BELÉM, PA, E BRASÍLIA, DF (UOL-FOLHAPRESS) - O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), fez nesta quinta-feira (22) mais um ataque ao principal adversário nas urnas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante comício em Belém. Segundo ele, o oponente "continuará no lixo da história" e "nunca mais vai roubar o povo brasileiro".

Pesquisa do Ipec divulgada na última segunda-feira (19) indica que Lula continua na liderança a pouco mais de uma semana da votação, e em vantagem na disputa contra Bolsonaro. O petista tem 47% das intenções de voto e o postulante à reeleição, 31%.

Com isso, a diferença entre os dois é de 16 pontos percentuais, com chances reais de o resultado ser definido no primeiro turno. Em comparação à pesquisa anterior de 12 de setembro, o petista oscilou positivamente na margem de erro ?que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos? passando de 46% para 47%.

A ofensiva contra Lula, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, que são redutos eleitorais históricos do PT, faz parte da estratégia de Bolsonaro para garantir a ida ao segundo turno.

O chefe do Executivo federal também voltou a enfatizar o preço dos combustíveis, na tentativa de atribuir ao governo méritos pelos recentes esforços com o intuito de reduzir o preço cobrado na bomba. "Quem esperava a gasolina estar abaixo dos R$ 5 no Brasil? Trabalho nosso junto ao Congresso Nacional."

Durante o discurso, Bolsonaro também buscou dar ênfase à criação do Auxílio Brasil ?implementado às vésperas da eleição? e disse que o benefício "equivale a três vezes o Bolsa Família? em referência ao programa assistencial que ficou conhecido como um legado do PT no comando do Executivo.

"(...) Vamos enfrentar o terceiro mês com inflação negativa, somos admirados no mundo todo, somos uma grande potência. Hoje temos o Auxílio Brasil, que equivale a rês vezes o valor do Bolsa Família. Isso só é possível porque é um governo que não rouba, que não tem corrupção, que respeita o seu povo."

A pauta de costumes, que abrange assuntos como aborto, religião e drogas, esteve mais uma vez presente no palanque de Bolsonaro. A exaltação a valores conservadores é também uma tática do governante para tentar fomentar a polarização ideológica e atribuir a Lula a imagem de um candidato que seria a favor do aborto e da liberação das drogas e alguém que, se eleito, poderia agir contra os interesses de cristãos.

"Estado pode ser laico, mas o seu presidente é cristão. E nós, diferentemente do outro candidato, defendemos a vida desde a sua concepção, dizemos não ao aborto, à ideologia de gênero, à legalização das drogas."

Depois de Belém, Bolsonaro viajará a Manaus, na tarde de hoje, onde há previsão de participar de um evento institucional do governo para promoção da tecnologia 5G. Depois, ele fará um comício no mesmo local onde Lula discursou há algumas semanas.