Volta às aulas Nova escola e novos amigos, isso pode ser um problema para seu filho.
Saiba como lidar com a situação!


Renata Solano
*Colaboração
31/01/2008

Carla Patrícia Modesto Bento está com oito anos e conta que quando mudou de escola teve um período de adaptação em que ficou entre a tristeza por largar os antigos amigos e a ansiedade por conhecer novos colegas.

"Foi uma época em que fiquei triste porque eu ia mudar de escola e tinha que me afastar dos amigos que já tinha na antiga. Demorei um tempinho para conseguir me relacionar com novas pessoas e, para isso, pude contar com o apoio dos professores que sempre conversavam comigo", lembra.

Este é apenas um exemplo entre tantos outros que acontecem todos os anos no início do período letivo. Muitas crianças precisam mudar de escola por diferentes motivos: mudança de cidade, problemas financeiros, problemas pedagógicos ou a escola não possui a série para a qual o aluno foi aprovado.

Segundo o psicólogo clínico e escolar de um colégio da cidade, Paulo Bonfatti (foto ao lado), o período de adaptação é mais importante para as crianças menores. "As crianças precisam de cuidados maiores para se adaptarem ao novo ambiente, mas com os adolescentes e pré essa adaptação acontece de forma mais natural", afirma.

Paulo acredita que as crianças são foco de inúmeros processos que podem contribuir para a adaptação ou não na escola. "Os menores sempre têm mais dificuldade pois precisam lidar com mudanças que os maiores já conseguem entender melhor, por isso o diálogo entre pais e filhos e a franqueza sobre o motivo da mudança sempre interferem positivamente nesta situação", orienta.

Paulo cita algumas atitudes dos pais que podem contribuir nessa adaptação das crianças à escola, confira:

  • É primordial que os pais confiem na escola, porque essa relação é percebida pela criança e isso fortalece o sentimento dentro do pequeno.
  • Cumprir a promessa de buscar ou de esperar a criança em algum local da escola é necessário, assim o filho sente maior confiança nos pais e, além disso, acontece de forma mais branda a relação de construção de segurança da criança na escola em si.
  • Os comentários sobre a reação de outras crianças, bem como comparações devem ser evitadas na frente da criança. "É preciso que os pais respeitem a individualidade de cada um, é preciso que entendam que cada criança tem uma reação diferente", explica Paulo.
  • Deixar a criança a vontade para falar sobre o seu dia na escola. "O ideal é deixar a criança falar o que quiser, quando quiser, da forma que quiser e, somente se quiser. Ela precisa sentir segurança e os pais não devem forçar isso com muitas perguntas, por exemplo", orienta Paulo.
  • "Os pais devem conversar com seus filhos, mais novos ou mais velhos, sobre o motivo da mudança. Assim fica mais fácil a adaptação ao novo colégio", comenta.

Há ainda, alguns quesitos que a escola deve oferecer para que a criança se sinta mais a vontade no novo ambiente, veja algumas dicas:

  • "Crianças muito pequenas ficam cansadas da escola mais rápido, por isso, nos primeiros dias, o horário das aulas devem ser mais flexíveis e menos extensos", comenta Paulo.
  • A escola deve oferecer espaço para que os pais se sintam a vontade de conversar sobre algum problema de adaptação dos filhos.
  • "O ideal é que as escolas ofereçam uma equipe de acompanhamento dos novos alunos, para fazer com que essa adaptação ao novo espaço seja o mais natural possível", afirma.

O psicólogo esclarece, ainda, que toda mudança gera ansiedade, por isso é natural que meninos e meninas de qualquer idade se sintam nervosos diante de uma nova escola ou de uma nova etapa de suas vidas.

"A ansiedade é natural inclusive entre os adultos. Somente quando ela persiste por um longo período é que é preciso que os pais conversem na escola para conferir qual o motivo da situação que pode ser um problema da escola, dos pais ou mesmo da própria criança", afirma.

* Renata Solano é estudante de Comunicação Social da UFJF

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