Moradores da região do Vila Ideal vêm enfrentando um forte mau cheiro que estaria partindo das proximidades do antigo matadouro. O odor, descrito como semelhante à queima de carne podre, chega a invadir casas mesmo quando totalmente fechadas.
Maria Luiza, que mora perto da Igreja Sant’Ana, afirma que o problema se intensificou há cerca de um mês e meio, afetando até seu descanso após o trabalho. Segundo ela, o cheiro permanece tão forte que parece acompanhá-la durante o dia.
No bairro Furtado de Menezes, a moradora Cátia Rosa confirma que o odor vem do matadouro. Ela relata náuseas, dor de cabeça e dificuldades para circular pela região, especialmente ao passar de carro em frente ao estabelecimento. O problema também estaria afetando comércios, escolas e até o trabalho da filha, que atua na área da beleza e precisou investir em aromatizadores para não perder clientes.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que equipes de fiscalização acompanham a situação na área do matadouro. O município também avalia se a estiagem e o baixo nível do Rio Paraibuna podem estar potencializando os odores.
A empresa se manifesta
Em entrevista ao Acessa, o diretor da Fripai Alimentos, Marcelo Detoni, admitiu que o mau cheiro percebido pelos moradores ocorreu por causa de uma instabilidade temporária na estação de tratamento de efluentes da empresa. Ele explica que, durante a instalação de novos equipamentos, toda a água utilizada pela indústria precisou ser direcionada à lagoa de tratamento, que ficou parada por seis dias e levou mais oito dias para estabilizar. Cerca de mil animais são abatidos diariamente.
Segundo Detoni, esse período de duas semanas foi o responsável pelo desconforto na região. O diretor afirmou que o problema já foi totalmente solucionado e destacou que a empresa atua há 35 anos no bairro sem precedentes semelhantes. Disse ainda que as licenças ambientais estão regulares, com fiscalização da SUPRAM e do município, e que nenhuma reclamação formal foi registrada pelos órgãos competentes.
Quanto ao tratamento dos resíduos, Detoni explicou que os subprodutos sólidos são retirados e encaminhados para compostagem, enquanto o efluente líquido passa por tratamento aeróbico e é reutilizado na limpeza dos currais.
Segundo ele, o episódio foi excepcional. “Preferimos não descartar nada sem tratamento no rio. Por isso absorvemos a carga na lagoa. Tudo é orgânico, não trabalhamos com produtos químicos”.
Detoni pediu desculpas aos moradores, afirmou entender o desconforto causado e garantiu que o problema não deve voltar a ocorrer. Também reforçou que a empresa está aberta ao diálogo.
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