SÃO PAULO, SP (UOL - FOLHAPRESS) - Na primeira vez que um país árabe organiza a Copa do Mundo, as seleções dessa região protagonizaram, até aqui, as três grandes surpresas da competição. Com uma vitória sobre a favorita Argentina e empates com as baladas Dinamarca e Croácia, os árabes estão tendo, até aqui, aquele que é de longe o melhor desempenho deles em uma primeira rodada de Mundial.

Isso apesar de o próprio dono da casa, o Qatar, ter estreado com derrota para o Equador por 2 a 0, no jogo de estreia do Mundial. Mas ali já ficou claro o que viria ser uma tônica desta edição do torneio: o pan-arabismo presente nas arquibancadas. Independente da nacionalidade, os árabes se uniram pela torcida por seleções desses países.

A união de forças tem ajudado as equipes dentro de campo. A primeira a mostrar isso foi a Arábia Saudita, que conseguiu uma virada incrível e surpreendente sobre a Argentina, que entrou em campo para atingir o recorde mundial de maior sequência invicta de uma seleção masculina de futebol. A vitória saudita, na terça-feira (22), por 2 a 1 pode ser classificada como a maior zebra da história das Copas.

Também na terça, a Tunísia jogou de igual para igual contra a Dinamarca, apontada como candidata a ser a surpresa da Copa, e segurou o empate em 0 a 0, fechando o jogo com o mesmo número de chutes a gol do que os europeus. Isso se repetiu nesta quarta (23), quando o Marrocos, empurrado por uma barulhenta torcida no Al Bayt Stadium, empatou também sem gols com a Croácia, atual vice-campeã.

Os três resultados são incomuns para os países árabes em Copas do Mundo. No século, o retrospecto dos árabes em primeira rodada de Copa apontava oito derrotas, algumas delas acachapantes (como o 8 a 0 levado pela Arábia Saudita diante da Alemanha em 2002) e pontos conquistados em apenas um confronto direto, entre sauditas e tunisianos, terminado empatado, em 2006.

Desde 1982, quando a Argélia venceu a Alemanha Ocidental, também em uma zebra histórica, um time árabe não saia vitorioso em sua estreia em Copas do Mundo. Toda a história dos Mundiais, aliás, mostrava só um outro triunfo em primeira rodada: da Tunísia, sobre o México, em 1978.

Contando cinco participações da Tunísia, da Arábia Saudita e de Marrocos, três do Egito, duas da Argélia, e uma de Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos até o início desta Copa, foram duas vitórias, seis empates (um deles entre si) e 15 derrotas dos árabes em estreias de Mundiais.

O bom início de Copa dos árabes agora permite a eles sonharem com outros feitos raros: mais vitórias na fase de grupos e classificação para o mata-mata. Em toda a história dos Mundiais, esse grupo de países só tinha dez vitórias, a maioria obtida pelos países árabes africanos (três da Argélia, duas de Marrocos e duas da Tunísia).

Além disso, só estas seleções só passaram de fase três vezes: em 1994, quando a Arábia Saudita venceu Marrocos e Bélgica e perdeu da Suécia nas oitavas; em 1986, quando o Marrocos venceu Portugal, empatou com Polônia e Inglaterra, e avançou para cair diante da Alemanha Ocidental; e em 2014, na campanha da Argélia que teve vitória sobre a Coreia do Sul e empate com a Rússia. Nas oitavas, os argelinos caíram diante da Alemanha.

Único árabe a perder na primeira rodada, o Qatar volta a campo contra Senegal, nesta sexta (25), às 10h (de Brasília). No sábado (26), a Tunísia entra em campo às 7h contra a Austrália, e a Arábia Saudita joga às 10h diante da Polônia. Já o Marrocos enfrenta a Bélgica, no domingo, às 10h.