SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou sua renúncia no cargo nesta quarta-feira (15). A notícia surpreendeu o país -uma das mais ferrenhas defensoras da independência da Escócia, ela foi líder mais longeva no cargo, há oito anos no poder.

Em discurso à imprensa, Sturgeon afirmou que sua decisão não foi motivada por imbróglios recentes, e sim por achar que chegou sua hora de sair do cargo e deixar um novo nome assumir. "Precisamos ir além da polarização na política, e sei que um novo líder será melhor nesse sentido, alguém acerca de quem o país não tenha ainda uma mentalidade definida", afirmou ela.

A primeira-ministra acrescentou que não deixará o cargo imediatamente, de modo a permitir que seu partido, o SNP (Partido Nacional Escocês, na sigla em inglês) organize novas eleições, e que não pretende deixar a política.

Embora ela tenha negado essa possibilidade no discurso, enfrentamentos recentes com o governo central de Londres podem ter contribuído para a decisão de Sturgeon.

Um deles gira em torno da principal bandeira de seu governo, a independência da Escócia. Sua busca, que ganhou tração com o brexit, seria por tornar o território que hoje integra o Reino Unido um estado autônomo e membro da União Europeia.

No final do ano passado, a Suprema Corte britânica jogou um balde d'água fria sobre a administração da escocesa ao decidir que seu país não tem o direito de realizar uma nova consulta pública do tipo sem consentimento do Parlamento britânico.

Outro imbróglio recente tem a ver com uma lei sobre direitos de pessoas transgênero aprovada pelo Parlamento do país também no fim de 2022.

A legislação simplificava a burocracia relacionada à alteração legal de gênero na Escócia, propondo por exemplo a diminuição da idade mínima para a realização do procedimento, de 18 para 16 anos, e a retirada da exigência de diagnóstico médico de disforia de gênero --bastaria solicitar um certificado de mudança para emitir uma nova certidão de nascimento.

Também esta lei foi desafiada pelo Reino Unido ao ser barrada por Rishi Sunak. Foi a primeira vez que um premiê britânico fez uso dessa prerrogativa desde que ela foi estabelecida, 25 anos atrás.


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