SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, acusou o Ocidente de ter "dois pesos e duas medidas" em relação aos direitos humanos em seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta quarta (21). A afirmação é feita em um momento em que crescem os protestos no Irã pela morte de uma mulher presa pela polícia moral por não usar hijab, o véu islâmico.

"Enquanto a atenção for direcionada a apenas um dos lados, e não a todos, de forma equânime, não haverá justiça de verdade", disse ele.

Raisi citou então a descoberta de mais de 750 corpos de crianças sem identificação em uma antiga escola católica para indígenas do Canadá e as jaulas usadas pelo governo americano para separar filhos de imigrantes ilegais de seus pais como alguns dos exemplos de que vários governos "não tem base para reinvindicar a defesa de direitos humanos".

A menção à questão imigratória foi, aliás, o início de uma série de inculpações aos Estados Unidos. O presidente iraniano afirmou, por exemplo, que os americanos criaram o grupo terrorista Estado Islâmico ?nascido em uma prisão americana, no deserto do Iraque? e, erguendo uma foto do major-general Qassim Suleimani, chefe da máquina de segurança do Irã morto por um ataque de drone dos EUA em 2020, disse que o ex-presidente americano Donald Trump era um assassino e deveria ser julgado por isso.

Raisi também abordou o novo acordo nuclear entre Irã e EUA, cujas negociações estão paralisadas a despeito dos esforços da comunidade internacional. O presidente afirmou que o Irã precisa de mais garantias de que os EUA não abandonarão o tratado, uma vez que nada impede os impede de deixar o pacto. "Podemos confiar que eles vão cumprir sua parte do trato", questionou o líder.

Washington rechaça várias das exigências feitas por Teerã, como o fim das sanções contra a Guarda Revolucionária, a força de segurança de elite do país, designado como uma organização terrorista internacional, e deram sinais de que não pretendem reverter a decisão.