Quarta-feira, 13 de maio de 2009, atualizada às 19h02

Juiz de Fora comemora Dia Nacional de Luta Antimanicomial

Clecius Campos
Repórter

A Secretaria Municipal de Saúde prepara uma programação especial que irá comemorar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado na próxima segunda-feira, dia 18. Entre 15 e 20 de maio, shows e exposições serão apresentados à população com o objetivo de esclarecer a respeito da saúde mental e da reforma psiquiátrica.

Em Juiz de Fora, a programação (ver box) traz shows da banda Os Impacientes, formada por frequentadores do Centro de Convivência Recriar, exposição de produtos confeccionados nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), como bijuterias, camisas, bolsas e quadros, além de debate sobre a reforma psiquiátrica e abertura da exposição Crio, logo existo, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

De acordo com o chefe do Departamento da Rede de Saúde Mental (DSME), José Eduardo Amorim, a luta antimanicomial consiste em evitar internações sem perspectiva de retorno e possibilitar ao paciente da saúde mental um tratamento no qual ele possa estar integrado à sociedade e à família. "O tratamento de pacientes psicóticos fora dos muros manicomiais é defendido no Brasil há pelo menos 50 anos. Mas só na década de 70, quando a estrutura de atendimento à saúde em nosso país foi revisada, com a Reforma Sanitarista, é que esse conceito ganhou força."

Nos anos 80, um novo impulso foi ocasionado por boas experiências de tratamento sem internação executadas em países como França, Canadá e Estados Unidos. No Brasil, em cidades como Santos e Rio de Janeiro, projetos com essa mesma característica chamaram a atenção das autoridades para o cuidado com pacientes fora de hospitais. "As ideias foram amadurecidas e no início dos anos 90 começaram a aparecer os primeiros Caps, sob comando da saúde pública."

Quando a internação é necessária?

De acordo com Amorim, a internação de pacientes da saúde mental é necessária apenas em casos de urgência e emergência. Nessa etapa da doença, os hospitais têm mais aparato tecnológico no que se diz respeito a equipamentos e produtos farmacêuticos. "No entanto, essa internação deve ser de curta permanência, já que é possível tratar bem o paciente em convalescença com medicamentos adequados."

Amorim afirma que durante qualquer enfermidade a presença dos amigos e familiares é essencial no processo de cura. "Qualquer doença possível de cura pode ser sarada de forma mais íntegra e saudável dentro de casa, onde afeto e cuidado estão presentes."

Ele diz, porém, que existe uma resistência cultural a respeito do tratamento livre de hospitais para usuários da saúde mental. "A doença mental é associada à periculosidade e incapacidade. Por isso, a comemoração visa à difusão de um conteúdo de esclarecimento à comunidade."

Programação

15/05/09 (sexta-feira)
Debate sobre reforma psiquiátrica, às 19h
Show com a banda Os Impacientes, às 20h30
Local: Universidade Estácio de Sá

16/05/09 (sábado)
Show com a banda Os Impacientes, às 21h
Local: Bar da Fábrica

18/05/09 (segunda-feira)
Exposição de produtos confeccionados no Centro de Convivência Recriar e nos Centros de Atenção Psico-sociais (Caps) Casa Viva, Álcool e Drogas (AD) e Infância e Juventude (IJ), como bijouterias, camisas, bolsas e quadros; panfletagem; barraca informativa sobre os serviços oferecidos pela Rede de Saúde Mental do município, das 09h às 17h30
Shows com o grupo de coral do Centro de Convivência Recriar, o grupo de música do Caps AD e a banda Os Impacientes, a partir das 16h
Local: Parque Halfeld

19/05/09 (terça-feira)
Show com a banda Os impacientes, às 19h
Local: Unipac de Ubá

20/05/09 (quarta-feira)
Abertura da Exposição Crio, logo existo, com quadros feitos por usuários do Caps Casa Viva e do Centro de Convivência Recriar, às 20h
Local: Centro Cultural Bernardo Mascarenhas

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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