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  • Estou com dengue? Doença que apresenta quadro agudo e sintomas vagos tem cura. Orientação médica deve ser procurada o quanto antes

    Priscila Magalhães
    Repórter
    04/04/2008

    Febre súbita, dor em toda a cabeça, atrás dos olhos, nas articulações e nos músculos de forma intensa. Este é o quadro mais peculiar da dengue e o mesmo de uma virose. "Os sintomas são vagos, por isso não conseguimos identificar a doença em um primeiro momento. E o quadro febril é indiferente justamente por estar presente em outras doenças", explica o infectologista e professor de doenças infecciosas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Ronald Kleinsorge Roland.

    O que contribui para identificar a doença são as lesões avermelhadas na pele, que aparecem nos membros e tórax. "Elas podem aparecer a qualquer momento enquanto a pessoa estiver doente", diz. Além desses sintomas, o paciente fica indisposto, sem apetite e pode ter diarréia e vômito. "Apesar de os sintomas serem vagos, a pessoa sabe identificar quando ficou doente, pois o quadro febril é agudo".

    O período de incubação da dengue é de sete dias, podendo variar de dois a 15. "O adoecimento é rápido e o paciente fica curado com cerca de dez dias, apesar de continuar fraco por mais alguns". Ao início dos sintomas, Roland aconselha procurar um médico. "Só ele vai encontrar sintomas que o paciente não vê. Procuramos características de mau funcionamento de circulação e associamos ao fato de a pessoa sentir muita sede. Aí, colhemos exames e definimos se é grave".

    Segundo ele, há momentos em que a doença engana. "Pode ser que haja uma melhora e o paciente acha que está bem. Mas isso pode ser sinal de piora". Os principais cuidados em caso de suspeita de dengue é hidratar bastante e abaixar a febre, usando paracetamol. "Ácido acetil salicílico e anti-inflamatórios não devem ser usados", diz.

    Tipos de dengue

    Segundo Roland são três tipos de dengue: o clássico, a síndrome hemorrágica e a síndrome do choque da dengue. A primeira é a forma mais comum. Ela pode ser mais grave, mas se limita entre cinco e sete dias. "Nesse caso, não existe risco maior de morte". As duas últimas são as formas mais graves, ocorrem a partir de um novo contato com o vírus e há aumento do risco de morte. Na dengue hemorrágica, há sangramento, como na boca e nariz, mas que também podem acontecer internamente.

    "Há uma perda de líquido para o ambiente extra-vascular, o que ocasiona queda da pressão". Na síndrome do choque da dengue, o paciente fica hipotenso [pressão baixa], o que associado ao quadro da dengue, oferece riscos. "Pode haver hemorragia intestinal ou mesmo quando faz uma pulsão venosa. O paciente fica prostrado, com alterações em exames laboratoriais que indicam a passagem de líquidos para fora dos vasos, levando à pressão muito baixa, e queda de plaquetas", esclarece. Mas Roland alerta que, na dengue clássica, também pode haver fenômenos hemorrágicos, como sangramento na urina, boca e nariz.

    Diagnóstico

    Foto do médico Roland Para detectar o vírus da dengue, os médicos utilizam o exame de sangue. "Ele detecta quais anticorpos existem no sangue do paciente. Se houver anticorpo contra o vírus da dengue, pode ser que ela tenha a doença. Aí, temos que saber se esse anticorpo é de outra época em que a pessoa pegou a doença, ou se é de uma nova infecção. Se o anticorpo do tipo 'M' for detectado, ou seja, se o exame der positivo, o quadro é considerado grave".

    Segundo Roland, o exame de sangue pode demorar se for feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas em um laboratório ele deve ficar pronto em até três dias. "O exame não deve ser feito antes do quinto dia, contados a partir do início dos sintomas. Se isso acontecer, ele vai indicar que não há problemas e a possibilidade de dengue vai ser descartada".

    Além disso, as plaquetas devem estar em observação constante. O nível baixo é sinal de gravidade da doença. Segundo Roland, se o exame acusar um número de plaquetas abaixo de cem mil, é preocupante. "O número bom está em torno de 150 mil", completa ele. Além disso, para se detectar um caso grave de dengue, deve-se levar em consideração fatores como dor abdominal, fígado aumentado, pele fria e pressão baixa.

    Tratamento

    Não existe medicação específica para curar a dengue. Quando ela alcançar um estágio mais grave, o tratamento é feito com soro na veia e com transfusão de plaquetas e hemácias. "Estes dois últimos só em casos extremos, não é uma indicação para todos os tratamentos", esclarece.

    Ter a dengue hemorrágica não significa que vai haver morte do paciente, como afirma o médico. "O paciente tem chances de sobreviver. O problema é que quando o caso fica grave, é porque o paciente chegou tarde ao hospital". Como os casos de dengue estão aumentando, deve-se considerar a possibilidade da doença já no primeiro momento.

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