SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os governadores do Nordeste passaram a entoar o discurso conjunto de priorizar o combate à fome, dividindo holofotes com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas discussões sobre o tema. A coesão ficou evidente na semana passada, após a reunião do Consórcio Nordeste. Além dos governadores aliados, a questão da miséria foi vocalizada por Raquel Lyra (PSDB-PE), que se declara independente do governo.

A pernambucana e os outros oito membros do fórum, que se encontraram em João Pessoa na preparação para a reunião que Lula fará com todos os governadores do país na próxima sexta-feira (27), saíram do local falando sobre a urgência de enfrentar o problema entre os nordestinos.

Segundo participantes, o clima foi de busca por cooperação, com Lyra se integrando sem maiores ruídos ao grupo majoritariamente lulista. A tucana disse à imprensa, na saída, que "comida no prato não tem ideologia" e que o principal desafio da região é o enfrentamento da pobreza e da fome.

Jerônimo Rodrigues (PT-BA) afirmou ser impossível atingir um padrão de felicidade "enquanto houver um nordestino com fome", e Elmano de Freitas (PT-CE) falou em agregar experiências e políticas públicas para "que o nosso povo não tenha esse sofrimento".

O consórcio atravessou boa parte do período do governo Jair Bolsonaro (PL) com diferenças em relação à condução da pandemia de Covid-19 e, sob Lula, pretende retomar uma agenda voltada a questões sociais.

A avaliação é a de que o grupo passa a se alinhar ao novo presidente no tratamento prioritário do problema da fome, sem a intenção de disputar com o petista o protagonismo na pauta, mas buscando soluções para a região, que concentra índices elevados de pobreza.

Na reunião de sexta-feira (20), os integrantes do consórcio definiram as demandas comuns que levarão ao presidente e definiram projetos específicos para os quais buscarão parcerias com o governo federal.