Madrid, não causam tanta surpresa a partir do momento em que se é conhecida a origem destes atos. Ele partiram dos 'ultras' (torcedores violentos) de uma organizada chamada Frente Atlético, famosa por diversas manifestações racistas e nazistas pela Europa e protagonista de vários episódios de violência desde a sua fundação, em 1982.

No último domingo (18), dia de clássico entre Atlético e Real Madrid pelo Campeonato Espanhol, torcedores do Atlético que cantavam e bebiam nos arredores do estádio Cívicas Metropolitano usaram um cântico racista para ofender Vinicius Junior ?o jovem brasileiro foi alvo de um comentário racista de um empresário em um programa da TV espanhola.

Não bastassem os cânticos racistas, torcedores que pertencem aos ultras do Atlético foram flagrados fazendo a saudação nazista em direção a Vinicius Júnior e Rodrygo enquanto eles comemoravam o primeiro gol da vitória por 2 a 1 do Real Madrid.

São inúmeros, porém, os episódios nazistas e racistas que a torcida em questão acumula ao longo de sua história. Mais recentemente, em abril deste ano, o jornal espanhol Marca divulgou um vídeo no qual torcedores do Atlético foram flagrados fazendo saudações nazistas no jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões contra o Manchester City. O clube foi punido pela Uefa com a perda de 5 mil ingressos para o jogo de volta, em Madri.

O Atlético inclusive se 'acostumou' a ser punido pela Uefa por conta do comportamento da torcida organizada com manifestações racistas e violência em dias de jogos. Um caso mais famoso foi sofrido pelo brasileiro Roberto Carlos, em 2005. Então no Real Madrid, o brasileiro ouviu gritos de "olé, olé, olé, Roberto Carlos é um chimpanzé" de membros da Frente Atlético.

BRIGA SEGUIDA DE MORTE

Em 2014, uma briga entre 180 torcedores de Atlético de Madrid e Deportivo La Coruña antes de um jogo entre as equipes no Vicente Calderón, antigo estádio do Atlético, resultou na morte de um homem de 43 anos, torcedor do La Coruña. Segundo a polícia, o embate reuniu integrantes das organizadas dos dois times: Frente Atlético e los Riazor Blues.

O torcedor sofreu traumatismo cranio-encefálico e parada cardiorrespiratória por conta dos golpes recebidos e ainda chegou a ser atirado em um rio ao lado do estádio. O hospital ao qual ele foi encaminhado identificou também um quadro de hipotermia.

Após o incidente, o Atlético de Madrid chegou a excluir torcedores identificados na briga. Porém, de acordo com a imprensa espanhola, aficionados da Frente Atlético seguem com acesso ao estádio nos dias de hoje e têm até um bom relacionamento com a diretoria, que, por motivos não revelados, ainda não repetiu algumas grandes equipes europeias que conseguirem excluir definitivamente os ultras de seus estádios.

MAIS VIOLÊNCIA

Em outro episódio entre os inúmeros creditados à Frente Atlético, torcedores 'ultras' do clube madrilenho teriam atacado aficionados do Manchester United que estavam em um bar na capital espanhola antes do jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da temporada passada.

COMO COMEÇOU A POLÊMICA COM VINI JR.

Vinicius Junior foi o centro das atenções do clássico desde o início da semana. Tudo começou com um comentário do espanhol Koke, que disse que poderia haver problema se Vini dançasse na casa do Atlético. O assunto então foi parar na TV espanhola e o empresário Pedro Bravo fez um comentário racista.

A partir daí, o brasileiro se posicionou reafirmando sua vontade e seu direito de dançar e recebeu apoio em peso de várias personalidades no futebol. Depois de gravar um video avisando que seguiria dançando, Vini cumpriu a promessa dentro de campo e não deixou de bailar quando Rodrygo abriu o placar ?justamente o momento em que as saudações nazistas foram flagradas pelas câmeras.

Conforme o jornalista espanhol Iñaki Ângulo publicou em seu canal no YouTube, Vinicius Júnior foi inclusive intimidado pela equipe do programa da televisão espanhola 'El Chiringuito' para não publicar o vídeo.