SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Imigrantes venezuelanos levados de avião há alguns dias para Martha's Vineyard, no estado de Massachusetts, processaram nesta terça-feira (21) o governador da Flórida, Ron DeSantis, e seu secretário de transporte, Jared W. Perdue, por se envolverem em um "esquema fraudulento e discriminatório" para realocá-los.

O processo foi aberto em um tribunal em Boston, e alega que os venezuelanos foram informados falsamente de que seriam transportados para Boston ou Washington, além de terem sido induzidos à viagem com vale presentes de US$ 10 do McDonald's.

Os imigrantes irregulares estavam no Texas, em um grupo de cerca de 50 pessoas, incluindo crianças, quando foram transportados na quarta-feira (14) em dois aviões fretados para Martha's Vineyard, uma pequena ilha ao sul de Boston frequentada por ricos e poderosos. O custo dos voos foi de US$ 650 mil dólares, segundo o processo.

DeSantis reivindicou o crédito pelos voos, como parte de um esforço dos republicanos para transferir a responsabilidade pelos imigrantes para governadores democratas.

A ação desta terça -encaminhada pelo grupo de direitos migratórios Alianza Americas e três venezuelanos em nome de todo o grupo-, alega que os imigrantes fugiram da Venezuela socialista, um país atormentado pela violência e com a economia em crise, "em uma tentativa desesperada de proteger a si e suas famílias da violência das gangues, da polícia e do Estado, e da opressão da dissidência política".

Ao procurar os canais adequados para obter o status legal de imigração nos Estados Unidos, diz a ação, os venezuelanos experimentaram crueldade semelhante à que os levou a fugir de seu país de origem.

Ainda segundo o processo, DeSantis e outros funcionários da Flórida "interferiram de forma inadmissível no controle exclusivo do governo federal sobre a imigração para promover um objetivo ilegal e uma agenda política pessoal".

Diretor executivo da Lawyers for Civil Rights (advogados pelos direitos civis), que busca o status de ação coletiva no processo, Ivan Espinoza-Madrigal afirmou que "nenhum ser humano deve ser usado como peão político".

DeSantis respondeu por meio de sua diretora de comunicação, Taryn Fenske. "É oportunista que ativistas usem imigrantes ilegais para teatro político", disse ela nesta terça.

A ação de DeSantis na semana passada foi duramente criticada pela Casa Branca, que acusou governadores republicanos de estarem usando imigrantes como "peões de um xadrez político".

Dias antes, o também republicano Greg Abbott, do Texas, havia despachado dois ônibus com estrangeiros irregulares para um bairro de Washington não muito longe da residência oficial da vice-presidente, Kamala Harris.