A cara do outro Irmãos gêmeos deixam claro que as semelhanças são apenas
físicas e que as personalidades podem ser totalmente diferentes

*Guilherme Arêas
Colaboração
15/08/2007

Paco e Apolo. Lucas e Diogo. Ruth e Raquel. Exemplos de gêmeos na teledramaturgia não faltam. Na fórmula mágica do mundo da TV, geralmente um se apresenta como o mocinho da história e, o outro, sempre aparece fazedo planos malígnos e cruéis contra todos os outros personagens da trama. O caso mais recente é o das irmãs Paula e Taís, interpretadas pela atriz Alessandra Negrini na novela Paraíso Tropical.

Na trama, Paula é uma moça doce e encantadora. Já Taís é inteligente e egoísta. Uma está ligada ao protagonista por amor. A outra, por interesse em freqüentar a alta sociedade do Rio de Janeiro.

Duas irmãs que nasceram do mesmo ventre, foram criadas separadamente, não sabiam da existência da outra e que apresentam personalidades distintas. Mas será que, na vida real, os irmãos gêmeos podem ser tão diferentes, mesmo se forem criados juntos?

As gêmeas Carolina e Juliana Miranda de Carvalho, de 23 anos, acreditam que sim. "Nós somos iguais apenas fisicamente mesmo. Porque em relação ao gosto musical, filme, modo de se vestir, somos totalmente diferentes. Acredito que nós somos aquelas gêmeas que não são gêmeas", brinca Carolina (foto abaixo, à esquerda).

foto de Carolina e Juliana A própria definição que cada uma dá de si já mostra que, apesar da aparente semelhança, nem sempre os gêmeos têm a personalidade parecida. "Acho que sou mais meiga, calma e vaidosa", diz Carolina. "Eu já sou mais fechada, na minha. Não sou de sorrir pra todo mundo. Temos um temperamento diferente mesmo", define Juliana (foto ao lado, à direita).

Mas as duas não escaparam dos rituais que quase todos os gêmeos enfrentam: ter que usar as mesmas roupas. Até os três anos de idade, além da roupa, até os acessórios eram idênticos.

foto de Carolina e Juliana pequenas "Uma vez fui levar as duas para tiras fotos e coloquei um laço de cada cor na cabeça de cada uma, justamente para diferenciar. Mas quando voltei para buscar a revelação, vi que só tinha saído fotos de uma delas. O fotógrafo se confundiu e acabou não revelando a foto da outra", lembra Tereza Miranda, mãe das gêmeas.

Apesar das diferenças, o companheirismo é uma características que as irmãs mantêm até hoje. "A principal vantagem de ter uma irmã gêmea é a proximidade. Nós já chegamos a dividir até o mesmo chiclete. Mas em 1993, quando estávamos na quarta série, o colégio em que estudávamos não permitia que irmãos fossem da mesma sala. A partir daí nós começamos a fazer amizades diferentes e acabamos nos distanciando um pouco", lembra Carolina.

Apesar disso, as duas decidiram por fazer a mesma faculdade, Educação Física. Mas a semelhança, novamente, pára por aí. Enquanto Carolina tem o perfil mais acadêmico da licenciatura, Juliana pretende se dedicar aos esportes e ao trabalho nas academias.

foto de Carolina e Juliana pequenas foto de Carolina e Juliana pequenas foto de Carolina e Juliana pequenas

Opção por cursos diferentes
No caso dos gêmeos Diego e Diogo Hilgemberg Figueiredo, os irmãos, de 17 anos, estudam até hoje na mesma turma. Mas o futuro também promete distanciar os dois. Diego (foto abaixo, à esquerda) pretende prestar vestibular para Ciência da Computação. Já Diogo (foto abaixo, à direita) optou seguir o caminho da Educação Física.

Enquanto o momento de seguir rumos diferentes não chega, os gêmeos ainda mantêm o mesmo ciclo de amigos na escola e garantem que a amizade entre os dois é realmente o grande benefício em ter um irmão da mesma idade. "A vantagem é o companheirismo que nós temos. O Diego é o companheiro que eu tenho para conversar", afirma Diogo.

foto de Carolina e Juliana Já a grande desvantagem de terem nascido no mesmo dia, deve ser a maior reclamação de todos os irmãos gêmeos. "A confusão às vezes irrita. O Diogo é mais calmo, mas eu sou um pouco mais nervoso e quando a pessoa não sabe quem é quem me deixa um pouco irritado", revela Diego.

Além do temperamento mais tranqüilo de um, as diferenças, segundo os irmãos, são muito grandes, a começar pelo time de futebol. Enquanto Diego torce para o Cruzeiro, Diogo é apaixonado pelo alvi-negro carioca. De acordo com os dois, a discordância já rendeu até algumas discussões em dias de jogo.

Entre os casos curiosos que todos os gêmeos têm para contar, está a atitude clássica de trocar de lugar com o irmão em algumas situações. Com Diego e Diogo não foi diferente. "Teve uma vez na escola, que nós fomos colocados em salas diferentes. Mas as pessoas com quem eu mais conversava estudavam na sala dele e os mais próximos a ele estudavam na minha. Algumas vezes nós trocamos de sala, mas um dia a professora acabou descobrindo. Ela contou uma piada e, como um dente meu tinha caído alguns dias antes, ela percebeu que nós trocamos de lugar. Mas depois nós voltamos a estudar na mesma turma", lembra Diego.

Iguais, mas nem tanto

Respeitar as diferenças. Essa é a recomendação da psicóloga Sandra Cristina Vieira. Segundo Sandra, os pais não devem querer que as atitudes dos filhos gêmeos sejam padronizadas, já que isso pode acabar afetando a personalidade das crianças. "Os pais, professores e as pessoas que convivem com os gêmeos devem entender que elas apresentam a mesma aparência, mas cada uma têm a sua individualidade", orienta.

De acordo com a psicóloga, para os pais não cometerem o erro de acabar despersonalizando os filhos, as diferenças devem ser respeitadas e os irmãos gêmeos tratados de forma diferente, como realmente o são.

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