Creches comunitárias atendem a 2.600 crianças

Colaboração:
Repórter Ana Maria Reis
26/03/2000

Dezenove unidades do Pró-Creche, mais antigo projeto da AMAC, atendem a 2.600 crianças em Juiz de Fora. Para ser beneficiado, o responsável pelo menor (pai, mãe ou avós) deve cadastrar-se na unidade que lhe for mais viável, ou mais perto de sua casa ou do trabalho. De acordo com a lei municipal, são considerados critérios de admissão:
  1. renda per capita familiar que não ultrapasse a um salário mínimo;
  2. que o responsável esteja trabalhando.

O Pró-Creche apresenta uma equipe técnica que conta com um médico, psicólogo, assistente social e pedagogo. Entre os serviços disponíveis em cada unidade, estão:

  1. atendimento às crianças de 0 a 5 anos em situação de risco pessoal e social;
  2. o funcionamento de segunda a sexta-feira, de 6h30 min às 18 horas;
  3. 4 refeições diárias balanceadas por nutricionista;
  4. atividades recreativas e culturais, oficinas pedagógicas, pré-escola, atendimento médico-sócio-psico-pedagógico.

Cadastramento

Cada coordenador de creche tem em seu poder as fichas cadastrais que recebem classificação de acordo com a necessidade de cada família. “A fila de espera é muito grande porque, normalmente, a criança matricula-se na creche em seu primeiro ano de vida e só vai sair aos 5 anos e o número de pedido só tende a aumentar”, comenta a Assessora da Coordenação Executiva do Pró-Creche, Fátima Rodrigues Monteiro.

Apesar de existir o cadastro, há prioridade na admissão de crianças quando estas correm risco pessoal ou social, ou quando é feita alguma solicitação por parte de juizados ou conselhos tutelares. Além disto, 10% das vagas são reservadas aos funcionários municipais que passam por uma triagem realizada pelo próprio Sindicato, o Sinserpu.

Toda creche tem uma meta de atendimento, que significa o número de crianças beneficiadas por cada unidade. As metas diferem de creche para creche assim como a demanda para cada faixa etária. A maior da cidade é a Creche Comunitária Francisco Maximiliano de Oliveira (a Central) que atende a 202 crianças, em seguida vem a do Manoel Honório com 190 crianças e da Independência, com 124 atendidos.

Este ano, houve um aumento significativo de vagas, ainda não estimado, devido à lei da Secretaria Municipal de Educação, baseada na Lei de Diretrizes e Base, que obriga crianças em idade de pré-escola a estarem matriculadas na rede pública de ensino. O Pró-Creche conseguiu remanejar as crianças atendidas pelo poder público para escolas e abriu vagas em creches para outras que estavam na espera. É o caso da Creche Comunitária Monteiro Lobato (a do Manoel Honório) que, segundo sua coordenadora, Helena Maria Coury, aumentou em 66 o seu número de vagas.

Mães elogiam o serviço

Maria das Graças Fernadez deixa a filha de 4 anos na creche Central para trabalhar em casa de família. Desde os dois anos de idade, Natália freqüenta a unidade, que a mãe considera ideal devido ao custo zero (ela ajuda com doações esporádicas) e ao “ótimo” serviço realizado pelos funcionários. “Antes de entrar na creche, ela ficava muito tempo sozinha, vivia no meio de adultos e era muito agitada”, comenta Maria das Graças. A própria Natélia diz gostar muito de conviver com outras crianças e as recreadoras da creche e fala que dentre as atividades que realiza, a que mais gosta é pintar.

Eliane Drumond Santana (foto ao lado) já trabalhou em várias unidades do Pró-Creche e chegou a ser berçarista quando estava grávida de filha caçula Mariane, hoje com 2 anos e 8 meses que desde cedo freqüenta creches municipais. “Em todas, são desenvolvidos trabalhos muito bons e os pais que precisarem deixar seu filho em creches comunitárias para trabalharem podem ficar sossegados”, afirma a mãe de Ana Carolina, hoje com 6 anos que, de vez em quando, visita a unidade que freqüentou até o ano passado devido à exigência da Secretaria de Educação.

Para saber quais são as creches em funcionamento em Juiz de Fora, seu endereço e telefone, CLIQUE AQUI.
Ou digite no campo de busca do JFService (no topo da página, em cinza, ao lado da data de hoje) a palavra CRECHE.

Projeto de funcionamento 24 horas é vetado

O Prefeito Tarcísio Delgado vetou a proposta de lei que ampliava o horário de funcionamento das creches municipais. O projeto de lei nasceu da idéia de atender aos pais que precisassem trabalhar à noite.

A principal alegação para o veto, segundo o superintendente da Amac, José Sóter Figuerôa Netto, é que as creches não podem desenvolver atividades pedagógicas durante a noite, uma exigência da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em que as creches deixariam, gradualmente, de serem unicamente espaços de assitência.

O projeto de lei previa o funcionamento 24 horas em creches onde fosse verificada demanda. O superintendente da AMAC, José Sóter de Figueirôa Neto, desconhece existirem solicitações por parte de pais ou comunidades para que as creches atendam à noite. Apesar disso, Figueirôa considera interessante a idéia, embora desconheça experiências como esta em grandes centros como São Paulo, Rio e Belo Horizonte. José Sóter Figueirôa Neto aponta três aspectos a serem investigados para que um projeto como este seja viável:

  1. a relação custo/benefício baseado na demanda;
  2. o operacional, que avaliará onde deixar a criança, seja em uma creche próxima do trabalho ou da sua residência;
  3. 3.e o financeiro, no que diz respeito à contratação de mão de obra e os gastos com água, luz energia e adicional noturno para os funcionários.

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