SÃO PAULO, SP (UOL-FOLHAPRESS) - Um mesmo bairro de São Paulo poderá ter dois ginásios públicos do mesmo tamanho. Enquanto o governo do Estado não decide o que vai fazer com o Ibirapuera, a prefeitura dá os primeiros passos para erguer uma arena na avenida Ibirapuera, a três quilômetros dali.

O projeto é incipiente, mas já foi dado como certo pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). No velório de Pelé, ele anunciou não só a obra "ainda este ano" como que a arena vai se chamar "Rei Pelé'. Até a capacidade já foi anunciada: 12 mil pessoas.

Apesar disso, a prefeitura ainda não sabe sequer se o local escolhido, o Parque das Bicicletas, comporta um espaço do tipo. Em novembro, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana pediu à SPObras uma proposta para prestação de serviço de consultoria para fazer uma licitação para, aí sim, contratar quem elabore um projeto básico e executivo, faça sondagem do solo e topografia. Ainda não teve resposta.

A arena ficaria no mesmo terreno da sede da Secretaria Municipal de Esporte. Ali também fica o Centro Olímpico, o "clube" municipal onde treinam as equipes de alto rendimento da prefeitura, com a melhor pista de atletismo da cidade, várias quadras poliesportivas, piscina olímpica coberta e um centro de treinamento de ginástica.

A área é servida por duas estações de metrô próximas, algo que o velho Ibirapuera não tem.

DEMANDA MUNICIPAL

São Paulo não tem uma arena multiuso (indoor arena, em inglês) nos moldes das que recebem jogos da NBA, e que estão presentes em praticamente todas as grandes cidades da Europa e da Ásia.

Sem elas, São Paulo não recebe mais grandes eventos esportivos, como Mundiais de vôlei, basquete, futsal, handebol e ginástica. Há também uma demanda reprimida para espetáculos que não são grandes o suficiente para lotarem estádios de futebol, mas não cabem nas principais casas de show.

Construído em 1957, o Ginásio Geraldo José de Almeida, o Ibirapuera, está obsoleto. Não tem ar-condicionado, nem arquibancadas modulares. A área da quadra é menor do que o necessário para um jogo de futsal, por exemplo.

O ex-governador João Doria (PSDB) defendia a concessão do complexo todo, em um projeto que visava transformar o Ibirapuera em shopping e erguer uma arena multiuso no lugar do estádio de atletismo. A proposta foi amplamente rejeitada pela sociedade e não foi levada adiante.

Mas o mesmo grupo que comandava a Secretaria de Esportes na época da polêmica proposta de Doria, do Republicanos, voltou a controlar a pasta com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito com promessa de fazer privatizações em várias áreas.

SEGUNDA ARENA

São Paulo, porém, já tem planos para construir uma arena multiuso, também em terreno municipal, no Anhembi. Todo o terreno que incluiu centro de exposição e sambódromo foi concedido para a GL Events, que também tem a concessão da Arena da Barra, no Rio.

A empresa já anunciou que pretende fazer valer a possibilidade prevista em contrato e construir uma arena multiuso, como já noticiado pela coluna. De acordo com a GL Events, a arena do Distrito Anhembi está "em processo de licenciamento de obras na Prefeitura desde dezembro".

Procurada para detalhar o projeto da arena onde está hoje o Parque das Bicicletas, a prefeitura disse o mesmo está "em andamento".

"Após a conclusão dessa fase, o projeto terá o número do processo SEI e estará disponível para consulta com total transparência, obedecendo os trâmites da legislação", afirmou o governo municipal.