Juliano Nery Juliano Nery 13/1/2012

Tempo para tudo

Foto de enchente em Além ParaíbaMais um início de ano cercado por catástrofes naturais. Se no ano passado a região mais atingida foi a serrana do estado do Rio de Janeiro, este ano a nossa Zona da Mata não foi poupada. Contabilizando Minas Gerais como um todo, mais de uma centena de municípios decretaram estado de emergência, por conta da intensidade das chuvas. Incrível como todo ano acontece este tipo de tragédia na primeira quinzena de janeiro. E, incrivelmente, como as esferas públicas não tomam medidas preventivas durante o ano. Se medidas fossem tomadas no período correto, muita coisa poderia ser evitada.

Agora, no primeiro mês do ano, não é a melhor época para se fazer reconformação de talude em beira de pista de rodovia, nem de se resolver problemas de material carreado, invadindo estradas. Isso poderia ser avaliado anteriormente e resolvido nos períodos mais secos do ano. O mesmo vale para a identificação de pontos de risco de alagamento e de desmoronamento. A chuva no ano passado, que deveria já ter chegado em setembro, teimou em não vir, aparecendo somente com mais intensidade em novembro, dando até uma colher de chá para a prevenção. E o que de real foi feito? — Eis a pergunta que não quer calar...

E, nesta semana, em matéria do companheiro Victor Machado, tem-se a informação de que 14% da área urbana de Juiz de Fora apresenta alto ou altíssimo risco de desastres. Chance importante para que o poder público tome iniciativa, o quanto antes, para que não tenhamos catástrofes do porte que vem se configurando em cidades da região, com centenas de famílias desabrigadas e até com perda de algumas vidas.

Neste momento, em que a Prefeitura tem investido maciço aporte de recursos em publicidade e afirma estar trabalhando em silêncio em prol da cidade, escolho a segunda parte da frase e espero que medidas sejam tomadas no tempo certo, ao longo deste ano. Mais do que obras de embelezamento do município que, vale ressaltar, também são bem-vindas, a população necessita de segurança para poder viver em Juiz de Fora.

Não é de hoje que as chuvas são um tormento. E não precisamos nem remontar ao dilúvio universal do Noé para comprovar. Basta olhar para o nosso passado recente, este que as retrospectivas de fim de ano mostram na televisão. Quanta enchente, quanta leptospirose. E os deslizamentos de terra? — De quantos deslizamentos de terra temos notícia a cada verão? A temporada de chuvas faz estragos anuais e não podemos nos acostumar a isso. O ideal é cobrar de quem tem condições e responsabilidade sobre a coisa pública...

Infelizmente, para o início de 2012, o caminho é o dos paliativos. Colaborar com os atingidos pelas enchentes é uma importante missão. Neste sentido, procure um local de coleta e realize sua doação de roupas e alimentos a quem foi atingido pelas enchentes. De resto é torcer para que no planejamento deste ano, a municipalidade tenha lembrado de colocar as obras em locais críticos, como item prioritário de governo, ainda que não tenha a mesma visibilidade que melhorias em locais mais centrais da cidade.

Juliano Nery sabe que há um tempo certo para tudo.

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Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.

Juliano Nery Juliano Nery 13/1/2012

Tempo para tudo

Foto de enchente em Além ParaíbaMais um início de ano cercado por catástrofes naturais. Se no ano passado a região mais atingida foi a serrana do estado do Rio de Janeiro, este ano a nossa Zona da Mata não foi poupada. Contabilizando Minas Gerais como um todo, mais de uma centena de municípios decretaram estado de emergência, por conta da intensidade das chuvas. Incrível como todo ano acontece este tipo de tragédia na primeira quinzena de janeiro. E, incrivelmente, como as esferas públicas não tomam medidas preventivas durante o ano. Se medidas fossem tomadas no período correto, muita coisa poderia ser evitada.

Agora, no primeiro mês do ano, não é a melhor época para se fazer reconformação de talude em beira de pista de rodovia, nem de se resolver problemas de material carreado, invadindo estradas. Isso poderia ser avaliado anteriormente e resolvido nos períodos mais secos do ano. O mesmo vale para a identificação de pontos de risco de alagamento e de desmoronamento. A chuva no ano passado, que deveria já ter chegado em setembro, teimou em não vir, aparecendo somente com mais intensidade em novembro, dando até uma colher de chá para a prevenção. E o que de real foi feito? — Eis a pergunta que não quer calar...

E, nesta semana, em matéria do companheiro Victor Machado, tem-se a informação de que 14% da área urbana de Juiz de Fora apresenta alto ou altíssimo risco de desastres. Chance importante para que o poder público tome iniciativa, o quanto antes, para que não tenhamos catástrofes do porte que vem se configurando em cidades da região, com centenas de famílias desabrigadas e até com perda de algumas vidas.

