As ondas de calor cada vez mais frequentes têm levado moradores a buscar alternativas para reduzir o desconforto térmico dentro de casa e diminuir a dependência do ar-condicionado. Estratégias de projeto, escolha de materiais e presença de vegetação estão entre as principais soluções apontadas por especialistas para enfrentar o problema.

O debate ganhou força após a realização da COP30 no Brasil, que destacou projeções de aquecimento entre 4 °C e 4,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O cenário indica aumento de noites quentes, eventos extremos e maior pressão sobre o consumo de energia, refletindo diretamente na forma como as residências são planejadas e adaptadas.

Segundo a arquiteta e urbanista Lusianne Azamor, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, o calor nos ambientes internos tem origem tanto externa quanto interna. A radiação solar incidente sobre telhados, paredes e janelas é uma das principais fontes, mas o uso de equipamentos e a própria presença das pessoas também contribuem para elevar a temperatura. A orientação correta das fachadas, a espessura das paredes e a escolha de materiais adequados ajudam a reduzir esse ganho térmico.

FOTO: Alef Morais - Reprodução

A orientação solar é apontada como fator decisivo para o conforto térmico ao longo do ano. No hemisfério sul, fachadas voltadas para o norte recebem maior incidência de sol e exigem cuidados no posicionamento de aberturas. Já o sol da tarde, especialmente nas fachadas oeste, tende a ser o mais problemático, demandando soluções como brises, persianas, venezianas ou barreiras vegetais. Fachadas sul, por receberem menos radiação direta, permitem aberturas maiores e contribuem para ambientes mais frescos.

A presença de áreas verdes aparece como outro elemento relevante. A vegetação proporciona sombreamento e ajuda a reduzir a temperatura por meio da evapotranspiração, além de amenizar o efeito de ilhas de calor causado por superfícies impermeáveis. Jardins, arborização no entorno das casas, telhados e paredes verdes são alternativas citadas como viáveis tanto em construções novas quanto em reformas.

Além das soluções de projeto, medidas mais simples também podem colaborar para reduzir o calor interno. Pinturas externas em cores claras, uso de cortinas e persianas, instalação de mantas térmicas no forro e preferência por materiais que não acumulam calor estão entre as ações de menor custo. Nessas condições, o uso de ventiladores pode ser suficiente para melhorar o conforto térmico, com consumo energético inferior ao do ar-condicionado.

Especialistas avaliam que a combinação de orientação solar adequada, ventilação cruzada, vegetação e escolhas construtivas conscientes pode reduzir significativamente a necessidade de climatização artificial. A adoção dessas estratégias contribui não apenas para o conforto dos moradores, mas também para a economia de energia e a adaptação das cidades a um cenário de temperaturas cada vez mais altas.

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Huy Pan - Reprodução

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