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    Candidatos a reitor fazem primeiro debate


    Em encontro no campus,Ignacio Delgado, Rubem Barboza e Henrique Duque falaram de diversos temas e enfrentaram momentos tensos

    Marcelo Miranda
    Repórter
    03/05/2006

    O debate entre os três candidatos ao cargo de reitor da UFJF começou quente. Na manhã desta quarta-feira, os professores Ignacio Delgado, Rubem Barboza e Henrique Duque fizeram a primeira troca de idéias pública a uma platéia formada por alunos, docentes e funcionários e que lotou o anfiteatro de Estudos Sociais, no campus. Cotas, soberania nacional, infra-estrutura, poder, financiamento externo, reforma universitária, entre outros assuntos foram abordados durante o encontro, tanto pelos próprios postulantes quando por perguntas direcionadas do público.

    A lotação não estava apenas nas cadeiras do anfiteatro. O espaço ao redor estava tomado por gente desfilando com camiseta de candidato, distribuindo panfletos e botons e apresentando programas de administração.

    Na primeira fileira do anfiteatro, estavam Ignacio e Rubem com os respectivos vices. Quando o membro da comissão eleitoral chamou por cada um dos candidatos, os aplausos foram inevitáveis. E Henrique Duque, que não havia aparecido até então, saiu da porta de trás e, estrategicamente, desceu os degraus em direção ao palco sob aplausos de quem estava ali defendendo o seu nome.

    Foram poucos os momentos de maior tensão ao longo das três horas de debate. Poucos, mas todos intensos. O primeiro deles, ainda leve, veio nas considerações iniciais de Rubem Barboza, único a alfinetar algum outro candidato - no caso, Ignacio Delgado, que tenta vencer com apoio da atual reitora, Margarida Salomão.

    Mas foi no segundo bloco que candidatos e público começaram a se estranhar - novamente a partir de uma fala de Rubem. Ao defender a desregulamentação de diversos setores da universidade, foi rebatido por Ignacio, que afirmou ser necessário o controle de tudo para não se correr riscos de distribuição de cargos. E Rubem alfinetou em seguida: "não existe porcaria nenhuma do que você falou, Ignacio. Não distorça o que eu disse. Regulamentar é coisa de burro". Tanto Ignacio Delgado quando Henrique Duque, que fora citado antes, pediram direito de resposta, o que causou constrangimento ao representante do comitê eleitoral, vaiado pela platéia quando afirmou que concederia a resposta a Duque.

    Outro momento de quase confusão aconteceu quando um presente chamou Rubem de "neoliberal" e foi prontamente rebatido por outro, que questionou: "qual o problema de ser neoloiberal? Por acaso você é petista?". E mais vaias e gritos agitados. Também quando os candidatos revelaram de onde vêm o financiamento de suas campanhas, Ignacio Delgado teve que escutar deboches ao dizer quem mais o banca é a família - incluindo pai, parentes e nove irmãos; Rubem Barboza insinuou ter uma candidatura "humilde", ao afirmar que seu botom não parava de cair e não possuía camiseta nem "bolsinha"; e Henrique Duque contou que o dinheiro para levá-lo à reitoria viria de professores ("uma boa parte do financiamento"), técnicos e alunos, que "estão conosco e acreditam nas nossas idéias".

    A Biblioteca Central foi um dos temas mais explorados pelos três candidatos. Durante mais da metade do segundo bloco, o assunto veio à tona, e ao menos nisso o trio se entendeu: a biblioteca tem defasagens e problemas graves e precisa urgentemente de uma atualização nos títulos adquiridos e melhoras constantes em sua estrutura de pesquisa e empréstimo.

    Estilos

    Cada um dos candidatos seguiu um estilo ao se apresentar à platéia. O primeiro a se manifestar, Ignacio Delgado (à esquerda), se utilizou de retórica forte e relembrou o aumento dos cursos de doutoramento, defendeu a aproximação da instituição com o meio empresarial e prometeu uma administração "participativa, envolvendo professores, alunos, técnicos e professores". Em momento algum citou o apoio recebido pela atual reitora e não falou em continuidade, mas sim em novas propostas de gestão e democracia.

    Em seguida, Henrique Duque (à direita), único a se levantar para falar, contou de sua trajetória estudantil desde o ensino médio e defendeu a "humanização e o respeito" dentro da UFJF. Aliás, sentimentos foram constantemente apregoadas por ele, ao usar as palavras "alegria", "entusiasmo" e novamente "respeito" no discurso de abertura. Foi aplaudido ao bater firme na necessidade da universidade ser sempre "um órgão público, de caráter oficial e pago pela União". Depois passou o microfone para o vice se apresentar também.

    Por fim, Rubem Barboza (ao lado) começou afirmando que a federal de Juiz de Fora "não é uma universidade de ponta, uma referência". E foi insistente na questão da "centralização de poder" na reitoria, chegando a falar que "existe medo no coração de muitas pessoas" dentro da instituição, atacando uma suposta "falta de liberdade" na administração.

    Ainda para esta semana estão marcados outros debates. A eleição para a reitoria acontece nos dias 24 e 25 de maio, através de urnas eletrônicas. Têm direito a voto professores e técnicos efetivados na instituição até o último dia 4 de abril e alunos regularmente matriculados até o último dia 30 de abril. A atual reitora permanece à frente da UFJF até 5 de setembro.

  • Leia mais sobre o cargo de reitor.

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