Neste momento, em que a Prefeitura tem investido maciço aporte de recursos em publicidade e afirma estar trabalhando em silêncio em prol da cidade, escolho a segunda parte da frase e espero que medidas sejam tomadas no tempo certo, ao longo deste ano. Mais do que obras de embelezamento do município que, vale ressaltar, também são bem-vindas, a população necessita de segurança para poder viver em Juiz de Fora.

Não é de hoje que as chuvas são um tormento. E não precisamos nem remontar ao dilúvio universal do Noé para comprovar. Basta olhar para o nosso passado recente, este que as retrospectivas de fim de ano mostram na televisão. Quanta enchente, quanta leptospirose. E os deslizamentos de terra? — De quantos deslizamentos de terra temos notícia a cada verão? A temporada de chuvas faz estragos anuais e não podemos nos acostumar a isso. O ideal é cobrar de quem tem condições e responsabilidade sobre a coisa pública...

Infelizmente, para o início de 2012, o caminho é o dos paliativos. Colaborar com os atingidos pelas enchentes é uma importante missão. Neste sentido, procure um local de coleta e realize sua doação de roupas e alimentos a quem foi atingido pelas enchentes. De resto é torcer para que no planejamento deste ano, a municipalidade tenha lembrado de colocar as obras em locais críticos, como item prioritário de governo, ainda que não tenha a mesma visibilidade que melhorias em locais mais centrais da cidade.

Juliano Nery sabe que há um tempo certo para tudo.

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Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.

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Juliano Nery Juliano Nery 13/1/2012

Tempo para tudo

Foto de enchente em Além ParaíbaMais um início de ano cercado por catástrofes naturais. Se no ano passado a região mais atingida foi a serrana do estado do Rio de Janeiro, este ano a nossa Zona da Mata não foi poupada. Contabilizando Minas Gerais como um todo, mais de uma centena de municípios decretaram estado de emergência, por conta da intensidade das chuvas. Incrível como todo ano acontece este tipo de tragédia na primeira quinzena de janeiro. E, incrivelmente, como as esferas públicas não tomam medidas preventivas durante o ano. Se medidas fossem tomadas no período correto, muita coisa poderia ser evitada.

Agora, no primeiro mês do ano, não é a melhor época para se fazer reconformação de talude em beira de pista de rodovia, nem de se resolver problemas de material carreado, invadindo estradas. Isso poderia ser avaliado anteriormente e resolvido nos períodos mais secos do ano. O mesmo vale para a identificação de pontos de risco de alagamento e de desmoronamento. A chuva no ano passado, que deveria já ter chegado em setembro, teimou em não vir, aparecendo somente com mais intensidade em novembro, dando até uma colher de chá para a prevenção. E o que de real foi feito? — Eis a pergunta que não quer calar...

E, nesta semana, em matéria do companheiro Victor Machado, tem-se a informação de que 14% da área urbana de Juiz de Fora apresenta alto ou altíssimo risco de desastres. Chance importante para que o poder público tome iniciativa, o quanto antes, para que não tenhamos catástrofes do porte que vem se configurando em cidades da região, com centenas de famílias desabrigadas e até com perda de algumas vidas.

Neste momento, em que a Prefeitura tem investido maciço aporte de recursos em publicidade e afirma estar trabalhando em silêncio em prol da cidade, escolho a segunda parte da frase e espero que medidas sejam tomadas no tempo certo, ao longo deste ano. Mais do que obras de embelezamento do município que, vale ressaltar, também são bem-vindas, a população necessita de segurança para poder viver em Juiz de Fora.

Não é de hoje que as chuvas são um tormento. E não precisamos nem remontar ao dilúvio universal do Noé para comprovar. Basta olhar para o nosso passado recente, este que as retrospectivas de fim de ano mostram na televisão. Quanta enchente, quanta leptospirose. E os deslizamentos de terra? — De quantos deslizamentos de terra temos notícia a cada verão? A temporada de chuvas faz estragos anuais e não podemos nos acostumar a isso. O ideal é cobrar de quem tem condições e responsabilidade sobre a coisa pública...

Infelizmente, para o início de 2012, o caminho é o dos paliativos. Colaborar com os atingidos pelas enchentes é uma importante missão. Neste sentido, procure um local de coleta e realize sua doação de roupas e alimentos a quem foi atingido pelas enchentes. De resto é torcer para que no planejamento deste ano, a municipalidade tenha lembrado de colocar as obras em locais críticos, como item prioritário de governo, ainda que não tenha a mesma visibilidade que melhorias em locais mais centrais da cidade.

Juliano Nery sabe que há um tempo certo para tudo.

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Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.