A demolição de oito casas localizadas em área de risco na Rua Waldomiro Eloy do Amaral, no bairro Cruzeiro do Sul, em Juiz de Fora, começou a ser realizada nessa quarta-feira (11) após avaliação técnica da Defesa Civil apontar risco estrutural nos imóveis. As residências ficam na crista de um talude, situação que poderia provocar novos deslizamentos e até impactar regiões próximas, como o bairro Graminha.

A reportagem do portal Acessa.com esteve no local na manhã desta quinta-feira (12) e acompanhou o trabalho das equipes responsáveis pela demolição. A intervenção faz parte das medidas adotadas pelo município após as fortes chuvas que atingiram a cidade nas últimas semanas.

Segundo a Prefeitura, a decisão pela demolição foi tomada após análise técnica que identificou riscos à segurança da população. A previsão operacional é de que o trabalho seja concluído nesta sexta-feira (13).

Além do Cruzeiro do Sul, novas demolições preventivas também estão previstas para ocorrer nos próximos dias em imóveis localizados em áreas de risco nos bairros Esplanada, Parque Burnier e Paineiras.

Demolição ocorre com uso de máquinas

O trabalho de demolição é realizado com o apoio de duas máquinas, segundo informações do Supervisor de Obras, José Maria. Uma delas, de menor porte, atua na abertura de acesso na parte frontal do terreno, enquanto uma escavadeira maior opera em áreas mais profundas do talude, onde a máquina menor não alcança. Para permitir a atuação do equipamento mais pesado, foi necessário preparar um caminho de acesso capaz de suportar o peso da máquina.

Os serviços inicialmente se concentraram nas estruturas localizadas na parte superior do talude, consideradas mais vulneráveis. Em seguida, a intervenção segue para a parte inferior das construções.

Após a conclusão da demolição, caberá à Defesa Civil realizar nova avaliação técnica para verificar as condições do terreno e definir eventuais medidas adicionais, incluindo a possibilidade de liberação de acessos nas áreas próximas.

Durante o processo, moradores tiveram acesso às casas para retirar pertences. Equipes acompanharam a retirada dos objetos ao longo do dia anterior ao início das demolições. De acordo com informações obtidas no local, parte dos itens que permaneceram nas residências foi deixada pelos próprios moradores, seja por decisão pessoal ou por receio de entrar novamente nas estruturas.

Moradores relatam tristeza ao ver casas demolidas

Para quem cresceu na região, a cena das máquinas derrubando casas conhecidas é difícil de acompanhar. O morador Gabriel Delfino, nascido e criado no bairro Cruzeiro do Sul, descreve o momento como triste.

“É uma situação muito triste. A gente vê família que nasceu e foi criada aqui. Às vezes são casas de amigos, de parentes, igual a casa da minha tia Márcia. Ver isso acontecendo é um cenário muito difícil”.

Segundo ele, o local sempre foi um espaço de convivência para moradores da região.

“Sempre foi um lugar de alegria, de amigos brincando, de família reunida. Quando a gente vem aqui e vê como está agora, lembra de pessoas que moraram aqui há 10 anos, das casas que tinham. É muito triste”.

Gabriel também relata que, na percepção de alguns moradores, o processo ocorreu de forma rápida.

“Isso aqui é sonho de muita gente. Ninguém constrói uma casa do dia para a noite.”

Memórias de décadas no bairro

Uma moradora da região, que preferiu não se identificar, contou que vive na rua há quase seis décadas e acompanhou toda a transformação do lugar. “Eu me mudei para cá com cinco anos. Hoje estou com 64, são 59 anos morando aqui”.

Ela relembra com carinho as memórias de infância no local.

“A primeira vez que caí de moto foi nessa rua. Quando era mais jovem andava de bicicleta aqui. Todo mundo se conhecia. Tinha um barranco onde a gente descia escorregando. Era um lugar cheio de vida”.

Para ela, ver as casas sendo demolidas provoca um sentimento de perda coletiva. “A gente fica triste de ver isso, porque são pessoas muito queridas”.

A moradora também lembra que não é a primeira vez que o bairro enfrenta uma tragédia provocada pela chuva. “Há uns 20 anos atrás três pessoas morreram por causa de chuva aqui. Desde então a gente nunca tinha visto algo parecido”.

 

 

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Chuvas | demolição | juiz de fora

Yuri Kruschswky - Reprodução

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