Segunda-feira, 4 de maio de 2009, atualizada às 18h

Sindicatos e PJF dão continuidade às negociações da campanha salarial. Médicos e servidores mantêm paralisação na quarta-feira

Patrícia Rossini
* Colaboração

Mais uma etapa de negociações marca a campanha salarial dos servidores vinculados à Prefeitura de Juiz de Fora. Na manhã desta segunda-feira, dia 4 de maio, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu) tiveram uma nova conversa com o secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, e oficializaram o posicionamento da categoria diante da contraproposta apresentada na semana passada. Boa parte dos servidores querem um aumento linear nos salários, porém, a PJF propõe reajustes específicos para as categorias com menores salários.

"Em um momento de crise, temos que cuidar de quem ganha menos e sofre mais", disse o secretário. Caso o reajuste linear seja uma exigência do Sinserpu, Valverde garante que a PJF vai "analisar a questão com muito cuidado e equilíbrio".

Um novo encontro será marcado nesta terça-feira, dia 5, com o objetivo de continuar a negociação antes da assembleia do Sinserpu, marcada para quarta-feira, às 9h.

Ainda nesta segunda, o secretário se reuniu com o Sindicato dos Médicos e dos Engenheiros. Mais cedo, foi a vez da reunião com o Sindicato dos Professores (Sinpro). Os educadores decidiram pela manutenção da greve.

Negociações individuais

Nesta segunda-feira, a Associação dos Motoristas da Prefeitura de Juiz de Fora teve uma conversa à parte com o secretário de Administração e Recursos Humanos. Os motoristas seriam os primeiros beneficiados com a proposta de ascensão de carreira para as categorias não contempladas atualmente. O benefício foi uma das contrapropostas apresentadas ao Sinserpu na última semana.

Apesar das negociações em separado, Vítor Valverde nega que a PJF tenha a intenção de negociar separadamente para enfraquecer o movimento de greve dos servidores. "Os sindicatos apresentaram pautas em separado. Nós estamos negociando de acordo com as pautas que foram apresentadas", explica

Sobre a possibilidade de atender apenas a algumas categorias que aceitem a contrapoposta oferecida pela PJF, o secretário garantiu que as entidades sindicais terão liberdade para aceitar ou não os benefícios.

Valorização

Para o secretário-geral do Sindicato dos Médicos, Geraldo Sette, a administração municipal ainda não "apresentou indícios de boa vontade em contemplar a pauta de reivindicações." Caso as negociações não avancem, Sette não descarta a votação do indicativo de greve na assembleia de quarta-feira.

Outro problema, segundo ele, é a possibilidade de demissão em massa. "Temos um grupo de profissionais que não aceita permanecer no emprego sem reajuste, pois os salários são muito baixos. Isso já está acontecendo e alguns setores estão desfalcados. A neurocirurgia, por exemplo, conta com apenas dois profissionais no momento. É um número insuficiente para atender a demanda do HPS."

O secretário-geral afirma que a situação da saúde pública é crítica. "O sistema de saúde municipal está em crise. Não é culpa da administração atual, mas cabe a ela gerenciar esse problema. A população precisa de atendimento de qualidade e os profissionais precisam de valorização."

* Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF