Moradores do bairro Adolfo Vireque, em Juiz de Fora, afirmam enfrentar dificuldades para entrar e sair da comunidade há mais de 20 dias. O problema começou após as fortes chuvas registradas no fim de fevereiro, que provocaram um deslizamento de terra na Rua Artesão Antônio de Oliveira, principal e até então única via de acesso à parte alta do bairro.
Desde então, segundo relatos ouvidos pelo Acessa, a comunidade passou a enfrentar dificuldades para a circulação de veículos, transporte público e até para a chegada de serviços essenciais.
Manifestação de moradores
Na última sexta-feira (13), moradores realizaram uma manifestação pacífica na Rua José Lourenço, próximo ao acesso improvisado que vem sendo utilizado atualmente.
Durante o ato, um homem teria tentado avançar com o carro contra os manifestantes, o que gerou um princípio de tumulto no local. Apesar da tensão, não houve registro de feridos.
Moradores relatam isolamento e falta de serviços
Em entrevista ao Acessa, o morador Cristian Ribeiro afirmou que a situação no bairro permanece crítica desde as chuvas.
Segundo ele, a precariedade do acesso tem dificultado a chegada de serviços públicos e afetado diretamente a rotina da população.
“Desde aquela chuva, a situação aqui está precária. Já são quase 20 dias sem acesso adequado. Não sobe polícia, não sobe caminhão de lixo, e os carros têm muita dificuldade para subir”, relatou.
Cristian também afirma que o transporte coletivo deixou de atender a região e que veículos de emergência enfrentam dificuldades para acessar o bairro. Um vídeo registrado por moradores mostra, inclusive, uma viatura policial sem conseguir subir até a comunidade.
Moradores apontam possíveis soluções
Segundo os moradores, três alternativas poderiam ajudar a resolver o problema de acesso.
A primeira seria a recuperação da Rua Artesão Antônio de Oliveira, que permanece interditada após o deslizamento.
A segunda possibilidade seria a utilização de uma via que passa pela região do Alto dos Pinheiros.
Já a terceira alternativa é uma estrada improvisada aberta pelos próprios moradores.
“Essa rua que aparece ali no fundo fomos nós, moradores, que abrimos. A prefeitura chegou a dar um suporte e disse que colocaria infraestrutura, mas a obra parou no meio do caminho. Agora estamos, mais uma vez, ilhados”, afirmou Cristian.
De acordo com ele, até o momento não houve comunicação oficial sobre prazos para uma solução definitiva.
“Não tivemos nada formalizado, nenhuma data. Para a gente fica tudo muito incerto”, disse.
Demanda por segundo acesso é antiga
Moradores afirmam que a abertura de uma segunda via de acesso ao bairro é uma reivindicação antiga, discutida desde 2018.
Documentos da Câmara Municipal indicam que o tema já havia sido levado oficialmente ao poder público. Em junho de 2019, um requerimento apresentado pelo vereador Juraci Scheffer solicitou à Prefeitura, com “máxima urgência”, o prolongamento da Rua Oscar Pereira Lopes até a Rua José Lourenço. Novos requerimentos foram enviados em 2021 e 2025.
A proposta tinha como objetivo ligar a parte alta à parte baixa do bairro Adolfo Vireque e ampliar as alternativas de circulação para moradores e veículos.
No documento, o vereador argumenta que a comunidade possui apenas uma via de acesso à parte alta do bairro, utilizada por veículos e pedestres nos dois sentidos, o que aumentaria o risco de acidentes e dificultaria a mobilidade.
Com o bloqueio da principal rua após o deslizamento registrado no fim de fevereiro, a necessidade de uma rota alternativa se tornou ainda mais urgente.
Vereador afirma que acompanha a situação
Procurado pela reportagem, o vereador Juraci Scheffer afirmou que a demanda por melhorias na mobilidade do bairro é antiga e vem sendo encaminhada ao Executivo municipal ao longo dos anos.
Segundo ele, ainda na década de 1990 houve atuação para a abertura da Rua Artesão Antônio de Oliveira, que posteriormente recebeu pavimentação e passou a contar com linhas de transporte coletivo.
O parlamentar também informou que, ao longo dos últimos anos, encaminhou pedidos e documentos à Prefeitura relacionados à criação de um segundo acesso ao bairro, incluindo o requerimento apresentado em junho de 2019.
De acordo com Scheffer, após o deslizamento ocorrido no fim de fevereiro, ele esteve no bairro e manteve contato com órgãos da administração municipal.
Segundo o vereador, equipes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), da Defesa Civil e da Empav foram enviadas ao local para avaliar a situação e realizar intervenções emergenciais na via aberta pelos moradores.
Ele também afirmou que encaminhou documentos à Prefeitura relacionados à possibilidade de desapropriação da área onde foi aberta a passagem alternativa, uma vez que o trecho fica em terreno particular.
Segundo o parlamentar, uma solução definitiva depende de estudos técnicos e de procedimentos legais, incluindo eventual regularização da área e obras estruturais na região.
Prefeitura destaca intervenções realizadas
Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que acompanha a situação e que realizou intervenções emergenciais para garantir o acesso ao bairro.
De acordo com o Executivo, foi aberta uma via alternativa após as chuvas para restabelecer a mobilidade da comunidade. A administração também afirmou que realizou adequações no material implantado na pista, a pedido de moradores, para melhorar o tráfego de veículos no local.
A intervenção teria sido executada com recursos do orçamento da Empresa Municipal de Pavimentação e Urbanidades (Empav), destinados a serviços e intervenções urbanas.
Segundo a Prefeitura, equipes técnicas seguem monitorando continuamente as condições da área. As decisões sobre manutenção, ampliação ou alteração das rotas dependem de avaliação técnica, especialmente da Defesa Civil, considerando as condições do terreno e a segurança da população.
Sobre o acesso pela região do Alto dos Pinheiros, citado por moradores como alternativa, o Executivo informou que se trata de uma via privada e, portanto, não é uma rota pública de livre utilização.
A Prefeitura também afirmou que compreende as dificuldades enfrentadas pelos moradores e que seguirá trabalhando para melhorar as condições de acesso ao bairro.
Entretanto, alguns questionamentos enviados pela reportagem não foram respondidos pela administração municipal, como o valor investido na intervenção realizada na via alternativa, o motivo da retirada do material aplicado pouco tempo após a obra e se existe prazo para uma solução permanente para o problema.