Tiradentes A gentileza do povo mineiro da cidade histórica é algo, por si só, animador para quem pretende visitar o local



Fernanda Leonel
Repórter
18/11/2005

As namoradeiras na janela se confundem com o povo receptivo da pequena e pacata Tiradentes (MG). Se há um valor que a cidade pode se orgulhar com certeza é, entre muitas outras belezas, o sorriso no rosto de quem se acostumou a receber mais de vinte mil turistas por mês. A gentileza do povo mineiro da cidade histórica é algo, por si só, animador para quem pretende visitar o local.

Preparada para receber turistas, a cidade cresce em torno da recepção de pessoas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Só de dar uma pequena volta pela principal praça da cidade dá para perceber como é que tamanho, nesse caso, não é documento mesmo. Qualquer bar, qualquer brechó, qualquer lojinha de artesanato, todas são adeptas ao cartão de crédito, do welcome ou até, quem sab,e de um Hola.

Nessa fusão de velho e novo, materiais da nova arte ajudam os novos artesãos a preparar algo que simbolize o velho. Tiradentes transpira arte! Nessa cidade, vendem-se tapetes, enfeites, bordados, fotos, velas e tudo mais que puder chamar a atenção do turista. "As pessoas quando viajam valorizam a arte", comentou uma senhora de mais de 80 anos que vende croché na ruas. Parece que o artesanato, assim como as namoradeiras, ficam mais bonitos nas sacadas dos casarões da velha nova cidade. Há charme pelas ruas, oratórios recheados de belas pinturas em qualquer esquina que se vá, por exemplo, comprar uma caixa de fósforos.

A Antiga Vila São José, aliás, tem mais de 140 pousadas que disputam entre si na hora de mostrar para quem chega o que é ser um bom mineiro. Tem cama boa, comida boa, tudo na medida que o bolso do freguês quer e pode pagar. Assim também é com a culinária de Tiradentes. Famosa por seu Festival Internacional, que acontece tradicionalmente em agosto, a cidade possui restaurantes e chefs para deixar quem quer que seja com água na boca.

Em janeiro, outra data para marcar na agenda e não esquecer. A cidade histórica recebe a Mostra de Cinema, que faz andar pedra e ladeira abaixo, grandes nomes do cenário audiovisual do Brasil. É a velha e a nova película, encenando seus enredos, na cidade onde cada pedra parece ter histórias para contar.

Ladeira abaixo... Ladeira acima
A história da cidade mineira começou quando o pequeno arraial de Ponta do Morro foi descoberto pelo paulista Tomé Portes del-Rei como sendo fonte de ouro como nunca se havia visto. Ponto de garimpeiros sonhadores, o arraial foi tomando forma e levantando-se rapidamente devido às riquezas do pequeno povoado.

Nas primeiras décadas do século XVIII, foram construídos os muitos casarões que hoje são fonte de visitação e também guardam museus da cidade imperial. No mesmo século, define-se o traçado urbano da agora já Vila de São José, que tem como eixo principal a rua que liga a Igreja Matriz de Santo Antônio e o Chafariz: as duas grandes riquezas históricas de Tiradentes.

O Chafariz é considerado um dos mais bonitos de toda história colonial brasileira pelo traços da arte barroca que conserva em cada curva. Na época que o sistema de tratamento de água ainda não existia, era nesse local que se buscava todo a água necessária para o dia-a-dia de quem vivia em Tiradentes. Reza a lenda, que quem bebe da água do chafariz, volta a Tiradentes breve.

Já a Matriz de Santo Antônio possui mais de 700 quilos de outros entalhados entre suas altas portas e altares. É a mais famosa das muitas igrejas da cidade histórica mineira, que são verdadeiros monumentos e obras de arte de artistas que viveram naquela época. Visitar Tiradentes é mesmo lembrar do passado, e do culto à religião oitocentista brasileira.

Lugares bonitos nessa cidade é que não faltam. Em cada esquina, ladeira ou igreja visitada há beleza barroca, arte restaurada, história em detalhes. Já vaidosa e cheia de orgulhos, a cidade cuida de cada detalhe para fazer dela alvo fácil para turistas e amantes das viagens.

Perto da também histórica São João Del Rey, uma passagem por Tiradentes pode valer um pulinho na cidade vizinha. Os ônibus interurbanos custam menos que um lanche na esquina, sendo que o visitantes ainda tem a opção de andar na Maria Fumaça, a velha locomotiva da época do ouro que ainda está em funcionamento.

Vale lembrar que quem está com planos para planejar um fim de semana ou férias na cidade histórica deve ficar atento ao calçado que se vai levar na mala. Tiradentes é uma cidade de muitas ladeiras e muita pedra no chão. Um desafio para o salto alto ou para algum calçado que não se aproxime do tênis, mas um charme para quem quer conhecer mais sobre o passado do brasileiro.

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