PETRÓPOLIS, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Sabrina Oliveira aprendeu o que era mountain bike em um orfanato de São Paulo. Viveu toda a adolescência lá e saiu uma atleta. Aos 20 anos, agora é uma aposta do ciclismo brasileiro.

Sasa é a mais velha de cinco irmãos. A mãe não tinha condições financeiras de criá-los, então todos foram para o Lar Nossa Senhora Aparecida, em Parelheiros, zona sul de São Paulo.

O Lar foi criado pelos pais do ciclista Luiz Henrique Cocuzzi, que disputou os Jogos de Tóquio-2020, e estimula crianças e adolescentes por meio do mountain bike. Sabrina chegou aos 10 anos e saiu aos 18.

"Sendo criança, a gente não vê pelo lado difícil, só quer brincar. Mesmo quando eu estava com a minha mãe, com as dificuldades de às vezes não saber o que vai tomar de café da manhã, a gente não pensava muito nisso. Só queria comer alguma coisa e brincar. Agora vendo, foi difícil. Na época, não era", afirma Sabrina.

"Quando eu fui para lá e vi um monte de criança, foi a festa da uva. A gente tinha sempre o que comer, sempre as bicicletas para brincar. Mesmo falando por fora que era difícil, foi uma maravilha para mim."

Ela voltou a morar com a mãe depois que deixou o Lar, mas não tinha bicicleta nem dinheiro para comprar uma de alto rendimento. Acabou pegando uma bike emprestada do namorado, o também ciclista Edmilson Arquelino, e foi vice-campeã brasileira sub-23 em 2020. Foi vista por olheiros e em 2023 vai para mais uma temporada pela equipe Caloi/Henrique Avancini Racing.

Sabrina é a atual campeã brasileira sub-23 na categoria Cross Country Olímpico e competiu o Pan-Americano na Argentina no ano passado. Em 2023, vive a expectativa de disputar sua primeira prova na Europa, fruto de uma vida em cima da bicicleta.

"Quando atingi a maioridade, vi realmente que esse negócio de esporte era o que eu queria, dava certo, é uma filosofia diferente. Eu sempre vivi em cima da bike", disse Sabrina.

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O repórter viajou a convite dos parceiros do ciclista Henrique Avancini,